Série: A Lei de Deus: Estudo Nº 5: A Classificação das Leis de Deus: Leis Naturais, Morais, Civis e Cerimoniais

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Estudo Bíblico: A Lei de Deus: Estudo Nº 5: A Classificação das Leis de Deus: Leis Naturais, Morais, Civis e Cerimoniais. Mandamentos de Deus.

Por Markus DaSilva, Th.D.

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ntes de começarmos a falar sobre a classificação das leis de Deus, é importante deixar claro que as Escrituras Sagradas não mencionam qualquer classificação dos mandamentos do Senhor. É por isso que Jesus sempre se referiu à lei de Deus no singular: “a lei” ou em termos genéricos, como “a lei e os profetas” ou “a lei de Moisés”, e nunca como “os dez mandamentos”, ou “as leis do templo”, etc. A razão do silêncio na Bíblia sobre os tipos de leis é porque até os dias de Jesus todos entendiam e aceitavam que as leis de Deus provinham de um só autor, Deus, e para um só propósito, que é a felicidade e santificação da raça humana. Apenas após a ascensão do Messias, quando começaram a surgir entre os cristãos aqueles que questionavam a necessidade da obediência à lei, foi que se passou a ouvir que nem todas as leis do Antigo Testamento eram iguais. Estudiosos cristãos começaram então a classificar as leis contidas na Tanak, ou Antigo Testamento, com o propósito de facilitar o entendimento popular sobre qual das leis de Deus deveriam ser cumpridas e quais poderiam ser ignoradas pelos cristãos, sem o perigo de serem condenados por desobediência no juízo final, conforme alertou o apóstolo Paulo: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Cor 5:10). Se haverá um julgamento, e se a sentença pode ser boa ou má, então subtende-se que existem leis pelas quais os homens serão julgados.

“A grande maioria dos cristãos, se possível fosse, retirariam da Bíblia todas as páginas que fazem menção à lei do Criador.”

É interessante que este mesmo Paulo que escreveu que seremos julgados pelo Senhor baseado na sua lei foi o escritor bíblico que mais causou dúvidas sobre a necessidade de obedecer à lei de Deus. Expressões como: “vocês não estão debaixo da lei” (Rom 6:14) ou “mas agora fomos libertos da lei” (Rom 7:6), e muitas outras semelhantes levaram e continua levando milhões ao falso entendimento que já não existe nenhum mandamento de Deus que realmente precisa ser obedecido para herdarmos o reino de Deus. Mas entraremos em detalhes sobre a lei de Deus e o apóstolo Paulo no estudo desta série dedicado ao escritor do Novo Testamento que mais escreveu cartas às igrejas do primeiro século.

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Se os seguidores de Jesus amassem a lei de Deus assim como o seu Mestre amava, nunca teria sido necessário classificar os mandamentos do Pai (João 14:23-24), mas infelizmente o que se observa no meio cristão é exatamente o oposto. A grande maioria dos cristãos, se possível fosse, retirariam da Bíblia todas as páginas que fazem menção à lei do Criador, e é por causa desta resistência em obedecer as leis de Deus que daremos a sua classificação nesta série. Nossa esperança é que, ao obter um conhecimento mais profundo da lei, alguns daqueles que Deus envia ao nosso ministério valorizem mais os mandamentos do Senhor e entendam com mais clareza o que Deus exige dos cristãos que estão vivendo os últimos dias deste planeta dominado pelo maligno.

Os Quatro Tipos de Leis

Existem várias formas de classificar as leis que Deus nos deu através da natureza e através dos seus profetas que antecederam o Messias, mas basicamente a divisão é: leis naturais, morais, civis e cerimoniais. Com exceção das leis naturais, a maior parte da lei de Deus nos foi transmitida através de Moisés durante os 40 anos do êxodo desde o Egito até Canaã (Jos 5:6). Antes do êxodo, no entanto, Deus já havia nos transmitido muitas das suas leis, ainda que de forma oral e não escrita como foi com Moisés. Por exemplo, muitos séculos antes de Moisés, ficou claro que o Criador santificou e separou o sábado dos outros dias da semana (Gen 2:3); também ficou claro que matar é pecado com o evento envolvendo Abel e Caim (Gen 4:10-12). Mais tarde vemos que Deus já condenava o adultério quando Abimeleque tentou adicionar Sara, esposa de Abraão, ao seu harém (Gen 20:3); com este mesmo Abraão podemos ver a existência do dízimo quando ele se encontrou com o rei e sacerdote Melquisedeque (Gen 14:20). Finalmente, no evento de Sodoma e Gomorra vemos Deus condenando a imoralidade sexual dos seus habitantes (Gen 18:20). Estes exemplos bíblicos da existência da lei de Deus antes do Sinai, nos mostram que o Senhor, de uma forma ou outra, transmitiu os seus mandamentos à raça humana desde o início da criação.

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As leis Naturais

As leis de Deus mais conhecidas são as leis naturais. Estas são as leis que governam o universo físico visível e invisível. Tudo aquilo que existe no universo é controlado pelas leis naturais que Deus estabeleceu para este propósito (Jer 33:25; Heb 1:3). Desde os seres microscópicos aos maiores astros celestes e todo o espaço sideral existem e funcionam por causa das leis naturais. É Deus quem estabelece como cada uma das inumeráveis moléculas do universo se comporta. Cada partícula, cada átomo, recebe de Deus as instruções sobre como e quando se agrupar para assim formar tudo aquilo que existe no mundo físico.

Nada existe sem que Deus queira que exista; nada deixa de existir sem que Deus assim o queira. São as leis naturais que determinam a parte física da vida humana; tanto a parte que no nosso entender são boas e desejáveis como as que, também no nosso entender, são más e que gostaríamos que não existissem. O corpo saudável é saudável porque segue as leis naturais e o corpo enfermo é enfermo porque também segue as leis naturais. Tanto o dia ensolarado como o chuvoso; tanto o mar calmo, como o tempestuoso, seguem as leis naturais. Ou seja, a lei natural de Deus está além do conceito humano do bem e do mal. Todas as vezes que o homem explica como algo ocorre, seja este algo bom ou ruim, o que ele está fazendo é simplesmente traçando cada uma das leis naturais de Deus que leva àquele algo.

Leis Naturais e Milagres

Aquilo que o homem considera como milagres, para Deus são simplesmente desvios, suspensões ou alterações, normalmente temporárias, do fluxo regular das leis naturais. Temos vários exemplos nas escrituras onde Deus instruiu os objetos da sua criação a se comportarem irregularmente para causar um determinado efeito. Talvez um dos mais óbvios foi com o profeta Isaías e o rei Ezequias, onde Deus, como um sinal de que a promessa da cura do rei ocorreria, ordenou ao sistema solar que revertesse sua trajetória regular por algumas horas para que a sombra em uma escada do seu palácio retornasse dez degraus (2Re 20:8-11). Um outro exemplo foi com Jesus, quando foi dado a ordem e as moléculas das águas sob os seus pés se reagruparam e temporariamente formaram uma base sólida para que ele pudesse caminhar até o barco onde os apóstolos se encontravam (Mat 14:23-33).

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Todos os milagres de curas, no período bíblico e nos nossos dias, também se tratam de reagrupamentos subatômicos ordenados por Deus. Deus ordena que os ossos quebrados se reúnam ou que os ossos fracos se fortifiquem. Deus ordena que tumores interrompam o processo regular de crescimento e se mantenham em um determinado tamanho ou que revertam por completo o crescimento e voltem ao ponto onde ainda não existiam. Deus ordena que as moléculas que formam os membros de um corpo humano se reagrupem de maneira que a pessoa considerada fisicamente deformada possa ter o seu corpo restituído ao padrão natural. Assim são todas as curas miraculosas: simples ordens que o Criador dá às partículas que formam o corpo humano (Mat 8:1-3; 9:6-7, 20-22, 27-30).

Leis Naturais e a Ciência

O que o ser humano conhece como ciência se trata da observação das leis que Deus estabeleceu para o funcionamento do mundo físico no dia a dia. Os chamados avanços científicos são os resultados observáveis de como as leis de Deus atuam e de como o homem pode usar estas leis para o seu benefício. O conhecimento que o ser humano possui das leis naturais é extremamente limitado e é por isso que a maior parte dos avanços científicos ocorrem através de experimentos baseados em teorias. Também notemos que frequentemente o resultado positivo de um experimento é acompanhado de pontos negativos, o que limita o seu benefício para a raça humana. Grande prova desta verdade está no fato que, apesar de frequentemente se ouvir dos grandes avanços da ciência nos nossos dias, a população mundial segue sofrendo em praticamente todas as áreas da vida na terra.

