Série: A Lei de Deus: Estudo Nº 3: A Necessidade da Lei de Deus

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Estudo Bíblico: A Lei de Deus: Estudo Nº 3: A Necessidade da Lei de Deus. Os Mandamentos de Deus.

Por Markus DaSilva, Th.D.

Parte da razão que tantos cristãos desconsideram a lei de Deus é porque não possuem a visão correta sobre a sua necessidade. Por algum motivo eles não se compenetraram da importância que é tudo aquilo que procede de Deus e seguem agindo como se os mandamentos do Senhor fossem regras criadas à medida que o povo descobria novas maneiras de pecar. Ou seja, segundo este entendimento errado, assim como as leis dos homens, a lei de Deus possui apenas uma função corretiva. Creem que o objetivo da lei se limita a manter as pessoas sob o controle de Deus, fazendo aquilo que Ele gosta, e rejeitando o que não gosta. Neste estudo veremos que muito mais que repreensão de pecados ou contenção de massas, a lei de Deus atua como um veículo de aproximação entre a criatura e o Criador. Este é o motivo que todo aquele que decide viver de acordo com a lei de Deus se sente mais e mais na presença de Deus. A alma que descobre a lei de Deus descobre o próprio Deus: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei [Heb. תורה (tôrrá) s.f. lei, torá]. Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos [Heb. מצוה (mitzvá) s.f. mandamentos, preceitos]. Consumida está a minha alma por desejar, incessantemente, os teus juízos [Heb. משפט (mishpat) s.m. lei, julgamento, ordenanças, estatutos]” (Sal 119:18–20).

“Quem possui no seu coração o desejo de obedecer a lei de Deus na realidade está desejando o próprio Deus.”

A Origem da Lei de Deus

Tudo aquilo que procede de Deus é necessário e benéfico para as suas criaturas. Podemos comparar a lei de Deus com os raios do sol. O ser humano pode ver o sol ao olho nu e pode ter uma aproximação visual através de instrumentos, mas ele não possui a capacidade de ir fisicamente até o sol e muito menos de caminhar sobre ele, devido à sua distância, temperatura e tipo de superfície. Mesmo não tendo este acesso aproximado do sol, no entanto, segundo o nosso entendimento, o homem e o próprio planeta onde vive precisa dos raios que procedem do sol para a sua sobrevivência. Da mesma forma, o homem precisa da lei que procede de Deus, ainda que não tenha como vê-lo ou tocá-lo como gostaria.

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Tudo o que vem de Deus faz parte do próprio Deus e nos é proveitoso e bom. As manifestações de Deus são todas manifestações daquilo que Ele é, e a razão disso é que nada que existe pode existir se a fonte não for Deus, uma vez que Deus é a fonte suprema. Foi por isso que o apóstolo João, falando sobre o amor, não nos disse que Deus simplesmente ama, mas sim que Ele é o próprio amor: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor [Gr. Θεός αγάπη εστίν (Theos agape estin) Lit. Deus amor é]” (1 João 4:8). Assim como o amor, Deus também não cria nem decreta leis, como se os seus mandamentos tivessem uma origem externa, ou surgissem obrigatoriamente devido a eventos externos fora do seu controle. Assim como o amor, a lei de Deus também é o próprio Deus e flui naturalmente do seu trono. Quem possui no seu coração o desejo de obedecer a lei de Deus na realidade está desejando o próprio Deus: “Bem-aventurados [Heb. אשרי (ashrê) adj. feliz, abençoado] os que guardam os seus testemunhos [Heb. עדות (edut) s.f. testemunho, mandamento, lei] e o buscam de todo o coração [Heb. לב (lêv) s.m. coração; fig. alma, mente, caráter]” (Sal 119:2).

A Necessidade da Lei de Deus Para a Raça Humana

Como seres vivos e criados com a capacidade de raciocinar e tomar decisões a partir do nosso raciocínio, é essencial que tenhamos as instruções do Criador sobre como exercitar este atributo humano. Se Deus não nos tivesse dado a sua lei não saberíamos como viver de uma forma a nos beneficiar individualmente e coletivamente. Ainda que o mundo não reconheça este fato, necessitamos da lei de Deus para tudo no nosso dia a dia. Não é de forma alguma pelo nosso próprio mérito que como parte de uma sociedade normalmente vivemos em paz uns com os outros; respeitamos os direitos uns dos outros e contamos como certo que este mútuo entendimento seguirá existindo. Apenas as instruções de Deus gravadas no DNA do ser humano nos protege de um completo caos social. Se Deus retirasse esta lei de sobrevivência mútua existente na raça humana e deixasse que cada um seguisse o seu próprio instinto de forma irrestrita, rapidamente nos tornaríamos animais irracionais e caminharíamos para o auto extermínio. É importante observar, todavia, que apenas parte da lei de Deus — a parte essencial para a sobrevivência — está gravada no DNA da população em geral. Existe muito mais benefícios provenientes da lei de Deus que estão reservados para os seus filhos no presente e no futuro.

