🔊 (Parte 10) As 12 Táticas de Satanás Contra o Cristão – Satanás e os Relacionamentos que Levam à Perdição [Com Áudio]

Estudo Bíblico - As 12 Táticas de Satanás Contra o Cristão - Satanás e os Relacionamentos que Levam à Perdição - Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Quando completei 18 anos ainda morava no Brasil, e como todos os rapazes da mesma idade tive que regularizar a minha situação com o sistema de alistamento militar brasileiro. Anos atrás, quando apliquei para uma bolsa de estudo aqui nos EUA, tive que fazer o mesmo com o governo americano. Que eu saiba existe algo semelhante em praticamente todos os países. As forças espirituais do mal, assim como as forças armadas da terra, também estão ativamente engajadas em alistar soldados para as suas batalhas. Cada ser humano que Satanás consegue para o seu exército ele sai vitorioso de duas formas. Primeiramente porque conseguiu que mais uma alma se ajunte a ele no lago de fogo ardente (Mt 25:41), mas muito mais do que isso é o fato de que este soldado será usado como isca viva para atrair o maior número de almas possível para seguir o caminho que leva à perdição (Mt 7:13).

Estudo Nº 10 – Satanás e os Relacionamentos que Levam à Perdição.

Uma característica dos soldados do inimigo que os tornam fatais é a dificuldade que o cristão tem de identificá-los. Esta dificuldade é o resultado de milhares de anos que Satanás já teve estudando e aprimorando esta estratégia contra o ser humano. Esta técnica envolve o uso de dois tipos distintos de pessoas: os que são visivelmente seus servos e aqueles que são ambivalentes, ora aparentando estar do lado do inimigo, e ora do lado de Deus, sendo que este segundo tipo de pessoas é o mais eficaz em levar os cristãos à perdição. O fato de existirem aqueles que ninguém tem dúvidas que servem a Satanás cria em nós uma falsa referência e nos leva a crer que se alguém não se enquadra nesse molde é porque não é um soldado do inimigo. Um bom exemplo do que estou falando foi Judas Iscariotes. Ele sempre foi um servo de Satanás (Jo 17:12), mas como não demonstrava os sinais típicos de uma pessoa possessa, por cerca de três anos pode passar como um dos fiéis discípulos de Cristo. Apenas Jesus sabia quem ele realmente era (Jo 6:70). O Senhor estava para ser traído, já nos últimos dias aqui na terra, e ninguém desconfiava. Precisou que falasse claramente que um deles era um traidor para que os apóstolos acordassem (Jo 13:21), e mesmo assim ainda não sabiam a quem ele estava se referindo: “Simão Pedro fez um sinal a João como que lhe pedindo: Pergunta a quem ele se refere?” (Jo 13:24).

“Jesus não disse que conhecemos alguém pela aparência da árvore, mas sim pela qualidade dos frutos… quando estes surgirem.”

Uma falha típica de todo o ser humano é a facilidade com que somos levados pelas aparências; falha esta que o inimigo explora com tremendo sucesso. Temos vários exemplos dessa verdade nas Escrituras Sagradas, mas possivelmente o caso mais óbvio ocorreu com o profeta Samuel quando avaliava qual dos filhos de Jessé seria o próximo rei de Israel. Ao ver Eliabe, alto e bonito, Samuel disse: “Certamente este é o ungido do Senhor. Mas o Senhor disse a Samuel: Não olheis para a sua aparência, nem para a sua estatura, porque eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1Sm 16:6-7). O profeta, embora fosse um homem de Deus, também tinha esta noção errada que existe uma conexão entre o aspecto externo de alguém e a unção divina.

Mas o pior ocorreu com Absalão, que forçou o rei Davi, seu pai, a abandonar o palácio real e a fugir de Jerusalém se não quisesse ser morto pelo próprio filho. Absalão conseguiu o apoio dos Israelitas em grande parte por causa da sua aparência física (2Sm 14:25). Notemos, porém, que no caso de Absalão não foi só a sua beleza que convenceu o povo, mas também a sua astúcia. Ele fingiu ser alguém que se preocupava com as pessoas, encenava uma humildade, beijando os viajantes que entravam na cidade, afirmando que se fosse o rei os seus problemas seriam resolvidos com justiça e sem demora. Ele verdadeiramente personificava Satanás, o seu líder, com a sua astúcia e enganos.

Queridos, a pergunta natural que quem ler este estudo provavelmente fará é: Se não podemos avaliar alguém por aquilo que vemos e ouvimos, como conheceremos os verdadeiros servos de Deus? Jesus nos respondeu esta pergunta usando de uma analogia: “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos das ervas daninhas?” (Mt 7:16). Sobre os frutos que nos indica quem a pessoa realmente é, não temos espaço neste estudo para uma explicação muito longa, mas explicaremos pelo menos os dois pontos principais. Ambos pontos são bem óbvios, mas como Satanás é um ser muito mais poderoso do que nós, ele tem o poder de fazer com que esqueçamos as verdades, por mais óbvias que sejam.

A primeira coisa que devemos lembrar sobre frutos é que eles não surgem da noite para o dia. Não sou agricultor, mas sei muito bem que frutos só aparecem depois de um bom tempo que a árvore é plantada. Essa verdade nos ensina que não seremos capazes de determinar a qualidade de frutos que ainda não existem. Jesus não disse que conhecemos alguém pela aparência da árvore, mas sim pelo tipo de frutos… quando estes surgirem. Não devemos nos deixar levar por beleza física, ou facilidade de expressão, ou inteligência, pois em tudo isso o inimigo consegue nos iludir com facilidade. Neste caso, deve-se manter uma atitude neutra e apenas observar até que possamos saber com segurança com que tipo de pessoa estamos lidando. Tornar-se amigo, e muito menos se tornar íntimo, de alguém que não se sabe muito a seu respeito é uma loucura do mais alto escalão.

O segundo ponto de igual importância, é como devemos lidar com a pessoa que já se sabe que não contribui para a nossa jornada rumo à casa do Pai. Continuando a analogia da árvore, Jesus nos disse que Deus lidará com este indivíduo: “Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo” (Mt 7:19). Isso significa que não compete a nós determinar o futuro de nenhuma alma, mas sim deixar esta tarefa para o Criador de todas as almas. Deus pode, e muitas vezes o faz, mudar o coração de qualquer pessoa, mesmo aquela que no nosso entendimento é um caso perdido (Lc 13:6-9). É importante frisar, porém, que apenas Deus pode mudar corações. Deus deu muitos dons para os seus filhos aqui na terra, mas a nenhum foi dado o dom de mudar corações; esta é uma prerrogativa do Senhor (Ez 36:26). O mais importante dessa verdade, no entanto, não é que apenas Deus pode mudar corações, mas sim que jamais devemos desenvolver um relacionamento com alguém na esperança que no futuro Deus mudará o coração deste indivíduo. Esta é uma loucura ainda pior do que a primeira já mencionada.

Não posso terminar este estudo sem explicar quais são os bons frutos. O ponto de referência é Jesus. A pessoa que nos aproxima de Jesus devido ao seu exemplo de vida está produzindo bons frutos. Este exemplo significa andar como Jesus andou, em amor, bondade e humildade, procurando mais o benefício dos outros do que o de si próprio. Também significa ter prazer em obedecer às suas santas palavras; em morrer para este mundo e viver somente para agradar ao Pai. Se verificarmos isto em alguém continuamente, por um tempo razoável, então esta pessoa é realmente um servo de Deus e só teremos a ganhar se nos associarmos a ela. Quanto aos maus frutos, qualquer indivíduo cujo viver não leva as pessoas para mais perto de Jesus está produzindo maus frutos. Isso foi o que o próprio Jesus quis dizer quando nos disse: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha” (Mt 12:30). Em outras palavras, não existem relacionamentos neutros. Ninguém é parcialmente servo de Deus.

Queridos, se vocês imaginam que estou exagerando em tudo isso que escrevi, pensem um pouco no rei Salomão. Aqui temos um homem que na sua juventude foi considerado o homem mais sábio do mundo (1Rs 4:30-31). O rei Salomão foi uma das poucas pessoas na Bíblia que teve o privilégio de ouvir diretamente de Deus (1Rs 3:5). Este foi o Salomão que orou tão poderosamente na dedicação do templo que ao concluir desceu fogo do céu e a glória visível do Senhor encheu o templo (2Cr 7:1-2), de tal forma que os sacerdotes não puderam continuar com os sacrifícios até que a glória se retirasse (os rabinos usam o termo não-bíblico: shekinah). E, no entanto, influenciado pelos relacionamentos com pessoas que não temiam a Deus, o grande Salomão se abaixou ao ponto de cometer idolatria, erigindo templos a deuses estranhos em Israel (1Rs 11:7). Se isto ocorreu com Salomão, com toda a sua inteligência, imagina nós, que não fomos abençoados com tal sabedoria?

Irmãos, termino este estudo pedindo, não, implorando, que vocês se tornem extremamente cautelosos nas escolhas dos seus relacionamentos. Podemos e devemos levar todas as almas, independentemente de quem seja, até o trono de Deus em oração, mas isso não quer dizer que podemos estabelecer um relacionamento com todas elas. Na realidade devemos correr de alguns chamados “irmãos e irmãs” que aparecem na nossa vida: “com tais pessoas vocês nem devem comer” (1Co 5:11). Já disse, e aqui repito, não se entusiasmem com ninguém simplesmente porque tem boa aparência, ou pregue bem, ou cante bem, ou faça qualquer coisa que aparenta santidade, até que se possa ver os frutos do seu coração. Lembremos que Satanás frequentemente se apresenta como um anjo de luz (2Co 11:14). Espero te ver no céu.

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