🔊 (Parte 12) Serie: Orando o Pai Nosso Com Poder. Estudo Nº 12: O Poder do Pai Nosso [Com Áudio]

Foto de rapaz pescando em um barco pequeno (Parte 12) Serie: Orando o Pai Nosso Com Poder. Estudo Nº 12: O Poder do Pai Nosso [Com Áudio] Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

O poder do Pai Nosso se encontra na autoridade Daquele que nos ensinou as suas palavras. Frequentemente ao orarmos esta maravilhosa oração esquecemos que ela não nos foi ensinada por um simples ser humano. Não, esta oração modelo não chegou até a nós através de algum pregador famoso, ou de algum professor de seminário, e nem mesmo através de um dos profetas do velho testamento ou de algum dos apóstolos do novo. Este ensino nos foi transmitido do próprio Deus, através do seu Filho amado: “Porque eu não falei por mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, esse me deu ordem [Gr. ἐντολὴν (entolén) Trd. Lit. ordem, comando, regra, mandamento] quanto ao que dizer e como falar. E sei que a sua ordem [éntole] é vida eterna. Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me ordenou” (Jo 12:49-50).

“Esta é a grande verdade que separa os seguidores de Jesus dos demais seres humanos neste planeta. Enquanto eles também sofrem, assim como nós, eles não possuem nenhuma esperança de um melhor futuro quando deixarem esta terra para trás.”

Prestem muita atenção no que foi escrito: “Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me ordenou”. Jesus não nos passou esta informação sobre a sua conexão com Deus por acaso, mas sim o fez para que soubéssemos que a união dele com o Pai é completa, absoluta e não possui nenhum tipo de lacuna ou desvio. Assim sendo, cada palavra do Pai Nosso deverá ser considerada como um ensino vindo diretamente da boca do próprio Deus, trazendo consigo o mesmo peso e autoridade que as tábuas dos dez mandamentos que foram escritas pelos dedos do Senhor (Dt 9:10). Isto faz com que as palavras de Jesus sejam superiores aos ensinos dos patriarcas, profetas, salmistas e demais escritores das Escrituras: “Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo 8:58 ver também: Mt 12:41-42); “E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi” (Lc 9:35).

Conforme disse logo no primeiro estudo, a inspiração para escrever esta série sobre o Pai Nosso surgiu porque esta oração modelo tem sido a base para a minha oração de consagração que faço todos os dias à meia-noite e que dura um pouco mais de uma hora. Tal qual prometido, para o benefício dos nossos queridos irmãos e irmãs em Cristo, e para que não fique nenhuma dúvida sobre como o Pai Nosso possui o seu aspecto estratégico, farei agora um apanhado geral sobre a oração em si e de como eu a utilizo pessoalmente como uma referência diária no meu diálogo com o Senhor.

Começamos a oração demonstrando a nossa intimidade com Deus ao nos referir a Ele não como o Criador de tudo o que existe ou como Rei e supremo governante do universo, mas sim como o nosso querido e amado Pai: “Pai nosso que estás no céu” (Mt 6:9; Lc 11:2). Este detalhe não deve ser omitido do nosso pensamento, por mais que o inimigo procure fazer com que não demos muita atenção e falemos as palavras “Pai nosso” sem considerarmos a sua importância. O motivo que esperamos receber aquilo que estamos para pedir a Deus é exatamente porque não pediremos como se fôssemos estranhos para ele, pois quando alguém pede algo a um estranho ele geralmente não sabe se receberá aquilo que pede. De fato, a expectativa quando pedimos algo a um estranho é a de que não receberemos e que ficaremos surpresos e felizes se o nosso pedido for atendido. Quando, porém, pedimos algo a um parente, ou melhor, ao nosso próprio Pai, ocorre o inverso, pois temos certeza que receberemos aquilo que pedimos e se não for exatamente o que queremos sabemos que será algo ainda melhor. Jesus foi bem claro quanto ao poder da oração quando feita com esta expectativa otimista: “Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebereis, e tê-lo-eis” (Mc 11:24).

Em seguida, no Pai Nosso, antes de pedirmos qualquer coisa de caráter pessoal, exaltamos o nosso Pai de três formas: reconhecemos a santidade do seu Nome, pedimos que o seu reino se manifeste e que a sua vontade seja feita aqui na terra da mesma forma que ela é atualmente feita no céu, onde o seu trono se encontra (Mt 6:9-10; Lc 11:2). Estas três frases iniciais da oração do Pai Nosso servem como um reconhecimento de como necessitamos e desejamos que seja colocado um fim no sofrimento que todos nós estamos passando aqui neste vale de lágrimas.

