🔊 (Parte 8) Serie: Orando o Pai Nosso Com Poder. Estudo Nº 8: Perdoando aos Nossos Devedores [Com Áudio]

Foto de uma moca admirando uma manha fria num lago. Serie: Orando o Pai Nosso Com Poder. Estudo Nº 8: Perdoando aos Nossos Devedores [Com Áudio] Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

No estudo anterior desta série sobre a oração do Pai Nosso, falamos sobre o perdão dos nossos pecados. Explicamos em detalhes o porquê é necessário que antes de nos aproximarmos de Deus temos que nos purificar das nossas ofensas, ou como Mateus escreveu, temos que quitar as nossas dívidas com o Senhor (Mt 6:12). Deus é a pura perfeição e, portanto, nada imperfeito, nenhuma criatura contaminada pelo pecado, pode se colocar na sua presença e continuar vivendo. Esta verdade pode ser claramente entendida quando consideramos a presença da luz e a sua ausência. Em um local onde existe muita claridade não há nenhuma escuridão. Para que a escuridão exista a luz terá que ser retirada do local, pois enquanto existir o seu brilho a escuridão, ou as trevas, simplesmente não existem. A escuridão em si não pode se retirar pois não possui esta capacidade sendo ela tão somente a ausência da luz. Assim somos nós ao nos aproximarmos do nosso Criador. Não existe como levar conosco as trevas, mas apenas a luz: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:4). Ou seja, precisamos primeiro utilizar da única forma possível de nos purificar dos pecados, que é através do sacrifício perfeito de Jesus: “…o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado” (1Jo 1:7).

“Deixemos que Deus, aquele que sonda os corações, aquele que conhece os motivos e vê a perspectiva de cada um, aplique a sua perfeita justiça em todo aquele que nos ofende”.

Explicamos também que esta purificação, ou eliminação dos nossos pecados não ocorre automaticamente e de uma forma passiva, pois se fosse esse o caso todos os homens seriam salvos sem que precisassem fazer qualquer coisa. Como também nem seria necessária as Escrituras, uma vez que ninguém precisaria de qualquer instrução, já que não há nada a ser obedecido para se obter a salvação. Quando abandonamos esta ideia absurda e contrária à Palavra de Deus, vemos que o Criador estabeleceu certos princípios para que os filhos de Adão que querem de fato se salvar, obedeçam e possam se beneficiar da aplicação do sangue de Jesus e assim tenham acesso ao seu trono.

O homem que deseja se ver livre da contaminação do pecado precisa primeiramente crer para a salvação, que é o crer demonstrado através da obediência às palavras de Jesus. Apenas dizer que crê; apenas dizer que ama a Jesus, sem que haja uma prova deste amor, não tem nenhum valor salvífico: “Se me amas, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14:15). Estas são palavras bem simples de entender, mas que muitos que se dizem cristãos, incluindo vários líderes, recusam a aceitar. Utilizam de todos os tipos de argumentos falsos e ilusórios para cancelar este claro aviso de Jesus: “Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou” (Jo 14:24). Muitos ignoram, pisam, rejeitam, e racionalizam as palavras de Jesus, mas, ao mesmo tempo, insistem que o amam, que serão aprovados no juízo final e que subirão ao céu: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus… Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que desobedeceis à lei!” (Mt 7:21-23) [Gr. αποχωρειτε απ εμου οι εργαζομενοι την ανομιαν (Trad. Lit. afastem-se de mim aqueles atuando sem lei)].

