Série: A Lei de Deus: Estudo Nº 2: A Seriedade da Lei de Deus

Tempo de Leitura: 20 minutos

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Estudo Bíblico: A Lei de Deus: Estudo Nº 2: A Seriedade da Lei de Deus. Os Mandamentos de Deus.

Por Markus DaSilva, Th.D.

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xistem vários motivos que praticamente todas as igrejas no mundo inteiro não incluem a necessidade de obedecer a lei de Deus nos seus ensinos, mas por detrás de todos eles está o entendimento errado de que quando o Criador nos deu as suas instruções sobre como devemos viver os nossos poucos anos aqui na terra, Ele não tinha uma posição muito firme, e que, portanto, os seres humanos possuem uma certa flexibilidade em relação ao cumprimento ou não das suas leis. Ou seja, ainda que não admitem, na prática a ideia absurda que prevalece no meio cristão, a começar pelos nossos líderes, é que a lei de Deus serve apenas como uma espécie de lista de conselhos onde o cristão encontra boas instruções sobre como se relacionar com o Criador e com os seus semelhantes, mas caso estas instruções não sejam seguidas, ou seguidas apenas em parte, não haveria qualquer problema com o Senhor, que entende e nos ama mesmo assim. Este entendimento bizarro sobre a lei transforma o seu Autor em um tipo de vovô muito velho e cansado que possui uma paciência sem limites com os netinhos peraltas, e que apesar de observar todos os tipos de abusos na sua casa; apesar de ver que ninguém respeita as suas regras, segue amando-os e suportando as suas frequentes peraltices, devido à sua incapacidade de magoar a alguém.

Conforme veremos nesta série, a visão fantasiosa que mencionamos sobre Deus e sua lei, está longe da verdade, assim como o polo Sul está do Norte. O Senhor leva muito a sério cada lei que nos foi dada por intermédio dos seus profetas e de uma forma especial tudo aquilo que Ele nos informou através do único porta-voz enviado direto do céu: Jesus Cristo (João 12:48-50). Contrário aos ensinos que se ouve nos nossos dias, Deus espera obediência total a tudo aquilo que nos disse, e todo aquele que conscientemente e regularmente recusa obedecê-lo, está ajuntando para si mesmo, não uma manifestação divina de amor incondicional, mas sim de ira. Foi isto o que o apóstolo Paulo quis dizer quando nos escreveu: “Mas, por causa da dureza do teu coração sem arrependimento [Gr. μετανοέω (metanoeo) v. arrepender, converter, mudar de pensamento], acumulas ira contra ti no dia da ira [Gr. ημέρα οργής (imera oryis) dia da ira] de Deus e da revelação do seu justo juízo, que retribuirá a cada um segundo as suas obras [Gr. έργον (érgon) s.n. ação, ato, trabalho, ocupação, obra]” (Rom 2:5-6. Ver também: Mat 16:27; Rom 14:2; 2Cor 5:10; Sal 62:12; Prov 24:12; Jer 17:10; Apo 2:23).

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A Seriedade da Lei de Deus e a Queda no Éden

Já nas primeiras páginas das Escrituras podemos confirmar a seriedade da lei de Deus no mandamento que foi dado aos primeiros seres humanos (Gen 2:17) e na subsequente consequência da desobediência à sua lei (Gen 2:14-24). Quando analisamos a aparente insignificância do pecado de Adão e Eva — o comer de uma fruta que o próprio Deus plantou no jardim — e de como este ato tão simples resultou na pena de morte para toda uma raça, confirmamos então que quando Deus nos dá uma ordem esta ordem deverá ser cumprida à risca, caso contrário devemos estar preparados para o resultado natural da nossa rebeldia. Não existe pecado sem consequências para Deus. Por menor que seja o ato de desobediência, sempre pagaremos um preço, e este preço é Deus quem estipula e não o pecador. Deus sabe de coisas que não sabemos e por isso aquilo que segundo o nosso entendimento é algo simples, frequentemente para Deus não é. Comer de uma determinada árvore obviamente para nós é algo pequeno, mas para Deus que sabia das consequências eternas daquele ato de rebeldia, o pecado do primeiro casal era seríssimo. Deus viu que a partir de então, Adão, Eva e a sua descendência se sentiriam cada vez mais acomodados com a desobediência até chegar ao ponto em que poucos levariam a sério a sua santa e perfeita lei e assim, ao morrerem, a grande maioria dos filhos e filhas de Adão viveria eternamente separado do Criador.

Notemos que logo no primeiro mandamento, tentação e queda dos seres humanos, Deus não demonstrou nenhum interesse em dialogar com o pecador para que ele tivesse uma compreensão teológica da sua lei. A sequência de eventos foi simples: Deus deu o mandamento (Gen 2:17a), alertou sobre o preço da desobediência (Gen 2:17b), o homem desobedeceu (Gen 3:6) e foi condenado (Gen 3:14-19), nada mais. Vivemos em uma época em que o cristão procura por uma explicação lógica, para assim, talvez, obedecer a Deus. Grande prova disso são os milhares e milhares de livros escritos especificamente para explicar minuciosamente cada verso das Escrituras. Isto por si só não seria um problema se a intenção fosse apenas que os leitores obedecessem com mais precisão as instruções de Deus, mas a triste realidade é que estes escritos, com pouquíssimas exceções, foram criados exatamente para o oposto, que é cancelar ou diluir ao máximo os mandamentos do Senhor e assim criar um falso senso de que tudo está bem entre a criatura rebelde e o seu santo Criador. Nada nas Escrituras Sagradas sugere que devemos primeiro procurar entender profundamente cada mandamento e concordar com Deus para que assim possamos obedecê-lo. Muito pelo contrário, a Palavra é clara que Deus honra a fé semelhante àquela que as criancinhas têm em seus pais: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mat 18:3). Abraão, o homem considerado como o pai da fé, foi honrado por Deus justamente por estar disposto a obedecer ao Senhor, sem necessárias explicações, em uma das mais duras ordens que Deus já deu a um ser humano: “agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho” (Gen 22:12). Não existe a menor dúvida que Abraão não gostou, não concordou e não entendeu a ordem de Deus, mas na sua correta visão de quem é Deus, ele sabia que estes sentimentos humanos são irrelevantes quando uma simples criatura recebe um mandamento do supremo e todo poderoso Criador: “porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitar Isaque dentre os mortos” (Heb 11:19).

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A Seriedade da Lei de Deus e Moisés

No relacionamento entre Deus, Moisés e os judeus, podemos ver de forma gráfica a seriedade da lei de Deus. Por várias vezes Deus esteve para destruir todo o povo devido a sua constante recusa em seguir as instruções do Senhor, e só não o fez graças à intercessão de Moisés, que neste caso agiu como um tipo ou símbolo do Messias (Heb 7:25) que haveria de vir e atuar como o verdadeiro intercessor entre o pecador e Deus. Mas ainda que o povo fosse poupado de uma completa destruição, Deus sempre quis demonstrar a seriedade que é desobedecer a sua lei enviando, ou permitindo, algum tipo de sofrimento como punição pelo pecado. A maior das punições de Deus ocorreu devido à recusa do povo em cumprir a ordem de Deus de avançar e conquistar a terra prometida: “Eu, o SENHOR, falei; assim farei a toda esta má congregação, que se levantou contra mim; neste deserto serão consumidos e mortos” (Num 14:35).

Todas as vezes que assumimos uma posição de rebeldia contra Deus, recusando a seguir as suas instruções exatamente como foram dadas, podemos ter certeza que haverá um preço a ser pago. Podemos também comprovar esta verdade simplesmente considerando a punição que Deus deu a Moisés por ter desobedecido às suas ordens no incidente das águas de Meribá, quando se irou, falou com presunção sobre si mesmo e bateu na rocha, em vez de ordenar a rocha conforme as instruções de Deus: “Mas o SENHOR disse a Moisés e a Arão: Visto que não crestes em mim, para me santificar diante dos filhos de Israel, por isso, não conduzirás este povo na terra que lhe dei” (Num 20:12). Pensem bem, se existe alguém que Deus poderia ter deixado passar um erro ou outro, este alguém seria Moisés, o homem com quem Deus mantinha um relacionamento íntimo e com quem falava fase a fase (Exo 33:11). Como podemos ver, todavia, o Senhor foi firme na punição e não cedeu aos pedidos do seu fiel obreiro: “Rogo-te que me deixes passar, para que veja essa boa terra que está além do Jordão, essa boa região montanhosa, e o Líbano! Mas o Senhor indignou-se muito contra mim por causa de vós, e não me ouviu; antes me disse: Basta; não me fales mais nisto” (Deut 3:25-26).

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A Seriedade da Lei de Deus e o Messias

Queridos, meu plano original era escrever sobre os outros servos de Deus, além de Moisés; de como todos eles entendiam e ensinavam a seriedade da lei de Deus: de Davi e das várias vezes que foi punido pelos seus pecados e de como suas experiências inspiraram muitos dos salmo; como também dos constantes clamores dos profetas para que o povo levasse a sério a obediência aos mandamentos de Deus: de Elias, Eliseu, Jeremias, Amós, Ageu, Malaquias, João Batista, e muitos outros, mas para não alongar este estudo, vamos apenas considerar o Messias no contexto da seriedade da lei de Deus.

Toda a lei de Deus está ligada à vinda do Messias. Uma parte da lei de Deus consistia de instruções sobre como o seu povo deveria executar as cerimônias do tabernáculo ou do templo que serviam como uma espécie de ensino virtual sobre o que ocorre no verdadeiro santuário que se encontra no céu, e da obra que o verdadeiro Sumo Sacerdote, que é Jesus, faz atualmente, conforme nos escreveu o autor de Hebreus, em Hebreus 8:1-2. A outra parte da lei de Deus, conhecida como leis naturais, morais e sociais, nos foi dada para que saibamos antecipadamente as leis que governam o Reino dos Céus. Algumas nos foram dadas no positivo: façam isto; enquanto outras no negativo: não façam isto. Lidaremos com estas leis em detalhes nos outros estudos da série.

Quanto ao Messias, a sua missão também consistia em duas tarefas diferentes. Primeiramente, ser o verdadeiro Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo (João 1:29) para todo aquele que crê e obedece às suas palavras e dessa forma retirar a ira de Deus sobre o pecador: “Quem crê [Gr. πιστεύω (pistévo) v. crer, confiar, estar persuadido] no Filho tem a vida eterna [Gr. ζωήν αιώνιον (zoin eônion) exp.idio. vida eterna]; o que, porém, desobedece [Gr. απειθέω (apithéo) v. desobedecer, recusar cumprir algo] ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece [Gr. μένω (mêno) v. morar, permanecer, reter, continuar, persistir] a ira [Gr. οργή (oryí) s.f. sent.prim. ira, raiva, indignação; sent.sec. punição, justiça] de Deus” (João 3:36). Só assim o homem passa a se tornar um cidadão do Reino. Não existe outro caminho até a morada de Deus (João 14:6).