Nenhum ser humano que aqui vive se encontra em uma situação em que o sofrimento não faça parte do seu cotidiano e a única solução que existe é que o nosso Pai nos restitua à posição que tínhamos com Ele antes da entrada do pecado neste mundo. Esta é a grande verdade que separa os seguidores de Jesus dos demais seres humanos neste planeta. Enquanto eles também sofrem, assim como nós, eles não possuem nenhuma esperança de um melhor futuro quando deixarem esta terra para trás (Sl 73:17-18). Nós, porém, sabemos que quando o Reino de Deus vier e a sua vontade for feita aqui na terra assim como ela é atualmente feita no céu, finalmente começaremos a gozar a vida para a qual fomos originalmente criados.

Continuando a oração do Pai Nosso, pedimos ao Pai que ele nos dê o pão de cada dia (Mt 6:11; Lc 11:3). O pão aqui representa todas as nossas necessidades físicas. Foi se referindo às mesmas necessidades que Jesus nos disse que, como filhos do Altíssimo, não deveríamos nos preocupar: “…vosso Pai sabe que precisais delas” (Lc 12:30). Estas são necessidades que devemos de uma forma especial pedir que Deus supra, não apenas para nós e nossa família imediata, mas também para todos aqueles que fazem parte do corpo de Cristo, pois, conforme já explicado nesta série, todo o Pai Nosso deverá ser orado na terceira pessoa do plural (nós e nosso) e não na primeira (eu e meu). Conforme já disse, não é à toa que o nome da oração é: Pai Nosso, e não: Pai Meu.

Para que fique bem claro, devemos ser específicos nesta parte do Pai Nosso e pedir ao Pai que nos ajude quanto a todos os problemas que estão em muitos casos, mas não sempre, ligados às nossas finanças. Caso haja necessidade, devemos pedir ao Senhor que nos auxilie quanto a emprego, salário, transporte, moradia, estudo, assistência médica… e qualquer outra necessidade comum nos nossos dias. Devemos pedir com confiança, e a todo o tempo cientes de que estamos pedindo estas coisas ao nosso Pai. Podemos e devemos pedir, o que não devemos é andar continuamente preocupados, como alguém que duvida se será realmente atendido: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que as pedirem?” (Mt 7:11).

Após pedirmos que Deus nos ajude com as nossas necessidades físicas do dia a dia, pedimos ao Senhor que perdoe os nossos pecados, ou dívidas, como Mateus preferiu escrever (Mt 6:12; Lc 11:4). Esta é uma parte de suma importância do Pai Nosso porque este pedido tem que ser acompanhado do cumprimento de uma condição: “assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores”. Ou seja, basicamente estamos dizendo ao Pai que da mesma forma que já perdoamos as pessoas que pecaram contra nós, cumprindo assim o seu mandamento, esperamos agora que Ele também perdoe os nossos pecados contra Ele. Este é o único pedido do Pai Nosso cuja resposta de Deus dependerá de termos cumprido a nossa parte.

Devo também esclarecer dois, aliás três, pontos importantes quanto a este pedido de perdão. Primeiramente que simplesmente devemos aceitar o perdão de Deus. Como tudo na vida espiritual, aceitamos o perdão de Deus pela fé. Não baseie o perdão de Deus nas emoções, mas simplesmente aceite, quer você se sinta perdoado ou não. Deus não utiliza dos nossos sentimentos para se comunicar conosco, mas utiliza sim, da sua Palavra, e nós o respondemos com a nossa obediência (Jo 14:23).

Ligado ao primeiro ponto, uma vez que aceitamos o perdão de Deus, devemos seguir adiante com a nossa vida, cientes de que os nossos pecados já não existem para Deus: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro” (Is 43:25). Obviamente, dependendo do que consistiu os nossos pecados, poderemos ainda ter que lidar com as consequências, mas a todo o tempo devemos estar cientes de que o amor de Deus não se resume no perdão, mas também no processo de restauração dos seus filhos: “Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is 43:2).

E o terceiro ponto em relação a perdoar os nossos inimigos é que não devemos esperar que haja em nós o desejo de perdoar para então perdoarmos. Se esperarmos o desejo para obedecer aos mandamentos de Deus uma boa parte deles jamais serão obedecidos e não herdaremos a vida eterna. Grande parte do viver pela fé consiste exatamente nisto: em agirmos contrário àquilo que queremos. Acreditem, Abraão, o pai da fé, não desejava sacrificar o seu próprio filho. Ou seja, ainda que no seu coração não exista o desejo de perdoar aqueles que lhes machucam, hajam com eles em um espírito de perdão. Não revidem, não vinguem, não retornem mal com mal, façam-lhes o bem sempre que Deus criar uma oportunidade. O Senhor verá o seu sacrifício e recompensará cada ato de fé. Perdoar aos nossos inimigos é um grande ato de fé, um dos maiores do caminho apertado que nos leva ao céu (Mt 7:13-14).

O próximo pedido na oração do Pai Nosso é que o Pai não nos deixe cair em tentação. Já explicamos que no original grego o significado pode também pode ser que o Senhor não nos submeta à provação. Mas independentemente de um ou do outro, este pedido é que o Senhor nos fortaleça quando temos que enfrentar as dificuldades típicas de um viver como santos em um mundo envolto em pecados. Queremos ser fiéis ao nosso Pai quando surgirem situações em que formos tentados a agir de acordo com os nossos desejos e contrários à sua palavra. Queremos ser fortes para assim como Jesus recusarmos a satisfazer ao eu e vivermos somente para agradar ao Pai: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6:38).

Logo após pedirmos que o Senhor nos fortaleça quanto às tentações pedimos que o Senhor nos livre do mal. Esta parte também possui duas possibilidades de tradução no original grego: “livra-nos do mal” ou “livra-nos do Maligno”, mas assim como a tentação, aqui também acaba não fazendo muita diferença se pedirmos a Deus que nos livre de um ou do outro. Neste último pedido da oração do Pai Nosso reconhecemos que estamos no meio de uma batalha espiritual entre Deus e as forças do mal. Reconhecemos que precisamos do contínuo suporte do nosso comandante para que não sejamos destruídos pelos nossos adversários (Js 5:13-15). [Acesse estudo sobre a Batalha Espiritual]

E finalmente, terminamos o Pai Nosso com uma linda doxologia. Nestas palavras de louvor ao Senhor, damos a razão do porquê estamos fazendo estes pedidos a Ele e não a nenhum outro ser: “Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém” (Mt 6:13). Reconhecemos que não existe nenhuma real autoridade no universo a não ser a do nosso Pai. Dizemos a Ele que estamos bem a par de que todas as autoridades existentes, sejam elas físicas ou espirituais, estão sujeitas à Sua autoridade. O nosso Pai dá poder a quem Ele quer, na quantidade que Ele quer e na duração que ele quer, conforme nos disse Daniel em uma outra doxologia: “Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque são dele a sabedoria e a força. Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; é ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos” (Dn 2:20-21). Às vezes nos iludimos e somos levados a crer que as pessoas ao nosso redor possuem real poder, quando de fato elas não possuem nenhum poder além daquele que o nosso Pai as deu para assim cumprir o seu propósito. Jesus esclareceu este ponto a Pilatos, quando ele imaginou que tinha poder sobre o nosso Salvador: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fora dado” (Jo 19:11).

Queridos, esta foi uma boa série. Aprendemos bastante nestes três meses dedicados à oração mais conhecida do mundo: o Pai Nosso. Existe poder nesta oração, assim como existe poder em todas as palavras que saíram da boca do nosso querido Jesus (Is 55:11; Mc 11:23). O poder do Pai nosso poderá ser usado por qualquer um que esteja disposto a um viver compatível com o viver daquele que nos ensinou esta oração. Sim, quando vivemos como Jesus vivia, focado em satisfazer a vontade do Pai, podemos com toda confiança pedir tudo aquilo que precisamos, sabendo que sempre seremos ouvido: “E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve, e, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos as coisas que lhe temos pedido” (1Jo 5:14-15). Ou seja, quando oramos o Pai Nosso devemos nos aproximar ao trono do nosso Pai reconhecendo que ele sabe muito mais do que precisamos do que nós mesmos e que, por isso, ainda que nos doa, pedimos que a vontade dele seja feita no final, e não a nossa. Mas não se desanimem com este detalhe, pensando que seria bom se Deus lhes dessem exatamente o que querem, pois, este nosso entendimento é cheio de falhas devido à nossa pequenez. Sim, queridos, podemos não ver assim, mas quando se trata do mundo espiritual somos de fato criancinhas, cheias de ilusões e achando que sabem de tudo. Mas ser como criancinhas, desde que descansemos na sabedoria e na força do nosso Pai, é algo muito bom (Mt 18:3; Mt 19:14). Simplesmente orem com confiança, na certeza que o Pai não nos negará nada que nos for realmente benéfico. E se pedirmos errado, o Espírito Santo fará a devida correção para nós: “porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Ro 8:26). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: