🔊 (Parte 11) Serie: Orando o Pai Nosso Com Poder. Estudo Nº 11: O Reino, o Poder e a Glória [Com Áudio]

(Parte 11) Serie: Orando o Pai Nosso Com Poder. Estudo Nº 11: O Reino, o Poder e a Glória [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

A palavra “doxologia” tem como principal significado: uma expressão de louvor, ou glória [Gr. δόξα (doxa)] a Deus. A Bíblia possui várias doxologias, talvez a mais conhecida seja a que os pastores ouviram dos anjos quando anunciaram o nascimento de Jesus: “Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão do exército celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória (δόξα) a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade” (Lc 2:13-14). Neste penúltimo estudo da série sobre o Pai Nosso, falaremos sobre uma outra conhecida doxologia que nos foi escrita por Mateus. Segundo o apóstolo, Jesus nos disse que deveríamos encerrar a oração do Pai Nosso com as seguintes palavras: “Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém” (Mt 6:13).

“Não cremos que qualquer outro ser em existência seja capaz de suprir as nossas necessidades, pois apenas o Senhor é o possuidor de todo o Reino, de todo o Poder e de toda a Glória.”

Esta também é uma parte do Pai Nosso que o médico e historiador, Lucas, não menciona no seu relato da oração que Jesus nos deu. Devo mencionar também que muitos manuscritos mais antigos não mencionam esta doxologia nem mesmo no evangelho de Mateus, o que levou vários publicadores de Bíblias a excluir o trecho por completo, ou inserir a frase, mas dentro de colchetes ou com notas de rodapé. Pessoalmente, acredito que não existe nada de errado em aceitarmos a doxologia como parte do cânon bíblico por dois motivos básicos: primeiramente, o seu conteúdo está completamente de acordo com a Palavra de Deus e não possui nenhum desvio doutrinário. E em segundo lugar porque todos os estudiosos e especialistas admitem que, ainda que não esteja nos manuscritos mais confiáveis, a frase faz parte do Pai Nosso na liturgia da igreja desde os primeiros séculos do cristianismo. Em suma, creio que o Senhor não permitiria que a doxologia do Pai Nosso sobrevivesse por mais de 2000 anos até os nossos dias, se não fosse dentro da sua vontade.

Devo lembrar também que as palavras usadas nesta doxologia não são originais do evangelho de Mateus. Na realidade, conforme já mencionado no primeiro estudo desta série, o trecho é bem similar às palavras do rei Davi, quando celebrou a coleta de bens para a construção do templo do Senhor: “Tua é, ó Senhor, a grandeza, e o poder, e a glória, e a vitória, e a majestade, porque teu é tudo quanto há no céu e na terra; teu é, ó Senhor, o reino, e tu te exaltaste como chefe sobre todos” (1 Cr 29:11).

Mas já falamos o suficiente do aspecto histórico da doxologia do Pai Nosso e devemos agora nos focar na parte mais importante que é o significado daquilo que expressamos ao Senhor quando a utilizamos na oração. Esta parte final do Pai Nosso, deixa de lado as nossas necessidades e volta a ter como objetivo exaltar ao Senhor, assim como foi no início da oração. Este é um outro detalhe que, para mim, indica que Deus aprovou o seu uso. É de fato correto que as nossas necessidades sejam colocadas em segundo plano e que o reconhecimento da grandeza do Senhor tenha primazia nas nossas orações. Ou seja, iniciamos a oração exaltando ao nosso Criador, reconhecendo que ele é o nosso Pai, que o seu Nome é santo, e desejando que a sua vontade seja estabelecida aqui na terra assim como ela é atualmente vivida no céu. Da mesma forma, devemos então concluir a oração reconhecendo a sua autoridade e capacidade para responder aquilo que os seus filhos e filhas na terra estão lhe pedindo.

O uso da conjunção no grego [Gr. οτι (porquê; uma vez que; já que)] no início da doxologia carrega consigo uma justificativa quanto à tudo aquilo que foi dito na oração até então: [Gr. οτι σου εστιν η βασιλεια και η δυναμις και η δοξα εις τους αιωνας αμην (oti sou estin i vasileia kai i dynamis kai i doxa eis tous aionas amin) Trad. Lit. porque teu é o reino, e o poder, e a glória, por todo o tempo, Amém] (Mt 6:13). Seria como, por exemplo, se falássemos para um médico: “só estou lhe dando estas informações pessoais porque [Gr. οτι] o Dr. estudou medicina e sei que tem o conhecimento necessário para me ajudar”. Não daríamos estas informações a um engenheiro, nem a um advogado, pois não consideramos estes profissionais capacitados para nos ajudar na área de saúde.

Ou seja, a razão que fizemos a oração direcionada ao Deus das Escrituras e não a uma outra força; a nenhuma outra autoridade; seja ela física ou espiritual, é porque não cremos que qualquer outro ser em existência seja capaz de suprir as nossas necessidades, pois apenas o Senhor é o possuidor de todo o Reino, de todo o Poder e de toda a Glória. Qualidades estas que o separa de tudo aquilo em existência. Estas três qualificações são essenciais e presentes apenas no único e verdadeiro Criador do universo, o que O torna a única fonte para tudo aquilo que possa existir de poder no universo. Exploraremos agora o significado de cada uma destas três expressões de propriedades únicas de Deus.

De Deus é todo o Reino [Gr. σου εστιν η βασιλεια (Trad. Lit. teu é o reino)]. Quando falamos do Reino no contexto espiritual, estamos nos referindo a tudo aquilo que existe. O termo é bem típico do período bíblico onde praticamente todos os seres humanos viviam como súditos de algum reinado. Notemos também que muito embora sempre houve vários reis, a história nos revela que nunca existiu alguém que conseguisse dominar toda a terra, embora não tenha faltado tentativas. Por mais poderosos que fossem, até mesmo os grandes impérios tiveram que se contentar com um domínio inferior ao que almejavam conquistar. Quando João Batista e Jesus começaram a pregar que o Reino de Deus estava para ser estabelecido, todos entendiam que este seria um reino diferente dos outros em vários aspectos, mas sobretudo porque este reino seria universal e teria o próprio Deus como soberano. Para a nação de Israel, o estabelecimento do Reino de Deus seria a restauração do sistema teocrata que perderam quando pediram a Samuel por um rei: “Mas pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei para nos julgar. Então Samuel orou ao Senhor. Disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não é a ti que têm rejeitado, porém a mim, para que eu não reine sobre eles” (1Sm 8:6-7).

Quando oramos o Pai Nosso e dizemos ao Senhor que o reino pertence a Ele, estamos então dizendo que não nos sujeitaremos à nenhuma outra autoridade além da Dele. Estamos colocando o nosso Deus na sua correta posição de monarca supremo e ao assim fazermos, estamos curvando os nossos joelhos, confessando com a nossa boca que Ele é o nosso rei e prometendo somente a Ele fidelidade em tudo aquilo em que nos empenharmos.

De Deus é todo o poder [Gr. και η δυναμις (Trad. Lit. e o poder)]. Esta afirmação é uma expansão da primeira. Estamos aqui afirmando que como Rei supremo, Deus é a única fonte de autoridade e poder. Como em qualquer outro reinado, todas as autoridades que existem espalhadas pelo reino, como governadores, prefeitos, vereadores, delegados, soldados e qualquer outro poder concedido aos cidadãos do reino provém do rei. Isto significa que todo o poder que presenciamos ao nosso redor possui uma mesma origem. Foi isto o que o nosso irmão Pedro quis dizer quando nos escreveu: “Sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor” (1Pe 2:13). E semelhantemente nos disse o nosso irmão Paulo: “Não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus” (Ro 13:1-2). Esta verdade se aplica tanto às autoridades físicas, como às espirituais, O que quer dizer que até mesmo Satanás e seus anjos caídos possuem o poder que possuem tão somente porque o Senhor deu a eles tal poder. Obviamente isto deve ser algo de grande sofrimento para as hostes do mal, saber que dependem da permissão do Senhor para lutarem contra aqueles que amam a Deus. Este é um grande mistério que nós, simples humanos, não conseguimos entender. O fato inquestionável, porém, é que, entendendo ou não, nada ocorre no universo criado que não seja com a autoridade do Supremo Rei, pois Dele é todo o poder.