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A Necessidade da Lei de Deus Para o Seu Povo

No presente, todo o servo de Deus que se empenha em observar os estatutos do Senhor, além de experimentar um relacionamento mais íntimo com o Criador e sentir mais a sua presença, também goza de uma maior proteção em todas as áreas da sua vida: “Bem-aventurado [Heb. אשרי (ashrê) adj. feliz, abençoado] o homem [Heb. איש (ish) s.m. homem] que não anda segundo o conselho dos ímpios [Heb. רשע (rashá) adj. ímpio, sem retidão, culpado], nem se detém no caminho dos pecadores [Heb. חטא (rratá) adj. pecador], nem se assenta na roda dos escarnecedores [Heb. ליץ (let) adj. escarnecedor, gozador, zombador, irônico]; antes tem seu prazer na lei do Senhor [Heb. תורה יהוה (têvoa Jerrôva) lei de Deus], e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará [Heb. צלח (salarr) v. prosperar]” (Sal 1:1-3)

No futuro, uma das grandes bênçãos que os salvos do Senhor receberá será um melhor entendimento e recepção da lei de Deus: “Este é o acordo que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis [Gr. νόμος (nómos) s.m. sent.prim. lei; sent.sec. a Torá, cerimônias e tradições judaicas] em seu coração [Gr. καρδία (kardía) s.f. coração; fig. inclinação e desejos do homem] e as escreverei na sua mente [Gr. διάνοια (diânia) s.f. mente, intelecto, pensamento]” (Heb 10:16; Jer 31:33). Esta promessa de Deus nos revelada primeiro pelo profeta Jeremias e depois confirmada pelo autor de Hebreus, mostra claramente que a lei de Deus é uma dádiva especialmente reservada para os servos de Deus. O significado de ter a lei de Deus escrita no nosso coração e mente é que agora, enquanto vivemos neste mundo de pecados, somos continuamente tentados a abandonar os mandamentos do Senhor e nos entregarmos àquilo que o coração e mente carnal desejam. A lei de Deus no momento batalha contra a carne e por isso não temos a liberdade que gostaríamos de ter para nos deleitar na lei, mas no futuro, quando o pecado for eliminado, poderemos usufruir continuamente da lei de Deus sem qualquer oposição externa. Esta batalha que o servo de Deus enfrenta no presente foi muito bem explicada pelo apóstolo Paulo: “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (Rom 7:22–23).

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A Lei de Deus Como Fonte de Felicidade

A lei de Deus é necessária para sermos felizes por vários motivos. Primeiramente, porque todo o ato de desobediência à lei de Deus resulta em sofrimento. Se levarmos a sério esta verdade, evitaremos agir contrário à lei de Deus se queremos alívio de grande parte dos sofrimentos nesta vida. Este motivo é o mais óbvio de todos, pois possui uma similaridade com as leis dos homens. Assim como no mundo físico o indivíduo recebe a devida punição da sociedade quando se descobre que cometeu algum ato criminoso e por isso procura ser um cidadão honesto, assim também no mundo espiritual todo ato contrário à lei de Deus resulta em algum tipo de sofrimento e por isso evitaremos pecar contra Deus.

O segundo motivo, tem a ver com a consciência tranquila do filho obediente. Nada é mais precioso para o servo de Deus do que saber que agrada a Deus em todo o seu viver, conforme nos disse Davi: “Trouxe-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim. Recompensou-me o Senhor conforme a minha retidão, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos. Pois tenho guardado os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do meu Deus. Porque todas as suas ordenanças estão diante de mim, e nunca afastei de mim os seus estatutos. Também fui irrepreensível diante dele, e me guardei da iniquidade” (Sal 18:19-23). Quando o filho de Deus se empenha continuamente a viver uma vida em que o Criador tem prazer em observar (Jó 1:8), ele fica o tempo todo tranquilo, ciente de que nada de mal lhe sucederá. De fato, ele tanto valoriza a sua paz de espírito que está sempre pedindo a Deus que lhe mostre em que área pode agradar ainda mais ao Senhor: “Sonda-me, ó Deus [Heb. אל (El) Deus], e conhece o meu coração [Heb. לבב (lêiváv) s.m. coração; fig. alma, mente, caráter]; prova-me [Heb. בחן (barran) v. examinar, testar, provar], e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim uma inclinação para o que é errado [Heb. אם דרך עצב (im bérrerk ócsev) Lit. se existe um caminho de ídolos], e guia-me pelo caminho eterno [Heb. בדרך עולם (bê bérrerk olam) no caminho da eternidade]” (Sal 139:23-24).

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Queridos, o último motivo que gostaríamos de mencionar nesta parte, é a promessa de Deus de que todo aquele que ama a sua lei pode contar com o Seu cuidado especial. Este é também um assunto que pretendemos dedicar um estudo inteiro devido à sua importância, mas por agora, queremos apenas mencionar que a obediência à lei de Deus, além de ser uma fonte de felicidade, é também a única fonte real porque é estável e permanente. Para ser feliz, o homem precisa de apenas duas coisas: estabilidade e prazer. A ordem não importa, mas ele necessita dos dois para se achar em um perfeito estado de felicidade. As duas coisas podem ser obtidas aqui na terra, mas somente de uma forma parcial e momentânea, nunca total e contínua, o que nos leva à conclusão lógica de que ninguém é completamente feliz e de que todos são em parte infelizes.

Quando o homem possui como sua maior meta agradar a Deus através da obediência à sua lei, ele recebe a garantia de Deus que estará entre as pessoas mais felizes na terra e, muito mais importante, que viverá feliz por toda a eternidade. Todos nós sabemos muito bem que quando falamos de felicidade nesta vida temporária não estamos falando de uma vida isenta de qualquer sofrimento, mas sim de uma vida cuidadosamente programada pelo nosso amado Deus. Somos felizes porque sabemos e sentimos que mesmo nos dias difíceis o nosso Criador está nos fazendo algo bom, ainda que durante aqueles momentos não podemos ver a sua bondade com os olhos do corpo, mas apenas com os olhos da fé: “Muitas são as aflições do justo, mas de todas elas o Senhor o livra” (Sal 34:19; Rom 8:28).