🔊 (Parte 6) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 6: As Bem-aventuranças: Bem-aventurados os Mansos [Com Áudio]

Uma foto de montanhas atras de uma plantacao de trigo  O Sermão da Montanha. Estudo Nº 6: As Bem-aventuranças: Bem-aventurados os Mansos [Com Áudio] Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Não sei se ainda o dizem, mas anos atrás, quando eu morava no Brasil, se costumava dizer que “o mundo é dos espertos”. A expressão pode significar várias coisas, mas a ideia principal é a de que as pessoas bem-sucedidas na terra são aquelas que sabem tomar decisões que as colocam em vantagem sobre as outras. O ditado pode até possuir uma certa verdade em se tratando do sistema que atualmente domina o mundo presente. De fato, as pessoas financeiramente de sucesso na terra geralmente, mas não sempre, são aquelas que possuem como foco beneficiar a si mesmas, independentemente se os outros serão prejudicados no processo. Nesta terceira bem-aventurança, Jesus mais uma vez nos ensina algo que vai contra o entendimento popular: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (Mt 5:5). Este ensino é exatamente o oposto da expressão mencionada acima de que o mundo é dos espertos. Ou melhor, não o oposto, mas sim uma extensão. Ou seja, pode até ser verdade que temporariamente a terra seja dos espertos, mas as pessoas que muito em breve serão os donos permanentes dela não serão os espertos, mas sim os mansos e humildes.

“O principal motivo que o cristão não aceita com mansidão aquilo que o prejudica é porque lhe falta a fé.”

No grego, os adjetivos parecidos no significado, manso e humilde [πρᾶος (praós)] e [πραΰς (praús)], foram usados apenas duas vezes por Jesus. A bem-aventurança deste estudo foi uma das vezes que Jesus usou a palavra e a outra foi quando se referiu a si mesmo como uma pessoa mansa e humilde: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso [πρᾶος (praós)] e humilde [πραΰς (praús)] de coração; e achareis descanso para as vossas almas” (Mt 11:29). O fato de Jesus ter-nos dito que devemos aprender com Ele a ser manso torna bem mais fácil entendermos de que maneira devemos ser mansos se queremos muito em breve herdar a terra, quando o Senhor destruir e reconstruir este lugar: “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe” (Ap 21:1). Para herdarmos esta terra então teremos que ser mansos e humildes como Jesus o era.

A mansidão de Jesus consistia em aceitar passivamente tudo aquilo a que o Pai lhe submetia. Esta também deverá ser a atitude de todos nós, que declaramos ser seus seguidores. É importantíssimo que lembremos que esta é uma mansidão voluntária, como tudo aquilo que provém da fé. Ou seja, Jesus não aceitava com mansidão todo o abuso, todo o desaforo, toda a falta de respeito e toda a humilhação das pessoas porque não tinha escolha, pois Jesus poderia revidar a maldade delas a qualquer momento que quisesse: “Ou pensas tu que eu não poderia pedir a meu Pai, e que ele não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos?” (Mt 26:53). Jesus, no entanto, entendia e aceitava que nenhuma maldade lhe ocorria senão aquela que o Pai permitia para cumprir o seu propósito divino. Foi isso o que disse quando Pôncio Pilatos imaginou erroneamente que tinha autoridade sobre Jesus: “Disse-lhe, então, Pilatos: Não me respondes? não sabes que tenho autoridade para te soltar, e autoridade para te crucificar? Respondeu-lhe Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fora dado” (João 19:10-11).

O exemplo de Jesus de mansidão serve tanto para nos guiar como para nos esclarecer. Para nos guiar porque aprendemos com Cristo que a mansidão que devemos ter, se planejamos herdar a nova terra, consiste em deixar que o Pai seja a nossa justiça. Esta é uma atitude que requer muita fé, deixe-me adiantar. A inclinação natural da carne é a de que compete a nós mesmos tomar as necessárias providências para que os nossos interesses sejam devidamente defendidos. A ideia comum é a de que se não defendermos aquilo que é nosso ninguém o fará por nós. Este é um conceito que infelizmente prevalece tanto fora como dentro da igreja. É devido a este entendimento contrário ao exemplo de Jesus que frequentemente se ouve de cristãos lutando uns contra os outros nos tribunais seculares: “Na verdade já é uma completa derrota para vós o terdes ações judiciais uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o prejuízo?” (1Co 6:7).

O principal motivo que o cristão não aceita com mansidão aquilo que o prejudica é porque lhe falta a fé. O conhecimento dele de que o Senhor cuidará dos seus filhos se limita a isso mesmo: só conhecimento. Ele não vive como se Deus de fato cuidará dele quando enfrentar as dificuldades da vida. O seu viver cristão é apenas teórico. Ele pode até ter escrito em um quadro ou camiseta que o Senhor é o seu pastor e que nada lhe faltará (Sl 23:1), mas na prática ele é uma pobre ovelha que se ilude com a ideia de que tem condição de cuidar de si mesma.

A mansidão de Jesus, além de nos guiar neste mundo em trevas, também nos esclarece quanto ao que de fato ocorre ao nosso redor. Realmente, quando olhamos as nossas circunstâncias tão somente com os olhos do entendimento físico, temos todo o motivo para nos preocupar e procurar nos colocar em uma situação de segurança. É exatamente por causa deste instinto natural que a indústria de seguros é tão lucrativa. As pessoas cada vez mais procuram uma maneira visível de garantir um futuro tranquilo. Esta garantia que as pessoas procuram adquirir, no entanto, não passa de uma ilusão. Jesus exemplificou bem esta verdade na parábola do homem que resolveu construir maiores armazéns para estocar a sua safra e assim garantir uma vida confortável no futuro: “Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens guardado, para quem ficará?”(Lc 12:20). Tudo aquilo que o homem procura com toda a sua sabedoria e força conseguir nesta vida, cedo ou tarde se desfaz em pó, e nada daquilo que consegue de fato lhe traz o resultado positivo que espera conseguir.

A fé vivida deve ser o diferencial entre os salvos e os perdidos. As pessoas que não possuem a esperança da salvação também não possuem nenhum motivo para serem mansas. Muito pelo contrário, elas têm sim todo o motivo para serem agressivas em tudo aquilo que fazem, pois no seu entendimento mundano, elas só têm a si mesmas para se defenderem da maldade que prevalece neste planeta dominado pelo Maligno (João 16:11). Os salvos, no entanto, no ato de aceitarem a Jesus como Salvador se tornaram filhos de Deus e a partir de então possuem como o seu protetor o próprio Deus do universo. O homem que tem a Jesus como irmão (Mt 12:48-50) e a Deus como Pai (Mt 6:8) deve viver na segurança de que nada ocorrerá com ele que seja de fato para o seu mal. Ainda que às vezes nos parece que o mundo inteiro esteja maquinando contra nós e que seremos destruídos se não defendermos a nós mesmos, pela fé devemos ter em mente que aquele que está do nosso lado é superior ao mundo e que devemos nos apoiar na sua força e não na nossa: “Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei” (Sl 91:2). O apóstolo João também nos disse o mesmo quando escreveu: “Porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1Jo 4:4).

O manso de Deus não é ignorante quanto às maldades intencionais das pessoas. Ele não é passivo porque não sabe que os outros lhe querem destruir, e por isso sofre por falta de conhecimento. Não, ele está bem a par de quem são os instrumentos de Satanás neste mundo, mas, ainda assim, na sua dependência de Deus, ele não resiste ao homem mal (Mt 5:39; Ro 12:17), sabendo que o Senhor agirá ao seu favor no momento e da maneira que for do seu agrado. Davi testemunhou desta verdade quando escreveu: “Muitas são as aflições do justo, mas de todas elas o Senhor o livra… a malícia matará o ímpio, e os que odeiam o justo serão condenados” (Sl 34:19,21). Ou seja, o rei sabia que o servo de Deus que ainda se encontra neste mundo dominado pelo mal passa por aflições, provações e perseguições de todos os tipos. Ele não era ignorante da batalha espiritual que todos nós enfrentamos no nosso dia a dia. Mas, ele sabia que no final, Deus sempre vem no auxílio dos seus filhos fiéis: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! Muitos surgem contra mim. Muitos são os que dizem de mim: Não há socorro para ele em Deus. Mas tu, Senhor, és um escudo ao meu redor, a minha glória, e aquele que levanta a minha cabeça” (Sl 3:1-3).

Queridos, conforme deixamos claro no início desta série, os ensinos do sermão da montanha não são para os fracos. Nenhum de nós aceita facilmente as maldades das pessoas. O próprio Jesus se entristecia com a capacidade de praticar o mal existente no coração do homem, o homem que ele mesmo criou (João 1:3). O mal que frequentemente é praticado sem qualquer provocação, mas simplesmente pelo egoísmo, pelo individualismo, pela falta de amor para com o semelhante: “E, havendo ele dito isso, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: é assim que respondes ao sumo sacerdote? Respondeu-lhe Jesus: Se falei algo errado, explique o erro; mas, se correto, por que me feres?” (João 18:22-23). E em outro lugar: “Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar. Disse-lhes Jesus: Muitas boas obras da parte de meu Pai vos tenho mostrado; por qual destas obras ides apedrejar-me?” (João 10:31-32).

Irmãos, ser manso como Jesus o era requer fé e confiança, pois receber a maldade sem revidar vai contra o nosso instinto natural. É somente quando enxergamos a situação como algo espiritual é que entendemos existir muito mais em jogo do que as aparências. Na carne, não queremos aceitar a afronta. Na carne, queremos “devolver com juros”. Na carne, queremos “dar uma lição”. Tudo isso e muito mais a carne deseja fazer, mas como seguidores de Jesus que querem herdar a terra não podemos obedecer aos desejos da carne fraca, mas sim o Espírito forte que nos foi dado pelo Pai: “Porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer [a morte eterna]; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis [a vida eterna]. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Ro 8:13-14). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
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