De Deus é a glória [Gr. και η δοξα (Trad. Lit. e a glória)]. Unida à sua santidade, a glória de Deus é um dos grandes mistérios existentes. Sabemos, todavia, que na ressurreição dos justos (Jo 5:29) receberemos um corpo glorificado (Fp 3:21) da mesma forma que Jesus também recebeu um corpo glorificado na sua ressurreição. Ou seja, seremos um com o nosso Mestre, conforme o nosso irmão João nos ensinou: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque o veremos assim como ele é” (1Jo 3:2). Enquanto este dia não chega, porém, apenas observamos a glória de Deus através da beleza e perfeição da sua criação: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19:1); “Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, tu que puseste a tua glória dos céus!” (Sl 8:1).

Finalmente, irmãos, terminamos a oração reconhecendo um dos grandes atributos de Deus que é a sua infinitude: [Gr. εις τους αιωνας αμην (Trad. Lit. por todo o tempo. Amém/verdade)]. Reconhecemos que o reino de Deus, o poder de Deus e a glória de Deus, jamais terá um fim. Toda a grandeza que podemos presenciar no universo visível, e até mesmo naquilo que não vemos, mas que sabemos existir, possui um fim. Todas as autoridades humanas, sejam elas reis, ditadores, imperadores, presidentes e ministros, não importa o regime político, possui um fim. Quando analisamos a história da raça humana, podemos confirmar que todos os homens e mulheres que possuíram autoridade sobre as pessoas se foram e na sua grande maioria não existe nenhuma recordação de que sequer existiram. Muito embora quando estas pessoas exerciam autoridade muitos os reverenciavam e os temiam como se fossem alguém superior, o fato é que no final foram reduzidos a simples pó, assim como todos nós. Até o maior dos nossos inimigos, Satanás, com toda a sua grandeza, terminará como algo desprezível, conforme nos profetizou Isaías: “Contudo levado serás ao Sheol, ao mais profundo do abismo. Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: é este o varão que fazia estremecer a terra, e que fazia tremer os reinos? Que punha o mundo como um deserto, e assolava as suas cidades? que a seus cativos não deixava ir soltos para suas casas?” (Is 14:15-17).

Queridos, no próximo e último estudo desta série faremos um apanhado geral da oração do Pai Nosso, mas por agora, deixe-me somente ressaltar que quando terminamos a oração do Pai Nosso com esta linda doxologia, estamos afirmando ao Senhor que Nele está toda a nossa esperança. Esperança para que sejamos felizes nesta vida presente e de recebermos a perfeita felicidade que só se tem na vida futura, quando finalmente deixarmos este vale de lágrimas para trás. Estamos reconhecendo que tudo o que o Senhor possui, seu reino, seu poder e sua glória são eternas, assim como Ele mesmo é eterno, e é porque Deus é eterno que temos a certeza de que a nova vida que recebemos dele por intermédio de Jesus também é eterna: “eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10:28). Esta certeza da salvação e do viver eternamente com o Pai deverá sempre estar na nossa mente como a principal bênção que recebemos do Senhor. Sim, queremos que o pão de cada dia nos seja dado, sim queremos estar livre de todo o mal, mas acima de tudo queremos estar com o nosso Jesus na morada que já está preparada para todo aquele que crer: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vos teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (Jo 14:2-3). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: