🔊 (Parte 4) Serie: Orando o Pai Nosso Com Poder. Estudo Nº 4: Venha a Nós o Teu Reino [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

A Bíblia termina com a confirmação de que em breve o Reino de Deus virá até a nós: “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém; vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20). A volta física de Jesus será o maior dos eventos que este planeta já presenciou desde a sua primeira vinda, a dois milênios atrás. A primeira vinda foi como um simples e frágil bebê e a segunda como o Rei dos reis e Senhor dos Senhores (Ap 19:16; Dt 10:17; Sl 136:3; Dn 2:47; At 10:36). Ele veio primeiro como um recém-nascido para que assim tivesse um desenvolvimento humano como todos nós e fosse o perfeito substituto para cada um daqueles que lhe foi dado como presente pelo seu Pai. Veio para cancelar a maldição que carregamos por causa do primeiro homem, Adão, e com o seu próprio sangue inocente pagou pelos pecados de todos os enviados a Ele: “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus, e os destes a mim” (Jo 17:6). Mas nesta segunda vinda, ele vem para receber todos os que são seus por direito e estabelecer de uma forma final o seu Reino Eterno com eles: “Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, sim, para todo o sempre” (Dn 7:18). É este o reino que pedimos a Deus que venha a nós, quando oramos o Pai Nosso.

“O reinado de Deus só é exercido sobre aqueles que o querem como Rei, pois Deus não governa em regime ditatorial.”

Ao olharmos a situação dos seres humanos na vida atual, incluindo a nossa própria, podemos perceber facilmente que este reino perfeito que nos foi prometido ainda não chegou até a nós. Percebemos facilmente que os dois maiores problemas que a instauração do Reino de Deus nos promete eliminar, o sofrimento e a morte (Ap 21:4), continuam bem presente neste mundo em que vivemos. Isto não quer dizer de forma alguma que Deus já, agora mesmo, não reina sobre todo o universo, pois nunca houve e nunca haverá a possibilidade de que o Criador de tudo e de todos deixe de ser o governante supremo de tudo aquilo que existe: “O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Sl 103:19). Neste verso, o verbo dominar, ou governar, no hebraico [מָשָׁלָה (māšālâ)] está no tempo perfeito, indicando uma ação já ocorrida e concretizada. Deus sempre reinou sobre tudo, mas Ele tem o seu tempo certo para exercer o seu reinado sobre as suas criaturas. A razão disto é que o reinado de Deus só é exercido sobre aqueles que o querem como Rei, pois Deus não governa em regime ditatorial: “Disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não é a ti que têm rejeitado, porém a mim, para que eu não reine sobre eles” (1Sm 8:7). Ou seja, o Senhor tem um número certo de seres humanos a ser dado um corpo e uma alma, colocados nesta terra que ele criou, e cada um deles, na época certa, viverá e terá a oportunidade de aceitá-lo como Rei e receber a vida eterna ou rejeitá-lo e receber a morte eterna.

A entrada ou não de Deus na vida de uma alma é sempre feita a título de um convite, onde ela terá a oportunidade de tomar uma decisão positiva ou negativa, aceitação ou rejeição: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3:20). Ninguém será forçado a reconhecer o reinado do Senhor, mas a consequência da decisão é certa, conforme Jesus deixou bem claro na parábola dos talentos: “Quanto, porém, àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim” (Lc 19:27). Esta é a morte eterna que aguarda todos os que rejeitam o filho unigênito de Deus. [Acessar estudo sobre a morte eterna].

Embora o estabelecimento universal e final do Reino de Deus apenas ocorrerá com a volta de Jesus, nós que agora vivemos já podemos usufruir dos benefícios de tê-lo como Rei. Ou seja, os escolhidos de Deus recebem os privilégios de cidadãos do Reino antes mesmo da sua instauração oficial. Este é o aspecto do Reino de Deus que Jesus repetidamente ensinava aos seus seguidores: “O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Eí-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:20-21). Praticamente todos, inclusive os apóstolos, nos dias de Jesus esperavam que o Messias viesse como um grande líder militar para livrar a nação de Israel dos seus opressores e estabelecer um reinado semelhante aos dias de Davi e Salomão. Em outras palavras, esperavam que o Filho de Deus viesse para melhorar a vida do ser humano aqui na terra. As palavras de Jesus, no entanto, revelam que a sua vinda como Salvador do mundo tem como objetivo muito mais do que uma simples melhoria da nossa condição atual. Jesus veio, e voltará, para destruir por completo tudo aquilo que foi contaminado pelo pecado e estabelecer um reinado novo. Começaremos do zero: “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21:5); “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5:17).

Quando oramos o Pai Nosso e pedimos que venha a nós o Reino de Deus, estamos então pedindo por dois eventos associados, porém, diferentes. O primeiro evento é a volta física de Cristo em esplendor e majestade, para estabelecer o seu reinado final e eterno no universo. Este é o evento que enquanto Jesus estava aqui conosco como ser humano e as pessoas lhe perguntavam quando tudo isto ocorreria ele dizia que apenas o Pai sabia: “Quanto, porém, ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu nem o Filho, senão o Pai. Olhai! vigiai! porque não sabeis quando chegará esse tempo” (Mc 13:32-33). Ou seja, fiquem atentos porque quando esta hora chegar, o destino final de todos os seres humanos terá sido traçado e o tempo da graça encerrado: “..e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta” (Mt 25:10). Aqueles que não ouviram os constantes avisos de Jesus para uma entrega total, sem reservas, não terão mais tempo de o fazê-lo. O motivo que pedimos a Deus que este dia chegue logo, então, é porque estamos preparados pessoalmente para aquele dia e não vemos a hora de deixarmos este mundo que tanto desprezamos: “Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guarda-la-á para a vida eterna” (Jo 12:25). Esta vontade de sair deste mundo também foi expressa por Paulo: “…tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é muito melhor” (Fp 1:23).

É importante observar, certamente, que se a pessoa que está orando o Pai Nosso não está preparada para aquele grande dia do retorno de Jesus; se ela ainda está apegada às coisas deste mundo, e se ela ainda não vive completamente para Deus (Mt 22:37; Mc 12:33; Ro 8:7; 1Jo 5:2-5), então é inconcebível que mesmo estando nesta situação ela peça a Deus que o seu reino se manifeste na terra pois o dia do Senhor não será de forma alguma um dia agradável para aqueles que ainda mantêm um coração dividido entre Deus e o mundo, como o próprio Senhor nos falou através do profeta Amós: “Ai de vós que desejais o dia do Senhor! Para que quereis vós este dia do Senhor? Ele é trevas e não luz; …não será completa escuridão, sem nenhuma claridade?” (Am 5:18-20).

Queridos, falemos agora do outro aspecto, o aspecto presente e mais pessoal do nosso pedido que o Pai envie a nós o seu reino. Quando oramos o Pai Nosso e pedimos que o seu reino venha a nós o que também estamos pedindo é que Ele seja o nosso Rei agora mesmo, no presente, antes que retorne a este planeta para estabelecer o seu reinado eterno: “o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:21). Este é um reino invisível e não observável a não ser que o indivíduo tenha passado pelo novo nascimento, conforme nos disse o próprio Jesus no seu diálogo com Nicodemos: “Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3:3). [Gr. οὐ δύναται ἰδεῖν τὴν βασιλείαν τοῦ θεοῦ. (ou dunatai idein tēn basileian tou theou) Trad. Lit. = Não ele pode ver o Reino de Deus]. Ou seja, a nossa capacidade de ver o reino de Deus na nossa vida é o resultado direto do novo nascimento. É por isto que a grande maioria das pessoas acham loucura a mensagem da cruz, eles não nasceram de novo, e, portanto, não veem aquilo que vemos (1 Co 1:18).

Jesus continuou: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3:5). [Gr. οὐ δύναται εἰσελθεῖν εἰς τὴν βασιλείαν τοῦ θεοῦ (ou dunatai eiselthein eis tēn basileian tou theou) Trad Lit. Não ele pode entrar dentro do Reino de Deus]. Note que primeiro Jesus usa o verbo ver [ἰδεῖν (idein)] se referindo à visão espiritual do seu reino (Jo 3:3) e somente mais abaixo (Jo 3:5) é que ele usa o verbo entrar [εἰσελθεῖν (eiselthein)], se referindo à posse física do Reino de Deus. Isto significa que antes de subirmos com Jesus para o reino que nos foi preparado desde a fundação do mundo (Mt 25:34), já veremos este reino e viveremos ainda nesta terra como filhos do Rei e membros da família de Jesus: “Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12:50); “…vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20:17).

Esta capacidade que Deus nos dá para vivermos hoje mesmo a nossa condição de filhos e filhas do Rei; a condição de príncipes e princesas do seu reino, é uma oportunidade maravilhosa e que de forma alguma devemos ignorar. Muitos cristãos vivem o seu dia a dia ignorantes de quem são espiritualmente. Eles se limitam a verem a si mesmos apenas através do prisma carnal; enxergam apenas aquilo que os olhos da carne podem ver. Devemos, no entanto, exercitar a nossa fé, sabendo que se vivemos de acordo com as suas palavras, em completa obediência, e verdadeiramente amando-o de todo o coração, de toda a nossa alma e de todo o nosso entendimento (Mt 22:37), então o Reino de Deus já está disponível para que possamos usufruir de todos os seus benefícios e privilégios: “Venha a nós o teu reino!” Espero te ver no céu.

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