Um dos mandamentos que teremos que obedecer, se realmente cremos em Jesus, e esperamos ser salvos, nos foi dado no Pai Nosso: temos que perdoar aqueles que nos ofendem. Este mandamento de Jesus possui um caráter especial, pois ele é a condição estabelecida para que o nosso pedido de perdão dos pecados seja concedido. Em nenhum outro pedido no Pai Nosso foi posto uma condição para ser respondido por Deus, apenas este. Aliás, esta condição é tão séria que Jesus achou por bem mencioná-la duas vezes, primeiramente como parte da oração modelo e depois como uma explicação adicional, mais detalhada, para que não ficasse qualquer dúvida: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas” (Mt 6:14-15). Notemos que até mesmo esta explicação adicional nos foi dada em dobro, primeiro positivamente (perdoe e serás perdoado) e logo a seguir negativamente (não perdoe e não serás perdoado). Todas essas repetições servem para enfatizar a seriedade que o Senhor colocou no mandamento de que devemos perdoar os nossos semelhantes se desejamos que Ele nos perdoe.

A grande seriedade deste mandamento de Jesus ocorre porque se os nossos pecados não forem perdoados pelo Pai não é possível sermos salvos. Ou, colocando de uma outra forma, se recusarmos a perdoar àqueles que nos ofendem, então o sangue de Jesus não foi aplicado ao nosso favor e se o sangue de Jesus não purificou os nossos pecados então continuamos retendo esta dívida com Deus, dívida esta que terá que ser paga com a nossa própria morte: “o salário do pecado é a morte”(Ro 6:23). Se este final horrível ocorrer com alguém que se diz cristão, então a única explicação possível é que de fato ele nunca realmente creu para a salvação: “eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos” (1Jo 2:19); “para que se conheça que são os aprovados entre vós” (1Co 11:19).

O cristão que se vê nesta condição precisa em caráter de urgência se jogar aos pés de Cristo e implorar para que o Senhor lhe capacite com o dom do perdão; ele deve implorar que lhe seja dado um novo coração, um coração disposto a perdoar a todos, incluindo aqueles que mais o machucou: “Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne” (Ez 36:26).

As pessoas nos ofendem consciente e inconscientemente. Teremos que perdoar em ambos os casos. Ao nos apresentarmos perante o Senhor em oração não podemos carregar no coração nenhum desejo de retribuição do mal com o mal (Lc 6:28; 1Pe 3:9), e sim deixar que o Senhor lide com a pessoa segundo a Sua vontade, de acordo com a Sua justiça e não segundo aquilo que na nossa pecaminosidade gostaríamos que os nossos ofensores recebessem. Isso foi o que o nosso irmão Paulo quis dizer quando escreveu: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor” (Ro 12:19). Aqui o apóstolo cita Deuteronômio: “Minha é a vingança e a retribuição” (Dt 32:35). Ou seja, deixemos Deus, aquele que sonda os corações, aquele que conhece os motivos e vê a perspectiva de cada um, aplique a sua perfeita justiça em todo aquele que nos ofende. Se desejarmos nós mesmos qualquer tipo de vingança àqueles que nos machucam, estamos então reivindicando para nós este direito em vez de “dar lugar à ira de Deus”. Deixe-me lembrá-los que, conforme escrevemos no estudo anterior, em última análise todo o pecado é na realidade uma ofensa a Deus: “Contra ti, contra ti somente pequei” (Sl 51:4).

O perdão deverá ser dado àqueles que nos ofendem independentemente se a pessoa pediu ou não para ser perdoada. De fato, é muito raro alguém nos pedir perdão quando nos ofende e igualmente raro pedirmos perdão às pessoas que ofendemos. Isto ocorre porque todo o ser humano possui a sua própria perspectiva quanto ao ato de ofender um ao outro. Frequentemente ofendemos alguém sem saber que o fizemos e quando sabemos consideramos o ocorrido não como uma ofensa, mas sim como uma correção, uma crítica construtiva, uma lição, ou algo semelhante. Ou seja, racionalizamos e justificamos as ofensas quando é dirigida aos outros, mas não enxergamos assim quando nós somos o alvo das ofensas.

O maior dos exemplos de perdoar alguém mesmo quando o perdão não é requisitado nos foi dado por Jesus na cruz: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34). Cumprindo mais uma profecia (Is 53:12) e nos dando um exemplo de obediência ao seu próprio mandamento, Jesus perdoou todas as pessoas envolvidas no processo e na execução da sua crucificação. Jesus aqui não especificou quem seria absolvido das ofensas contra o Filho unigênito do Pai, mas considerando o contexto e a razão para o perdão: “porque não sabem o que fazem”, é lógico deduzir que inclui tanto os Judeus responsáveis pelas falsas acusações como os romanos que consumaram o sacrifício do Cordeiro de Deus. Os líderes judeus foram a cabeça, a multidão foi a boca e os romanos as mãos. Independentemente de quem se beneficiou do perdão, no entanto, sabemos que nenhum deles pediu para ser perdoado. Assim devemos agir com aqueles que nos ofendem.

Queridos, perdoar as dívidas dos outros; perdoar as ofensas que ocorrem quase que diariamente contra nós, não é fácil. Algo que se torna ainda mais difícil quando o cristão se encontra em um período de provação. Nestes dias de lutas espirituais, o inimigo apresentará várias justificativa para que não perdoemos aos nossos ofensores. Satanás e seus demônios não só incentivam os outros a nós ofenderem com todos os tipos de ofensas, abusos, desaforos e humilhações como também sussurram nos nossos ouvidos que eles não merecem nenhum perdão, e que de fato, qualquer vingança da nossa parte será justificável e necessária “para que isto não volte a acontecer”. São nestas horas que precisamos como nunca nos apegarmos à promessa de Jesus de que Ele nunca nos abandonaria e de que após o seu retorno ao céu ele nos enviaria um outro [Gr. παράκλητος (paraklētos)] Confortador, Consolador e Conselheiro, que é o Espírito Santo. Procuremos pela fé acessar o Espírito de Cristo (Ro 8:9) que habita em nós e apoiarmos na sua sabedoria e força: “Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos como pedir, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Ro 8:26).

Escutem bem, existe algo muito importante que creio que o Senhor deseja que entendam. Deus nos criou seres espirituais e físicos, alma e corpo, isto significa que o nosso relacionamento com o Criador ocorre nos dois níveis. Pode ser impossível por nós mesmos mudarmos os nossos desejos em relação a perdoar aqueles que nos ofendem, mas o Senhor habilitou a todos os seus filhos na terra a agir contrário aos seus desejos. O que quero dizer com isto é que ainda que vocês estejam lutando espiritualmente para perdoar e amar aos seus inimigos, por amor a Cristo vocês podem e devem exercer toda a bondade com eles no físico, pois este é o teste da sua fé: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós?” (2Co 13:5). Não façam nada contra eles, não falem nada contra eles, recebam as ofensas sem revidá-las e deixem que o Senhor seja o seu defensor assim como Jesus nos deu o exemplo: “Mas ao ser acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu” (Mt 27:12). Façam tudo isto, mesmo sendo contrário ao que vocês realmente desejam no seu coração. O Senhor verá tudo o que vocês estão fazendo e lhes recompensará grandemente pelo seu ato de fé.

Finalmente amados, devemos ser honestos e abrir o nosso coração ao Senhor sem qualquer reserva. Devemos confessar a Ele os nossos desejos de vingança; confessemos a Ele todo o desejo negativo que temos contra aqueles que nos ofendem; devemos sem constrangimento mostrar ao nosso Pai todas as nossas feridas. E finalmente, irmãos, devemos implorar que Ele nos ajude a perdoar porque amamos a Jesus e queremos de coração obedecer a todos os seus mandamentos, incluindo o de perdoar aos nossos devedores, mas que não conseguimos por nós mesmos e que se ele não nos ajudar não sabemos o que fazer. Eu lhe garanto, queridos, que se este pedido for feito com honestidade, acompanhado dos seus atos de bondade para com os seus inimigos, conforme já mencionado acima, o desejo e a capacidade de perdoar lhes serão dados. Espero te ver no céu.

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