Série: A Lei de Deus: Estudo Nº 4: Mudanças na Lei de Deus

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Estudo Bíblico: A Lei de Deus: Estudo Nº 4: Mudanças na Lei de Deus. Os Mandamentos de Deus.

Por Markus DaSilva, Th.D.

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m dos grandes debates entre os estudiosos da Bíblia é em relação às possíveis mudanças que ocorreram na lei de Deus decorrente da ascensão de Cristo. Praticamente desde o começo do cristianismo começaram a surgir aqueles que defendem uma mudança, ou uma atualização de toda ou de parte das leis que nos foram dadas no Antigo Testamento em virtude do nascimento, morte e retorno de Jesus para o Pai. Isto apesar de não haver sequer uma passagem profética de Gênesis a Malaquias que dá a entender que ao enviar o Messias como sacrifício para os pecados dos seres humanos, Deus estaria modificando ou cancelando qualquer um dos seus mandamentos; e apesar do próprio Jesus repetidas vezes nos alertar que a sua vinda não aboliu, mas sim confirmou que a lei de Deus de fato segue valendo tal qual nos foi transmitida no Antigo Testamento: “Não suponhas [Gr. νομίζω (nomízo) v. aceitar como regra, ter como costume, supor] que vim destruir [Gr. καταλύω (katalío) v. destruir, por abaixo, dissolver] a lei ou os profetas [Gr. τον νόμον ή τους προφήτας (ton nómon i tu profítas) Lit. a lei ou os profetas]; não vim destruir, mas completar [Gr. πληρόω (pliro) v. completar, encher, lotar, cumprir a parte]. Porque em verdade vos digo que, até que o céu [Gr. ουρανός (uranós) s.m. céu] e a terra [Gr. γη (yí) s.f. terra] passem [Gr. παρέρχομαι (parer-rrome) v. passar, acabar, encerrar, desaparecer], de modo nenhum passará da lei nem um jota nem um til, até que tudo seja cumprido [Gr. γίνομαι (guinome) v. cumprir, acabar, encerrar]” (Mat 5:17-18). É interessante notar nesta passagem que já na época de Jesus existiam aqueles que desejavam inutilmente que o Messias abolisse a lei de Deus. Esta observação é especialmente notável considerando que ainda não existia o Novo Testamento e que as Escrituras judaicas eram claras quanto à duração eterna da lei de Deus: “A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada uma das tuas ordenanças dura para sempre” (Sal 119:160. Ver também: Sal 119:144, 142, 152; Ecl 3:14).

“Antes que existisse qualquer pecado no universo, já era uma ofensa para Deus o matar, o roubar ou qualquer ato que as suas criaturas fizessem uns contra os outros.”

A Verdadeira Razão que os Cristãos Desejam que a Lei de Deus Tenha Sido Cancelada

Antes de continuar escrevendo sobre a duração da lei de Deus, sinto que devo fazer uma breve pausa para deixar bem claro a verdadeira razão que existe tanta resistência em aceitar a lei de Deus entre aqueles que esperam morar com Jesus quando morrerem. Tanto os líderes como os seus seguidores desejam muito gozar dos prazeres que o mundo oferece, mas se sentem tolhidos pela lei de Deus e assim procuram por um argumento que os isentem da obediência aos mandamentos do Senhor. Procuram por uma maneira de alcançar a salvação sem que seja necessário abandonar os desejos do seu coração carnal, conforme a lei de Deus declara. O que procuram então é algo que não existe, pelo menos não existe para aqueles que levam a sério as palavras que saíram dos lábios de Jesus, pois ele foi bem claro que qualquer um que quiser segui-lo terá que abandonar o foco em si mesmo e se voltar por completo ao Senhor: “Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia [Gr. αποτάσσω (apotásso) v. dar adeus, abandonar, se despedir] a tudo [Gr. πας (pas) adj. tudo, de todo o tipo] quanto possui [Gr. υπάρχω (ipar-rro) v. ter, ser, possuir], não tem como ser meu discípulo [Gr. μαθητής (mathitís) s.m. aprendiz, discípulo, aluno, seguidor]” (Luc 14:33).

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A Grande Estratégia de Satanás

Eliminar a necessidade de obedecer a lei de Deus para a salvação foi e continua sendo a maior de todas as estratégias de Satanás contra o chamado povo de Deus. Por causa deste ensino diabólico, milhões e milhões de cristãos levam uma vida em rebeldia declarada ao Senhor, mas ao mesmo tempo alimentam a falsa esperança de que seguem rumo à casa do Pai e de que obterão a salvação quando morrerem. Enquanto o cristão se encontrar neste mundo fantasioso, o diabo pouco se importa com a maneira que ele vive a sua fé. Não faz diferença se o cristão é atuante ou não na sua igreja; não faz diferença se ele dizima, se faz parte do grupo de louvor, se participa das vigílias ou mesmo se ora e lê a sua Bíblia. Se ele colocou no coração a ideia de que não precisa obedecer a lei de Deus no seu viver, o diabo o tem como um companheiro fiel. Todo o cristão que ama este mundo está nesta situação, reconhecendo ou não. Foi isto o que o nosso irmão Tiago quis dizer quando escreveu: “adúlteros [Gr. μοιχαλίς (moirralis) s.f. adúltera, infiel, traidora], não sabeis que a amizade [Gr. φιλία (filia) s.f. amizade, amor, afeto] do mundo [Gr. κόσμος (kósmos) s.m. mundo; fig. habitantes da terra, estilo de vida ímpio] é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo [Gr. εχθρός (erthrós) adj. inimigo, adversário] de Deus [Gr. θεός (Theós) s.m. Deus]” (Tiago 4:4).

Os Quatro Períodos da Lei de Deus

Iremos agora analisar os quatro períodos da lei de Deus na história da raça humana. O objetivo é entendermos a dinâmica da lei e do ser humano nos séculos que antecederam a chegada do Messias; durante os anos que o Messias esteve fisicamente conosco; os séculos após a ascensão do Messias (o que inclui o presente) e finalmente a eternidade que iniciará logo após o juízo final. Desta forma veremos se houve ou não alguma mudança por parte de Deus quanto àquilo que ele espera do ser humano.

A Lei de Deus Anterior à Vinda do Messias

A primeira lei de Deus nos foi dada antes do pecado: “Da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás [Heb. מות (mávet) s.m. morte, morrer, morto]” (Gen 2:17). Na realidade, este simples mandamento de Deus, se fosse obedecido, daria início ao fechamento do acesso que Satanás e seus demônios têm ao planeta terra. Se o primeiro casal tivesse dado ouvidos ao alerta do Criador sobre a consequência da desobediência à sua lei, e assim se distanciasse da única árvore proibida em todo o jardim, Adão e Eva e seus descendentes viveriam eternamente como pessoas inocentes e felizes, sem nunca terem que passar por todas as lutas e sofrimentos que desde então enfrentam todos os seus filhos e filhas. Infelizmente, porém, no ato de preferir a voz da serpente à voz de Deus, nossos pais escancararam os portões da terra aos demônios e com eles todos os pecados imagináveis.

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O fato de o Criador ter dado este primeiro mandamento quando Adão e Eva ainda se encontravam em um estado de completa inocência, nos mostra que não foram os pecados da raça humana que deram origem à lei de Deus. Também nos mostra que a lei de Deus existe independentemente do nível de santidade das suas criaturas. Sendo assim, todos os seres criados, físicos ou espirituais, bons ou maus, estão e sempre estarão sujeitos à lei de Deus.

Depois do Éden, Deus seguiu ensinando a sua lei a todos os descendentes do primeiro casal. Esta transmissão da lei de Deus ocorria de forma oral e em detalhes proporcionais à proximidade da linhagem do Messias, que se iniciou com Sete, o filho que Deus deu a Adão e Eva após o assassinato de Abel (Luc 3:38). Na transmissão da sua lei, Deus sempre teve como foco a linhagem de Jesus, para que assim todos entre as várias gerações até a encarnação do seu Filho pudessem ter o necessário conhecimento de como o Criador espera que viva o povo santo. Quanto mais próximo da linhagem de Jesus, mais revelação da lei de Deus. Esta é a razão que muito embora todo o ser humano possui um certo conhecimento da lei de Deus no seu consciente, apenas na história do povo judeu se vê a lei expressada em detalhes. E mesmo entre os israelitas, se observa diferenças entre uma tribo e outra, notando uma maior dedicação à lei de Deus nas tribos de Judá e Levi, as duas tribos mais conectadas ao Messias (Heb 7:14; Luc 1:5).

A Lei de Deus Durante a Presença do Messias na Terra

Conforme já mencionamos em vários estudos, como era de esperar, Jesus exaltava a lei de Deus tanto nos seus ensinos como no seu exemplo de vida. Afinal era para que a lei de Deus fosse cumprida que se tornou necessário o seu nascimento e morte como punição dos pecados de todo aquele que nele crê e lhe obedece (João 3:36). Todas as controvérsias entre os Judeus e Jesus estavam ligadas não ao cancelamento da lei, como vários líderes nos nossos dias erroneamente sugerem, mas sim ao seu correto cumprimento. Quando lemos os muitos alertas de Jesus no Sermão da Montanha, podemos ver que grande parte da lei de Deus estava sendo convenientemente diluída, ou relaxada (Mat 5:31-44), pelos escribas e fariseus, algo que Jesus fez questão de corrigir para que os seus apóstolos, discípulos e futuro seguidores pudessem guardar os mandamentos de Deus dentro do seu devido entendimento. Todas as correções de Jesus foram para que os crentes em Cristo guardassem a lei com mais rigor e de forma alguma para facilitar ou para cancelar o seu cumprimento.

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A Lei de Deus Após a Ascensão do Messias

Muito se pode falar do que foi feito e do que está sendo feito com a lei de Deus desde que Jesus voltou ao Pai, mas neste estudo limitaremos a dizer que o popular entendimento absurdo de que o cristão está isento da obrigação de obedecer a lei de Deus para se salvar não possui o menor respaldo das Escrituras. Os estudiosos que defendem este ensino ilógico, obviamente o faz baseado primariamente naquilo que entendem ter sido o posicionamento do apóstolo Paulo sobre a lei de Deus. Ou seja, eles ignoram os ensinos de todos os profetas que antecederam o Messias, ignoram as próprias palavras do Messias, e se apegam àquilo que entendem dos ensinos de um ser criado para justificar o não cumprimento da lei do Criador. Exatamente como nos alertou o apóstolo Pedro séculos atrás (2Pe 3:16), os escritos de Paulo são frequentemente e convenientemente usados e abusados fora dos seus devidos contextos para que assim a maioria das igrejas, com poucas exceções, possa seguir negligenciando a lei de Deus e ao mesmo tempo alimentar a falsa esperança de que no final receberá as boas-vindas no Reino dos Céus (Luc 8:21; 11:28).

A lei de Deus, toda ela, segue valendo nos nossos dias como sempre valeu. Não existe nenhum ângulo da lei de Deus que mudou em decorrência da cruz de Cristo. A ideia popular de que o sacrifício da cruz isenta os seguidores de Jesus da obediência à lei de Deus, não possui nenhuma base bíblica. Da mesma forma que os israelitas precisavam obedecer à lei, mesmo tendo o sistema sacrificial para o perdão dos pecados, os cristãos dos nossos dias precisam obedecer à lei, mesmo tendo a Jesus como o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo (João 1:29). Assim como os sacrifícios de animais, que eram sombras daquilo que estava por vir (Col 2:17), purificava o homem arrependido apenas dos pecados já cometidos, o sangue de Cristo também só é aplicado quando pecamos e nos arrependemos (Atos 3:19; 2Pe 3:9). A noção de que a cruz remove os pecados passados, presentes e futuros do cristão e assim o isenta da obediência à lei para obter a salvação, não possui respaldo, nem no simbolismo do sistema sacrificial do Antigo Testamento e nem nas palavras de nenhum dos profetas do Senhor. A lei segue valendo.

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A Lei de Deus Após o Juízo Final

A lei é eterna assim como o Autor da lei é eterno. No juízo final todo o ser humano reconhecerá, gostando ou não, que a lei de Deus é boa, santa e permanente. Também todo o ser humano, independentemente do veredito que receberá dos lábios de Deus, reconhecerá que a sua lei é justa. Como sempre digo, jamais ouviremos alguém no inferno reclamar de que para lá foi enviado contra a sua vontade. Quando ocorrer a convergência do mundo físico com o espiritual, os olhos do entendimento serão abertos e todos verão nitidamente tudo aquilo que fez na terra que o levou para o seu destino final, seja céu ou inferno.

Após o juízo final, a lei de Deus seguirá valendo. Conforme já mencionamos no estudo anterior, Deus não cria leis à medida que vão surgindo novos pecados, como se fosse o comportamento da criatura que desse origem à lei. Antes que existisse qualquer pecado no universo, já era uma ofensa para Deus o matar, o roubar ou qualquer ato que as suas criaturas fizessem uns contra os outros. O fato de Deus ter se expressado contra os atos do ser humano que não condizem com o comportamento de quem foi criado à Sua imagem e semelhança não significa que a lei expressada até então não existia. Deus nos informa sobre a lei apenas para que assim possamos nos corrigir e nos alinhar com a sua santidade. Se Deus não nos informasse sobre a sua lei, seríamos pecadores sem ter consciência do fato, mas seríamos pecadores (Rom 7:7). Sim, Deus demonstra misericórdia para com aquele que peca sem o saber, mas isto não quer dizer que ele não pecou (Gen 12:18–19). Todo o pecado é primariamente contra Deus (Sal 51:4) e é independente da consciência do pecador sobre o pecado. Sendo assim, no céu toda a lei de Deus seguirá válida. Se no Reino de Deus não haverá pecado, não será porque a lei de Deus foi cancelada, mas sim porque os remidos do Senhor, conhecendo pessoalmente a consequência da sua rebeldia, viverão eternamente em completa obediência aos seus santos mandamentos. A lei de Deus é eterna, assim como Deus é eterno.