🔊 (Parte 5) Serie: Orando o Pai Nosso Com Poder. Estudo Nº 5: Seja Feita a Tua Vontade [Com Áudio]

Serie: Orando o Pai Nosso Com Poder. Estudo Nº 5: Seja Feita a Tua Vontade [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

O que a Bíblia nos ensina sobre o céu é o suficiente para que queiramos mudar para lá, se fosse possível, ainda hoje. Queremos mudar para lá não só porque sabemos que é um lugar lindo e tranquilo, mas também porque reconhecemos que a nossa morada atual deixa muito a desejar. Mesmo com todas as maravilhosas expectativas existente na nossa mente sobre o céu, a realidade, porém, é que não temos muitos detalhes sobre o local, pois como o próprio Jesus nos disse, ele foi o único ser humano que já esteve lá e que agora estava na terra (Jo 3:13). Sabemos de pessoas que foram para lá, correto, mas nenhuma delas voltou para nos dar detalhes; não as culpo. Quando Jesus nos disse — na versão do Pai Nosso que Mateus relatou — que no céu a vontade de Deus é sempre feita, esta então é uma informação rara e que devemos procurar entender a implicação deste detalhe; isso é o que faremos nesta sequência da série sobre o Pai Nosso.

“A rejeição da vontade de Deus está sempre ligada ao entendimento falso de que aquilo que desejamos, e não aquilo que Deus deseja, nos trará mais benefício”.

A recusa em fazer a vontade do Criador tem como fonte a ilusão de que existe sabedoria em nós mesmos (Prv 1:7). Todas as criaturas que se rebelaram contra Deus até aqui imaginavam que sabiam o que estavam fazendo. Todas se imaginavam superiores, se orgulhando no coração de que elas, e não Deus, sabem o que é melhor para si mesmas. Este posicionamento fantasioso, acoplado ao abuso do livre arbítrio nos dado por Deus, leva inúmeras criaturas a cometer o ato absurdo de se voltarem continuamente contra Aquele que as criou: “E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:13-14).

O indivíduo que rejeita fazer a vontade de Deus, geralmente antecipa na sua mente que se decidir obedecer ao Senhor se verá fazendo aquilo que não gosta e ainda pior, pensa ele, se verá tolhido quanto ao fazer aquilo que gostaria de fazer. A rejeição da vontade de Deus está sempre ligada ao entendimento falso de que aquilo que desejamos, e não aquilo que Deus deseja, nos trará mais benefícios (Prv 28:26). Ele desconsidera a verdade de que nada daquilo que o homem carnal gosta lhe é de fato benéfico, tendo a sua mente focada apenas nos rápidos momentos de prazeres que imagina obterá com os seus atos: “Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu” (Gn 3:6). Naquele momento, quando o prazer que obteria lhe era tido como certo, o casal ignorou a vontade de Deus que não comesse da árvore e decidiu satisfazer à sua própria. Obviamente, é desnecessário descrever aqui a consequência do que Adão e Eva fizeram com toda a raça humana ao escolherem as suas vontades e não a expressa vontade do Criador (Ro 3:23; Heb 9:27).

A grande batalha interna que todo o cristão enfrenta continua sendo a mesma dos nossos pais no jardim: fazer a nossa vontade ou a de Deus. Nós, porém, temos o agravante de possuirmos cerca de seis mil anos de rebeldia acumulada nas nossas costas. Diferentemente de Adão, nós somos frutos de inúmeras gerações que vieram a este mundo já possuindo uma carga hereditária propensa ao pecado (Ro 7:24). No Éden, obedecer a Deus era simplesmente uma questão de escolha, mas para os filhos de Deus no mundo presente, esta é uma batalha diária: “Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis” (Gl 5:17).

Toda a terra resiste continuamente em fazer a vontade de Deus. Esta é uma realidade estonteante. Apesar dos problemas que todo o ser humano enfrenta, apesar do contínuo sofrimento que nos assola sem cessar, ainda assim, resistir à vontade de Deus é algo corriqueiro no coração do homem (Ro 8:7). Pouco tempo atrás conversava com um colega de trabalho Judeu descrente e lhe perguntei se não lhe incomodava levar uma vida alheia às coisas de Deus e ele, encolhendo os ombros, me disse com a maior facilidade que não. Para ele, um direto descendente de Abraão, um “ramo natural”, segundo Paulo (Ro 11:21), procurar fazer a vontade de Deus é algo completamente irrelevante no seu dia a dia. Simplesmente Deus não faz parte do seu viver e muito menos a sua vontade.

Algo que nos chama a atenção em Jesus era o seu contínuo interesse em fazer a vontade de Deus (Lc 22:42; Jo 8:29). Sendo ele um com Deus e o Espírito Santo, tudo aquilo que o Pai desejava o Filho e o Espírito também desejavam: um só pensamento, um só desejo, um só objetivo. No céu, Jesus vivia em um ambiente totalmente livre de seres com inclinação para o mal. O nosso amado Salvador se via rodeado de anjos, que assim como ele, se deleitavam em agradar ao Pai em qualquer coisa que ele desejasse. Nos seus dias aqui na terra, porém, como homem, Jesus circulou no meio de um povo sem fé e rebelde ao Senhor. Este clima de descrença, dor e cegueira espiritual em que Ele se encontrava lhe pesava o espírito: “Jesus, pois, quando a viu chorar, e chorarem também os judeus que com ela vinham, comoveu-se em espírito, e perturbou-se… Jesus chorou” (Jo 11:33,35); “E Jesus, respondendo, disse: ó geração incrédula e perversa! até quando estarei convosco? Até quando terei que suportá-los?” (Mt 17:17).

Jesus via que a resistência dos homens em fazer a vontade de Deus aqui na terra lhes causavam o distanciamento de Deus e consequentemente a falta de fé e constante e desnecessário sofrimento, algo que não presenciava no céu, de onde foi enviado. Jesus procurava demonstrar através do seu exemplo de vida que nada é mais importante para os verdadeiros filhos de Deus do que se submeterem à vontade do Pai em tudo: “Os seus discípulos lhe rogavam, dizendo: Rabi, come. Ele, porém, respondeu: Uma comida tenho para comer que vós não conheceis. Então os discípulos diziam uns aos outros: Acaso alguém lhe trouxe de comer? Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra” (Jo 4:31-34).

É bom entendermos que em última análise a vontade de Deus sempre é feita. Se houvesse a possibilidade de que a vontade de Deus não fosse feita então o Senhor não seria onipotente, o que sabemos muito bem que Ele o é. A realidade é que nada ocorre no universo que não seja a vontade de Deus. Para que algo ocorresse fora da vontade de Deus este algo teria que ocorrer fora do seu domínio e ser movido por uma outra força contrária à Sua vontade, o que sabemos ser uma impossibilidade pois existe um só Deus e uma só força causal. Quando uma criatura, física ou espiritual, age contrário à vontade de Deus ele nunca pega o Criador de surpresa. O Senhor sabia que tal ato ocorreria e já controlou todos os fatores e ramificações para que no final o seu propósito fosse cumprido. O homem que age contrário à vontade de Deus, e com isto espera receber qualquer benefício real, é um tolo em todos os sentidos da palavra: “Anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não ocorreram; eu digo: O meu propósito se cumprirá, e farei toda a minha vontade” (Is 46:10).

Quando oramos o Pai Nosso e pedimos que a vontade de Deus seja feita aqui na terra, não estamos dizendo que Deus perdeu o controle do planeta e que gostaríamos que ele voltasse e impusesse de novo a sua vontade. Não, de forma alguma. Se Deus quisesse impor a sua vontade Ele o teria feito no Jardim do Éden e não esperaria todo este tempo. Aliás, Ele o teria feito ainda no céu, quando Satanás e seus anjos caídos se rebelaram contra o Criador. Quando pedimos a Deus que a sua vontade seja feita, estamos então simplesmente reconhecendo o grande erro que cometemos quando optamos por fazer a nossa própria vontade (Sl 51:4). Estamos de fato dizendo que agora vemos claramente o que fizemos; que agora entendemos, como nunca antes, a consequência de ignorarmos os mandamentos de Deus e optarmos por fazer aquilo que o nosso coração deseja.

Fazer a vontade de Deus aqui na terra, porém, começa com os de casa: “Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mc 3:35). Quando oramos o Pai Nosso já chamamos a Deus de Pai; já pedimos que o seu reino venha até a nós; já pedimos que o seu reinado se manifeste antecipadamente na nossa vida: “o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:21). O que nos falta agora é pôr em prática o viver dentro da sua vontade. Ou seja, o viver em obediência à sua palavra: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14:15).

Quando o Reino de Deus se manifestar por completo aqui na terra, então a vontade dele será feita. Não porque ela será forçada, mas sim porque será no seu retorno que haverá uma definição final, uma separação entre os que o desejaram como Rei e os que o rejeitaram. Estes dois grupos, então, antes mesmo da volta de Jesus, já viviam ou de acordo com a vontade de Deus ou contrário a ela. Naquele dia não haverá decisão, mas sim uma confirmação das suas escolhas: “Pois assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles ajuntarão do seu reino todos os que servem de tropeço, e os que praticam a iniquidade, e os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 13:40-43).

Concluindo este estudo irmãos, quero apenas lembrar que a vontade de Deus não nos foi revelada tão somente para que soubéssemos quais são. Toda a vontade de Deus, seja ela algo simples ou algo difícil, nos foi anunciada para que demonstrássemos o nosso amor a Ele através da obediência (Jo 14:23). No céu, os anjos possuem como mais alta honra receber as ordens de Deus para que assim O possam obedecer sem qualquer atraso e com precisão: “Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra!” (Sl 103:20). Para estes seres magníficos, obedecer ao amado Criador ao pé da letra é o que importa. Do que consiste a ordem de Deus é irrelevante para eles, podendo ser algo muito pequeno e simples como algo grande e com enormes implicações. A maior alegria das hostes celestiais é ouvir e sem demora executar a vontade de Deus: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te dar estas boas novas” (Lc 1:19).

Quando oramos o Pai Nosso, estamos pedindo que este mesmo ambiente de fidelidade a Deus que atualmente existe no céu, passe a existir também aqui na terra. Estamos cansados de viver em um local onde o mal reina; em um local de tanto sofrimento; de tanta dor. Queremos pôr um fim neste vale de lágrimas e sabemos que a única forma de isso ocorrer é removendo de uma vez por todas o espírito de rebeldia que aqui existe. Estamos pedindo que o Nosso Pai que está nos céus estabeleça o seu Reino eterno aqui na terra e finalmente possamos viver em completa paz e felicidade entre pessoas que, assim como nós, se deleitam em fazer a vontade do Pai. Estamos vivendo os momentos finais deste ambiente hostil à vontade de Deus. Embora às vezes nos é difícil, enquanto esperamos que o Reino de Deus venha até a nós e que a Sua vontade seja feita aqui na terra como nos céus, seguiremos obedecendo ao Senhor, ainda que contrário às tendências populares: “Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre” (1 Jo 2:17). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: