🔊 (Parte 10) Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 10: Resistência e Contra-ataque (O Jejum Regular) [Com Áudio]

Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 10: Resistência e Contra-ataque (O Jejum Regular) Com Áudio

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Se não considerarmos os 40 dias que Moisés passou com Deus no monte Sinai, onde ele miraculosamente não precisou de comer nem de beber, não sabemos ao certo quando ocorreu o primeiro jejum nas Escrituras. Se basearmos apenas no uso específico da palavra “jejum” em hebraico [צוּם (tsûm)], então foi com o rei Davi, quando ele jejuou para que Deus poupasse o filho do seu adultério com Bate-Seba, logo após ter sido avisado pelo profeta Natã que o menino que ele teve com a mulher do gentio Urias (heteu/cananeu) morreria como punição por ele ter quebrado o sétimo mandamento da lei de Deus. O objetivo de Davi com o jejum era que o Senhor, vendo o seu ato de contrição, tivesse misericórdia do rei, se arrependesse do que foi profetizado, e não o punisse com a morte da criança. Deus, porém, não se deixou influenciar pela demonstração de arrependimento, contrição e humildade de Davi, e sete dias depois da profecia de Natã, o bebê morreu. Este episódio demonstra para nós o principal motivo que os servos de Deus jejuam. O próprio rei Davi nos explicou o que esperava como resultado do seu jejum: “Quando a criança ainda vivia, jejuei e chorei, pois dizia: Quem sabe se o Senhor não se compadecerá de mim, de modo que viva a criança?” (2Sm 12:22).

“Grandes homens e mulheres de fé tinham, e continuam tendo, o jejum como um ato de sacrifício e adoração a Deus.”

Nesta sequência da série que lida com a batalha espiritual entre as forças do bem e as forças do mal, explicaremos como o jejum regular pode e deve ser utilizado como uma poderosa arma de resistência e contra-ataque pelos guerreiros do Senhor. Por séculos, nós, o povo de Deus, utilizamos do jejum lado a lado com a oração como um meio de demonstrar ao Criador a necessidade que temos da sua intervenção em todos os problemas que diariamente enfrentamos.

Diferentemente da oração, o jejum é um ato de sacrifício. Todos os tipos de jejuns estão ligados ao sacrifício pessoal. Aliás, este é possivelmente o tipo de sacrifício mais pessoal que alguém pode oferecer ao Senhor, uma vez que os efeitos são sentidos no próprio corpo e mente.

Comparemos o jejum com as ofertas materiais, por exemplo. Salvo algumas exceções (Mc 12:43-44; 2Co 8:3), quando alguém oferece a Deus um sacrifício material, ele geralmente não passará por necessidade como consequência do seu ato, ou seja, o impacto da oferta quase sempre não é sentido a nível pessoal. A pessoa não vai passar frio ou ter fome porque sacrificou algo de valor material a Deus, pois o Senhor nos prometeu que tal coisa não ocorreria (Prv 3:9-10). Na realidade, as promessas de Deus para sacrifícios materiais são todas de retornos superiores ao que foi sacrificado, como todos nós sabemos muito bem. Verdade esta que infelizmente tem sido usada e abusada por tantos exploradores da fé nestes últimos dias. Mas no caso do jejum, não existe outra forma de fazê-lo sem que o cristão sinta no corpo, literalmente, o resultado da sua oferta. Além do que, diferentemente de um sacrifício material (Ml 3:10), e até mesmo da oração (Mt 21:22), não existe nenhuma promessa específica de que Deus sempre nos dará aquilo que procuramos obter com o nosso jejum, uma verdade que podemos verificar facilmente com o exemplo de Davi no início deste estudo. O fato de Deus não nos prometer que teremos o resultado que queremos obter se jejuarmos, torna o jejum algo muito precioso para Deus. Ou seja, quando jejuamos estamos fazendo um sacrifício sem qualquer promessa de que receberemos algo em retorno, mas assim mesmo o fazemos. Jejuamos apenas confiando na misericórdia de Deus.

Além do jejum do rei Davi, já mencionado acima, um dos jejuns mais conhecidos nas Escrituras Sagradas foi o da rainha Ester, que além de jejuar pessoalmente também pediu ao seu primo (e pai adotivo), Mardoqueu, que requeresse que todos os judeus no seu reinado participassem do jejum de três dias, na esperança de que Deus os livrasse de um completo extermínio (Et 4:16). No caso de Ester, Deus se compadeceu do povo e respondeu de uma forma positiva ao seu pedido, poupando a nação de Israel de um grande massacre e castigando o seu inimigo com o enforcamento. Nota: Ainda que o jejum foi obviamente direcionado ao Senhor, o livro de Ester é um dos dois livros da Bíblia que não menciona Deus por nome, apenas implicitamente. O outro livro é Cantares de Salomão.

Até aqui temos falado do jejum objetivado, ou seja, o jejum que possui um alvo específico. Este estudo, porém, foca mais no jejum regular. Se o jejum objetivado procura uma bênção específica de Deus o jejum regular procura a interferência do Senhor em todas as áreas da nossa vida, mas de uma forma especial no direcionamento. São jejuns diferentes, mas que podem ser combinados quando a situação requerer. Para o guerreiro do Senhor que diariamente tem que enfrentar os ataques das forças do mal, o jejum regular deve fazer parte do seu arsenal. Temos alguns bons exemplos do uso do jejum regular na Palavra de Deus. Um deles vem da profetisa Ana, que morava no templo de Jerusalém, clamando e jejuando ao Senhor regularmente. Esta serva de Deus, já idosa, é um grande exemplo de alguém que verdadeiramente abandonou tudo neste mundo para se dedicar somente ao Pai. O senhor a recompensou, dando a ela a oportunidade que pouquíssimos profetas tiveram, que foi ver o tão esperado Messias com os seus próprios olhos. Ao ver Jesus ela “deu graças a Deus, e falou a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2:37).

Sabemos também que o maior de todos os profetas, João Batista, jejuava com os seus discípulos regularmente (Lc 5:33), como também os líderes e membros das igrejas apostólicas, conforme podemos averiguar em Antioquia: “Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, os despediram” (At 13:2-3). Esta passagem que relata a prática do jejum na igreja de Antioquia é de imensa ajuda para entendermos o propósito do jejum regular que é receber a direção, confirmação e aprovação de Deus.

Notemos que o jejum destes líderes foi mencionado duas vezes: antes e depois da revelação do Senhor. O jejum, unido às orações dos irmãos, foram agradáveis a Deus e o Senhor respondeu primeiramente os direcionando quanto à Sua vontade: “Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13:2). Quantas vezes expressamos o desejo de saber qual é a vontade de Deus na nossa vida. Temos muitas ideias, temos muitas possibilidades, e gostaríamos de seguir no caminho que sabemos ser aquele que tem a aprovação de Deus, mas nos falta este conhecimento. O jejum regular complementa a oração quando procuramos obter de Deus a sabedoria que tanto almejamos.

Ao que nos parece, porém, os santos de Antioquia não ficaram satisfeitos somente com a revelação de Deus e desejaram uma confirmação de que o que ouviram vinha realmente do Senhor. Isto não é de se surpreender, pois a responsabilidade do que estavam para fazer era grande. Afinal, Paulo e Barnabé eram dois dos mestres e profetas da igreja (At 13:1) e embora obviamente preferissem manter a dupla na congregação local, estavam dispostos a enviá-los como missionários, mas somente se não tivessem dúvidas quanto à vontade de Deus sobre o plano (1Jo 4:1). Seguiram jejuando e orando e somente os enviaram ao campo missionário quando sentiram a paz necessária, confirmando que de fato o plano vinha de Deus e não dos homens e tendo a garantia da proteção de Deus na missão de Paulo e Barnabé: “Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, os despediram” (At 13:3).

Muitos cristãos agem precipitadamente quando pedem a Deus por direção. Levados pelos desejos do próprio coração, se deixam influenciar pelo inimigo e rapidamente deduzem que aquilo que querem fazer possui a aprovação do Senhor, apenas para descobrirem às vezes tarde demais que na realidade optaram pelos seus próprios desejos e não os de Deus. Assim como os irmãos da igreja de Antioquia, devemos orar e jejuar mesmo após sentirmos que o desejo do Senhor foi revelado, pois assim o fazendo mostramos ao Pai que realmente valorizamos os seus desejos acima do nosso e que queremos ter a certeza de que a voz que ouvimos foi realmente a Dele e não a nossa própria e definitivamente que não foi a voz do inimigo. Grandes homens e mulheres de fé tinham, e continuam tendo, o jejum como um ato de sacrifício e adoração a Deus normal no dia a dia, procurando continuamente pelo seu direcionamento (Sl 35:13; 2Co 11:27).

AVISO:  Por motivo de saúde, nem todos podem jejuar. Se você tiver qualquer problema de saúde ou se tiver qualquer dúvida, o correto é você perguntar ao seu médico se você pode ou não jejuar.

Embora não tenhamos na Bíblia uma lista detalhada do que consiste, entendemos que jejum é não ingerir alimentos: não comer (alimentos sólidos) e não beber (alimentos líquidos, como leite, sucos, café, batidas… etc.) por um tempo determinado. Evidências sugerem que na maioria dos jejuns bíblicos a pessoa bebia água, uma vez que água não é alimento. A experiência de Moisés no Sinai menciona água, mas não foi chamada de jejum, nem por ele, nem por qualquer outro autor da Bíblia pois creio que ele só conseguiu ficar sem água por 40 dias porque estava na presença de Deus (Ex 34:28). O relato de Esdras no retorno dos exilados a Jerusalém também menciona água, mas provavelmente foi um jejum bem curto (Esd 10:6). O nosso maior exemplo, o jejum de Jesus no deserto, foi apenas de alimento (Mt 4:2-3). Mas, se alguém quiser ser contencioso sobre este ponto, não encontrará oposição da minha parte.

Particularmente, eu jejuo uma vez por mês. Não exatamente a cada 30 dias, mas a cada 4 ou 5 semanas. O meu jejum consiste de um período de 24 horas. Eu almoço e só volto a comer na mesma hora do dia seguinte, normalmente do almoço da sexta-feira ao almoço do sábado porque na sexta trabalho de casa e não tenho que enfrentar tráfego. Durante esse período só bebo água. Sei de pessoas que jejuam por períodos maiores e menores do que 24 horas. Conheço um pastor que jejuou por três semanas e uma amiga me disse que pode jejuar no máximo por 12 horas, e alguns, como já disse no aviso acima, não podem jejuar.

O melhor é jejuar em um dia que você possa ficar em casa. Se for possível e for perto, é sempre bom ir meditar em algum local onde for tranquilo e de bela natureza. Neste dia, leia a Bíblia e ore mais do que normalmente você o faz. Fale com o Senhor especificamente sobre tudo aquilo que tem lhe preocupado; sobre todas as suas lutas nesta batalha contra as forças do mal. Peça a Deus que lhe mostre em que áreas da sua vida você pode mudar para que Ele se agrade ainda mais do seu modo de viver (Tg 4:8). Eu sempre peço ao Senhor que me faça ficar mais parecido com Jesus: amar mais as pessoas; saber como orar; ter mais sabedoria; saber controlar a minha boca; mais humildade; mais confiança nele… e algo muito importante, peça ao Senhor que ele se revele mais para você; que ele lhe abra os olhos para você enxergar mais da realidade da vida. Peça que Ele lhe revele coisas espirituais, tal qual nos prometeu em Jeremias: “Clama a mim, e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e insondáveis, que não sabes” (Jr 33:3). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: