🔊 (Parte 4) As 12 Táticas de Satanás Contra o Cristão – Satanás e a Substituição da Obediência Pelas Boas Obras [Com Áudio]

(Parte 4) As 12 Táticas de Satanás Contra o Cristão - Satanás e a Substituição da Obediência Pelas Boas Obras - Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Deus se deleita nas boas obras dos seus santos. Um dos motivos, é que as oportunidades que surgem para fazermos aquilo o que é bom no nosso dia a dia não aparecem no nosso caminho por acaso, mas são colocadas ali pelo próprio Deus para que assim possamos mostrar a Ele que estamos aprendendo; sim, estamos nos tornando bons iguais ao nosso Pai, que é a bondade suprema. Foi isso o que o nosso irmão Paulo quis dizer quando escreveu: “Porque somos criaturas dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou antecipadamente para que andássemos nelas” (Ef 2:10). Essa é uma verdade que posso comprovar na minha vida e da minha esposa incontáveis vezes. Em uma destas vezes, conforme já testemunhei em um outro estudo, Deus nos deu a oportunidade de servir por sete anos, dia e noite, por tempo integral, a uma irmã viúva e idosa da igreja. Aprendemos e crescemos com essa longa experiência.

Estudo Bíblico Nº 4 – Satanás e a Substituição da Obediência Pelas Boas Obras.

Vivemos em um mundo que está repleto de pessoas carentes de ajuda em todas as áreas da vida. Vemos carência tanto fora quanto dentro da igreja, entre os nossos irmãos e irmãs em Cristo. O que não falta no nosso caminho rumo aos céus são pessoas que precisam de nossa ajuda, sem mencionar as boas obras ligadas à manutenção das nossas igrejas, que como qualquer outra organização neste mundo, precisam ser mantidas se não queremos que caiam em ruínas (Jo 2:17).

“Este sentido de propósito é usado pelo inimigo para que deixemos de lado a nossa completa devoção a Deus e nos concentremos nos nossos atos de bondades.”

Algo muito interessante é que a caridade – que é este desejo de fazer o bem aos outros – entra na categoria dos dons universais que Deus nos deu. São universais porque foram dados a todos os seres humanos com o objetivo da preservação da nossa raça. Outros dons universais são o amor, a honestidade e a justiça. Isso significa que todas as pessoas, em diferentes graus, demonstram essas qualidades independentemente de qualquer religião. É por isso, por exemplo, que às vezes vemos um descrente mais caridoso, mais amoroso, mais honesto e mais justo do que nós que tememos a Deus.

Como sempre, Satanás utiliza as coisas boas que Deus criou e as transforma em obstáculos para o relacionamento do cristão com o Senhor. Aliás, o inimigo faz isso com tudo na vida. Como ele não tem a capacidade de criar nada, ele sempre distorce a boa criação de Deus para distanciar as pessoas do próprio Criador. Vemos essa realidade com o sexo, o alimento, as artes… e tudo mais.

Uma tática frequentemente usada pelo inimigo é fazer com que o cristão seja muito atuante na prática de boas obras, mas negligencie a obediência no seu relacionamento pessoal com Deus. Esta estratégia de Satanás é muito eficaz por vários motivos, mas deixe-me mencionar os dois principais. Primeiramente, é eficaz porque se trata de um dom que realmente todo o cristão deve pôr em prática, “para que o homem de Deus seja capaz e completamente instruído para toda boa obra” (2Tm 3:17). E como o próprio Jesus nos disse, amar ao próximo como a nós mesmos está no mesmo nível que amar a Deus sobre todas as coisas (Mt 22:39-40). Ou seja, ajudar o nosso irmão é um dos temas principais de todas as escrituras sagradas e é inconcebível um cristão que não se interesse em fazer o bem aos outros.

O segundo motivo que esta estratégia é tão eficaz, é porque este é um dom visível e geralmente recebe a aprovação, o elogio e o incentivo de todos (1Tm 5:25). Isto nos deixa orgulhosos, mas mais do que isso, o estímulo dos outros cria em nós a ideia de que o plano de Deus para a nossa vida está sendo cumprido com as nossas boas obras. Este sentido de propósito é usado pelo inimigo para que deixemos de lado a nossa completa devoção a Deus e nos concentremos nos nossos atos de bondades. Isso foi o que Jesus nos disse quando censuraram a mulher que ungiu os seus pés com um perfume caro. Imaginaram que Deus teria mais prazer se o dinheiro fosse usado para ajudar os pobres: “Por que perturbais esta mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo. Porquanto os pobres sempre os tendes convosco; a mim, porém, nem sempre me tendes” (Mt 26:10-11; Dt 15:11).

Irmãos, por mais nobres que sejam os nossos atos, jamais poderemos usá-los para substituírem a completa obediência a Deus, tal qual o Senhor nos disse através do profeta Isaías: “Eu exporei essa retidão tua; e quanto às tuas obras, elas não te beneficiarão” (Is 57:12). As boas obras por si mesmas não levará ninguém aos céus, pois se fosse esse o caso encontraríamos lá uma imensidão de pessoas que rejeitaram a Jesus como seu salvador, mas que fizeram o bem ao seu próximo. De fato, há muitos indivíduos que rejeitam a própria existência de Deus e, no entanto, estão profundamente engajados na prática de boas obras. O que remove de nós a condenação de Deus e o que nos garante a vida eterna é tão somente a nossa fé em Cristo e a obediência às suas palavras: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3:36).

Um certo homem casado tinha como hábito passar as noites de sábado em um prostíbulo da cidade, deixando em casa a sua esposa que o amava muito e que por isso não conseguia dormir, preocupada com a sua segurança, pois sabia que ele se encontrava em um ambiente que um dia poderia lhe custar a vida. O marido, muito carinhoso, sempre declarava a ela o seu amor incondicional, e como prova, nos domingos de manhã sempre chegava em casa com um arranjo de rosas, os melhores, mais lindos e mais perfumados que se podia conseguir, além de uma caixa de bombons, também de qualidade, pois ele sabia que ela se agradava muito de flores e chocolates e sempre, ao ver os presentinhos que trazia, lhe abraçava e beijava com ternura e confessava que jamais viu um marido tão atencioso.

Queridos, Deus se agrada muito das boas obras dos seus santos, mas ainda que praticássemos todas as boas obras do mundo, o Senhor não as aceitaria como uma substituição para a nossa fidelidade. Enquanto o cristão estiver apaixonado pelo mundo e pelas coisas que há no mundo, ele está andando em desobediência à palavra de Deus e vivendo em um adultério espiritual. Ele imagina que o Senhor, vendo as suas boas obras, está disposto a aceitar a situação, como a esposa da estória acima, mas está completamente enganado. Isso foi o que o apóstolo Tiago quis dizer quando escreveu: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4:4). O nosso tempo neste lugar está prestes a terminar. Não caiam nas armadilhas do inimigo, que procura de qualquer forma manter o amor do cristão por este mundo presente para que naquele grande dia ele fique para trás. Demonstrem a sua fidelidade ao Senhor se dedicando somente a Ele. Aí sim, todas as suas boas obras serão consideradas justas por Deus: “E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as obras justas dos santos” (Ap 19:8). Espero te ver no céu.

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