A Lei de Deus: Estudo Nº 1: Os Líderes e a Lei de Deus

Uma pessoa encostada a uma cerca admira a cena. A lei de Deus.

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Estudo Bíblico: A Lei de Deus: Estudo Nº 1: Os Líderes e a Lei de Deus. Os Mandamentos de Deus.

Por Markus DaSilva, Th.D.

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esde que terminamos a série de 79 estudos sobre o Sermão da Montanha, há quase um ano, esta é a primeira vez que sentimos o Senhor nos direcionando a produzir uma outra série. O tema desta nova série é a lei de Deus. Cremos serem vários os motivos que devemos explorar este tema, mas provavelmente o mais importante é a completa falta de respeito aos santos mandamentos do Senhor por parte daqueles que argumentam fazerem parte do seu povo, tanto o povo em geral como de uma forma especial os seus líderes.

Os Descrentes e a Lei de Deus

Nesta série não nos ocuparemos com o desprezo natural pela lei de Deus por parte dos descrentes, pois, como são descrentes, é de se esperar que desconsiderem as instruções do Ser que gostariam que não existisse. O fato, porém, é que Deus existe, e não só existe como no seu devido tempo exigirá de todas as suas criaturas uma explicação do porque a sua lei foi ignorada durante o período que cada um passou aqui na terra. Cada ato feito contrário à lei de Deus virá à tona. Foi isto o que o apóstolo João quis dizer quando nos alertou em Apocalipse: “E vi os mortos [Gr. νεκρός (nekrós) adj. morto; fig. espiritualmente morto, inativo], grandes e pequenos, em pé diante do trono [Gr. θρόνος (trônos) s.m. trono; fig. reinos espirituais] e abriram-se uns livros [Gr. βιβλίον (vivlíon) s.m. livro, pergaminho, rolo, escrito]; e abriu-se outro livro, que é o da vida [Gr. ζωή (zoí) s.f. a vida por completo, alma e corpo]; e os mortos foram julgados [Gr. κρίνω (krino) v. julgar, condenar, decidir] pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras [Gr. έργον (érgon) s.n. ação, ato, ocupação, obra]” (Apo 20:12. Ver também Mat 25:34).

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Pessoas Que Reconhecem Que Existe um Deus, Mas Não Reconhecem a Sua Lei

Não, nesta série o nosso foco não são aquelas infelizes almas que alimentam a falsa esperança de que o seu Criador não existe, mas sim aqueles que reconhecem a existência de Deus e argumentam fazerem parte do seu povo, mas demonstram um completo desprezo pela sua lei: “Hipócritas! [Gr. υποκριτής (ipocrités) s.m. hipócritas, atores] Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: ‘Este povo [Gr. λαός (laós) s.m. povo, nação, multidão] me honra [Gr. τιμάω (timáo) v. honrar, estimar, valorizar] com os lábios [Gr. στόμα (stóma) s.n. boca, conversa, lábios, palavras]; o seu coração [Gr. καρδία (kardía) s.f. coração; fig. inclinação e desejos do homem], porém, está longe [Gr. πόρρω (póro) adv. distante, longe] de mim’” (Mat 15:7-8. Ver também: Isa 29:13). Neste conhecido verso do Velho Testamento, citado por Jesus nos evangelhos, temos a mais clara descrição do que ocorre nas nossas igrejas. O povo exalta a Deus nas suas expressões externas: louvores, sermões, orações, estudos, livros, vídeos, e tudo mais, mas quando se trata de demonstrar a veracidade deste amor através da obediência à tudo aquilo que o Senhor nos ordenou, ocorre um distanciamento de Deus: o seu coração está longe do Criador.

Um Tom Positivo

A nossa intenção nesta série, porém, é manter um tom positivo. Escreveremos os estudos partindo do pressuposto que muitos entre os cristãos não obedecem a lei de Deus em parte porque não possuem um conhecimento adequado quanto ao seu conteúdo e quanto à necessidade de obedecê-la no contexto atual. Nossa expectativa é que à medida que o Senhor revele aos irmãos e irmãs de todas as denominações cristãs o correto entendimento sobre a sua lei, muitos se voltarão de coração para os seus santos mandamentos, da mesma forma que ocorria nos tempos bíblicos: “Bem-aventurados os que trilham com integridade o seu caminho, os que andam segundo a lei do Senhor! Bem-aventurados os que guardam os seus estatutos, que o buscam de todo o coração” (Sal 119:1-2); “Porque este é o amor [Gr. αγάπη (agape) s.f. amor] de Deus, que guardemos [Gr. τηρέω (tiréo) v. guardar, vigiar, manter, preservar] os seus mandamentos [Gr. εντολή (endolí) s.f. ordem, comando, regra, mandamento]; e os seus mandamentos não são pesados [Gr. βαρύς (varús) adj. pesado, difícil, laborioso]” (1Jo 5:3).

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Cegos Guiando Cegos

Milhões de cristãos são ignorantes em grande parte porque dependem dos seus líderes para os guiarem no temor do Senhor e para os ensinarem — em palavras e exemplos de vida — que não devem esperar nenhuma bênção de Deus, incluindo a vida eterna, sem que obedeçam a sua lei (Apo 14:12). Os seus líderes, porém, em vez de exaltarem a santa lei de Deus como era de se esperar, são na realidade os que mais pisam nos santos mandamentos do Senhor: “O meu povo [Heb. עם (amm) s.m. povo, nação, compatriotas, parentes] está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento [Heb. דעת (daát) s.f. s.m. conhecimento, discernimento]. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdotes [líderes espirituais] diante de mim; visto que te esqueceste da lei [Heb. תורה (tôrrá) s.f. lei, Torá] do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos” (Oséias 4:6). Note, porém, que neste verso Deus não inocenta o povo quanto à falta de conhecimento, pois deixa claro que houve uma rejeição por parte de todos. Ou seja, os líderes negligenciaram a inclusão da lei de Deus nas suas pregações e o povo aceitou de bom grado os seus ensinos sem lei. Este é exatamente o que está ocorrendo nos nossos dias: a igreja ignora, ou melhor, rejeita a lei de Deus, e os seus membros amam as suas mensagens destituídas da lei (2Tim 4:3). Jesus acusou os líderes e seus seguidores pelo fato de manterem um relacionamento com Deus onde a lei não era realmente obedecida. Note que eles argumentavam a favor da lei e mantinham uma aparência de santidade e devoção aos mandamentos do Senhor, mas no fundo eram hipócritas, ensinavam, mas não viviam o que ensinavam: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor [Gr. κύριος (kírios) s.m. Senhor, proprietário, patrão, mestre, dono], Senhor, não profetizamos [Gr. προφητεύω (profitévo) v. profetizar] nós em teu nome [Gr. όνομα (ónoma) s.n. nome]? E em teu nome não expulsamos demônios [Gr. δαιμόνιον (demônion) s.n. demônios, ministros do mau]? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente [Gr. ομολογέω (amologéo) v. declarar, confessar, reconhecer]: Nunca vos conheci [Gr. γινώσκω (guinósko) v. conhecer, saber; fig. ter relação sexual]; apartai-vos [Gr. αποχωρέω (aporroréo) v.  partir, sair, ir embora] de mim, vós que praticais a desobediência à lei [Gr. εργαζόμενοι την ανομίαν (ergazómene tin anomían) Lit. aqueles atuando sem lei]” (Mat 7:22-23. Ver também 1Jo 2:19).

A Responsabilidade dos Líderes

No juízo final cada um de nós será responsável por absolutamente todos os nossos atos conscientes, sejam eles atos ocorridos no físico ou aqueles que ficaram apenas na mente (Mat 15:19). A responsabilidade do indivíduo será proporcional ao conhecimento que ele recebeu sobre Deus e proporcional à sua capacidade de processar tal conhecimento: “Daquele a quem muito é dado, muito se lhe requererá; e a quem muito é confiado, mais ainda se lhe pedirá” (Lucas 12:48). Por exemplo, uma criança ou um adulto com a mente de uma criança, não possui o mesmo grau de responsabilidade que possui alguém com sua capacidade mental normal. O mesmo ocorre com os indivíduos que cresceram em um ambiente onde o evangelho foi amplamente divulgado e com aqueles que nunca ou raramente ouviram a mensagem da salvação. Note que não queremos dizer com isto que um grupo é culpado e o outro inocente, mas somente que um é mais responsável do que o outro. A questão de culpado ou inocente vai além da nossa capacidade, pois apenas Deus, que conhece o coração de cada um, pode fazer tal julgamento, como de fato o fará: “Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o devido louvor da parte de Deus” (1 Coríntios 4:5).

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Algo que sabemos sobre responsabilidade é que os líderes, já que lideram, possuem um maior grau de responsabilidade do que aqueles que os seguem. Quando alguém se coloca em posição de liderar o povo de Deus, ele deve, ou deveria saber, que a partir de então a sua responsabilidade aumentará perante o Senhor. Antes de se tornar um líder, a preocupação do indivíduo é com a própria alma, ele só é responsável por si mesmo, mas uma vez que decidiu se envolver com o futuro de outras almas, as instruindo sobre como devem viver para agradar a Deus e obter a vida eterna, ele então assume responsabilidade também por elas; isto é algo seríssimo (Ver Eze 3:19-21). Esta é a razão por que os profetas do Senhor tinham muita resistência ao chamado para serem seus mensageiros. Diferentemente dos líderes atuais, eles sabiam muito bem da responsabilidade que estavam assumindo perante Deus. Podemos confirmar esta verdade com Jeremias: “Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque sou apenas um jovem. Mas o Senhor me respondeu: Não digas: Eu sou um jovem; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás” (Jer 1:6-7); Com Amós: “E respondeu Amós a Amasias: eu não sou profeta, nem filho de profeta, sou apenas boiadeiro, e cultivador de figos. Mas o Senhor me tirou do gado e me disse: Vai, profetiza ao meu povo Israel” Amós 7:14-15). E finalmente vemos também a reação de Moisés ao ser chamado: “Então disse Moisés ao Senhor: Ah, Senhor! Eu não sou eloquente, nunca fui, nem ainda agora que falaste ao teu servo; porque tenho dificuldade quando falo” (Exo 4:10).

A Responsabilidade do Povo

O fato de os líderes serem responsáveis pela veracidade daquilo que ensinam não quer dizer de forma nenhuma que os seus ouvintes não sejam culpados por aquilo que são ensinados. Compete a cada um avaliar aquilo que ouve e determinar se condiz ou não com o ensino da Palavra (Atos 17:11). Ninguém poderá argumentar no juízo final que é inocente por que apenas seguia os ensinos dos seus líderes. Todos nós podemos e devemos ser conscientes que simplesmente porque alguém possui talento para ensinar, não quer dizer que aquilo que ensina de fato é a verdade. Na realidade, quando percebemos que alguém fala bem, ou escreve bem, ou possui boa presença de palco, ou tem boa aparência, devemos nos cuidar ainda mais já que estas pessoas conseguem mais facilmente convencer aos outros através dos seus talentos. Atratividade — em qualquer área — não tem nada a ver com a verdade, tenha sempre isto em mente. Esta verdade foi muito bem ilustrada quando Samuel se empolgou com a aparência física de um dos irmãos de Davi e erroneamente imaginou que era ele o ungido de Deus: “Mas o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua estatura, pois, eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como o homem; o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1Sam 16:7).

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Queridos, Deus deu a todos nós a capacidade de escolher entre o certo e o errado, e foi exatamente por isto que fez questão de nos passar por escrito as suas instruções através dos seus profetas no Antigo Testamento (o Tanak), conforme nos disse Jesus: “Examinais as Escrituras [se referindo ao Velho Testamento], porque entendem que nela está a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim” (João 5:39). Ou seja, Jesus está nos dizendo que o Velho Testamento, se lido da forma correta, é todo ele sobre Cristo ou o Messias. O grande foco do Velho Testamento era e continua sendo preparar o povo de Deus para a vida eterna que recebemos através da obediência à Lei de Deus e do sacrifício expiatório do seu Filho, o verdadeiro Cordeiro de Deus: “Não suponhas [Gr. νομίζω (nomízo) v. aceitar como regra, ter como costume, supor] que vim destruir [Gr. καταλύω (katalío) v. destruir, por abaixo, dissolver] a lei ou os profetas [Gr. τον νόμον ή τους προφήτας (ton nómon i tu profítas) Lit. a lei ou os profetas]; não vim destruir, mas completar [Gr. πληρόω (pliro) v. completar, encher, lotar]. Porque em verdade vos digo que, até que o céu [Gr. ουρανός (uranós) s.m. céu] e a terra [Gr. γη (yí) s.f. terra] passem [Gr. παρέρχομαι (parer-rrome) v. passar, acabar, encerrar, desaparecer], de modo nenhum passará da lei nem um jota nem um til, até que tudo seja cumprido [Gr. γίνομαι (guinome) v. cumprir, acabar, encerrar]” (Mat 5:17-18).

Quando ouvimos um líder pregando contra a Lei de Deus, não importa quem é ele, não importa a sua popularidade, não importa a sua boa aparência ou a sua cativante voz, fuja dele como quem foge do próprio diabo, pois, vocês podem ter certeza absoluta que este líder não fala sob a autoridade do Senhor. Ele é um obreiro para a perdição e todo aquele que lhe der ouvidos, seguirá rumo à morte eterna. A Lei de Deus é boa (Rom 7:12); a Lei de Deus refresca a alma (Sal 19:7); a Lei de Deus é eterna: “É, porém, mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei” (Luc 16:17). Existe muito mais que precisamos falar sobre a eterna Lei de Deus, e se nos for permitido, seguiremos falando durante toda esta série. Espero te ver no céu.