Deus Controla o Progresso Científico

Nenhum progresso científico ocorre sem a permissão e direção de Deus. Sempre que o homem descobre algo novo sobre as leis naturais e decide utilizar deste descobrimento para o seu benefício foi Deus quem o guiou durante o processo. Da mesma forma, os obstáculos que o homem enfrenta quando procura obter algum benefício das suas descobertas também procedem de Deus. Ou seja, todo o avanço é cuidadosamente controlado por Deus: a descoberta, a teoria de aplicação e o uso prático. Qualquer uso que o homem venha a fazer das leis naturais apenas ocorrerá no tempo e no grau que Deus deseja que ocorra. O grande exemplo que temos nas Escrituras foi na tentativa de se construir uma “torre que atinja os céus” ou a torre de Babel. Neste evento vemos como Deus interferiu e assim controlou o progresso do homem: “e o Senhor disse: eis que o povo é um, e todos falam no mesmo idioma. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que tentarem. Vinde, desçamos e confundamos ali o seu idioma, para que um não entenda o idioma do outro” (Gen 11:6-7).

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A Leis Naturais e a Prepotência do Homem

As leis naturais de Deus são leis universais. Isto quer dizer que estas são leis que se aplicam a toda criação física de Deus e quase sempre sem exceções. Por exemplo, a conhecida lei da gravidade força todo o objeto terrestre a se dirigir rumo ao centro do globo, sem considerar suas características, como o seu tamanho, peso ou forma. Devido a serem universais e relativamente previsíveis na maneira que atuam sobre os objetos, as leis naturais frequentemente levam as pessoas a rejeitar que Deus é o seu criador e preferem adotar a posição de que elas existem por acaso. Ou seja, elas imaginam que se de fato fosse Deus o seu autor haveria mais irregularidades uma vez que neste caso existiria um ser inteligente atuando por detrás. Este entendimento é porque associam erroneamente a maneira que Deus lida com suas criaturas e a maneira que os seres humanos lidam uns com os outros. Esta verdade é mencionada em um dos salmos: “Você tem feito essas coisas, e eu me calei; você pensava que eu era igual a você; mas agora eu o repreenderei e porei tudo à sua vista” (Sal 50:21).

Uma outra razão que as pessoas entendem que Deus não é o criador das leis naturais é porque geralmente suas ações contrárias às leis não resultam em consequências visíveis e imediatas (2Pe 3:3-4), o que esperariam ser o caso se Deus fosse o seu autor. O homem alcoólatra, ou o fumante, por exemplo, normalmente só vê as consequências do seu erro depois de muitos anos no vício, quando é diagnosticado com alguma doença séria. Ele também observa, conforme já mencionado, que outros alcoólatras e fumantes iguais ou piores do que ele seguem vivendo sem problemas de saúde; o que confirma a sua descrença de que é Deus quem controla as leis naturais.

Finalmente, o homem comum não crê que Deus é o autor das leis naturais porque lhe parece que ela é imparcial, agindo igualmente com aqueles que professam servir a Deus e aqueles que o ignoram; na realidade, muitas vezes lhe parece que os descrentes estão em melhores situações. Ou seja, segundo este entendimento, se as leis naturais claramente favorecessem os seguidores de Jesus, então aceitariam que Deus é o seu autor. Neste ponto eles não são os únicos, pois infelizmente mesmo entre nós os fiéis existem dias em que questionamos os benefícios de servir ao Senhor, conforme vemos neste Salmo: “Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios. Eles não passam por sofrimento e têm o corpo saudável e forte. Estão livres dos fardos de todos; não são atingidos por doenças como os outros homens” (Sal 73:2–5).

Queridos, Deus de fato é o autor das leis que governam tudo aquilo que existe, tanto no mundo físico como no espiritual. Durante os próximos estudos desta série veremos cada vez mais a perfeição e unidade da lei de Deus; veremos como todas as leis de Deus, em todas as classificações, possuem um mesmo objetivo que é a felicidade de todas as suas criaturas. No caso dos seres humanos, por ser uma raça rebelde, a lei de Deus não só nos instrui sobre a felicidade, mas também possui a finalidade de nos mostrar o caminho da santificação, sem a qual ninguém verá a Deus (Heb 12:14).