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Em segundo lugar, o Messias veio para nos instruir sobre como devemos viver no presente se de fato possuímos tal cidadania. Ou seja, é no viver em obediência à lei, ou instruções [Gr. endoli], de Deus Pai e Filho que confirmamos para nós mesmos e para todo o universo quanto a quem somos e para onde vamos quando terminar os nossos rápidos anos neste vale de lágrimas [Acessar estudo sobre o Sentido da Vida]. Jesus demonstrou a seriedade da lei de Deus no seu próprio ato de voluntariamente (João 10:18) se tornar um como nós, sofrer e morrer na cruz, para desta forma restaurar uns poucos da raça humana ao relacionamento que tínhamos antes da rebeldia dos nossos pais no Éden (Luc 12:32; Mat 7:14). Se Jesus não se dispusesse à humilhação da cruz não haveria perdão para pecados e todos nós seguiríamos rumo à morte eterna (João 3:16). Mais uma vez, por que Jesus fez tudo isso? Porque a lei de Deus estipula que no ato do homem pecar ele inicia o processo da sua morte eterna. Lemos em Ezequiel: “Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá” (Eze 18:4. Ver também Gen 2:17; Rom 6:23). Foi na cruz que Jesus cumpriu a lei de Deus no lugar de todo aquele que crê e obedece aos mandamentos do Pai e Filho, conforme foi profetizado por Isaías: “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões [Heb. פשע (pésha) v. transgredir, rebelar, revoltar], e esmagado por causa das nossas iniquidades [Heb. עון (avônn) s.f. iniquidade, depravação, culpa]; o castigo [Heb. מוסר (mussar) s.m. castigo, disciplina, correção] que nos traz a paz [Heb. שלום (shalom) s.m. paz, bem estar, amizade; exp.idio. tudo bem] estava sobre ele, e pelas suas feridas [Gr. חבורה (rravuá) s.f. ferida, golpe, contusão] fomos sarados [Heb. רפא (rafá) v. curar, sarar, ser curado]” (Isa 53:5).

A seriedade da lei de Deus nos ensinos de Jesus

Além daquilo que Jesus fez por nós no calvário, Ele também nos ensinou quanto à nossa parte no plano de salvação (Mat 17:5). Todas as palavras de Cristo deixavam bem claro que ninguém que rejeita os seus mandamentos deve esperar um lugar no céu: “Se [Gr. εάν (ián) conj. se, caso, já que] alguém me ama [Gr. αγαπάω (agapáo) v. amar], obedecerá [Gr. τηρέω (tiréo) v. guardar, vigiar, manter, preservar] à minha palavra [Gr. λόγος (lógos) s.m. palavra, mensagem, verbo]; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada [Gr. μονή (moní) s.f. ficar juntos, estabelecer residência]. Quem não me ama, não obedece às minhas palavras; ora, a palavra que estais ouvindo [Gr. ακούω (akúo) v. ouvir, prestar atenção, entender, considerar] não é minha, mas do Pai [Gr. πατήρ (patír) s.m. Pai] que me enviou [Gr. πέμπω (pémpo) v. enviar, despachar]” (João 14:23-24).

Queridos, este é apenas o segundo estudo desta série de doze. Temos muito o que falar sobre a lei de Deus. O objetivo deste estudo em particular é enfatizar a verdade de que a obediência à lei de Deus é muito mais séria do que atualmente se ensina nas nossas igrejas. A única forma que alguém se salvará é se ele possui no coração um constante interesse em obedecer a tudo aquilo que Deus lhe pede, como lemos nos Salmos: “De todo o meu coração tenho te buscado; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti. Bendito és tu, ó Senhor; ensina-me os teus estatutos” (Sal 119:10-12). Satanás tem tido grande sucesso nestes últimos dias convencendo as pessoas que o cumprimento da lei de Deus é desnecessário para a salvação. O diabo possui milhares de obreiros se passando por obreiros de Deus. Estes funcionários de Lúcifer pregam uma mensagem revestida de luz, insistindo que devido ao seu grande amor, e devido à cruz, Deus não levará em conta a desobediência à sua lei no juízo final. Não creiam nesta antiga mentira, por mais cativante que pareça. Todo aquele que rejeita a lei de Deus Pai e Filho rejeita o Reino de Deus e rejeita o próprio Rei, pois é impossível amar ao Rei sem amar a sua lei. Olhe o que de fato ocorrerá com aqueles que não se submetem às ordens de Jesus e o rejeitam como Rei: “Quanto, porém, a esses meus inimigos [Gr. εχθρός (erthrós) adj. inimigo, adversário], que não quiseram que eu reinasse [Gr. βασιλεύω (vacilévo) v. reinar] sobre eles, trazei-os aqui e executai-os [Gr. κατασφάζω (katasfázo) v. matar, executar] na minha presença. E, dito isto, prosseguia Jesus subindo para Jerusalém” (Lucas 19:27–28). Espero te ver no céu.