🔊 (Parte 7) Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 7: Extração e Transporte (Caminhos Diretos e Rotas Alternativas) [Com Áudio]

Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 7: Extração e Transporte (Caminhos Diretos e Rotas Alternativas)

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Conforme explicado em detalhes no estudo anterior desta série, Satanás precisa de material para nos atormentar, para nos tentar, para fazer com que o cristão procure solucionar por ele mesmo os seus problemas ou procure satisfazer os desejos da carne. O diabo precisa de matéria prima para levar o homem a atuar contrário à vontade de Deus, desanimá-lo na sua caminhada com Jesus e assim afastá-lo do caminho da salvação: “Cada um, porém, é tentado, quando atraído e arrastado pelo seu próprio desejo pecaminoso” (Tg 1:14). Independentemente se este ato pecaminoso é apenas em pensamento ou se é no físico, o inimigo necessita de material para executar os seus ataques. Este material usado pelas forças do mal possui várias fontes, estando algumas delas dentro do nosso controle e outras fora. No último texto o foco foi no material que podemos e devemos controlar. Material este que chega até a mente através dos olhos e ouvidos e cria um “arquivo” — que é a nossa memória — o qual o inimigo utiliza para nos tentar. Certamente que a nossa memória também consiste de material que não temos como controlar a sua entrada, que são os eventos ligados ao cotidiano: casa, escola, trabalho, igreja… etc.

“O inimigo faz de tudo para que a sua vítima não perceba a sua presença e deduza que todos os pensamentos, desejos e sugestões que vêm à mente procedem de si mesma.”

A mera existência deste arquivo, todavia, não é suficiente para que o inimigo atinja o seu objetivo de nos atormentar e nos fazer pecar contra o nosso Deus. Ele precisa nos encorajar a acessar a memória e extrair de lá o material que ele intenciona utilizar no ataque. Somente quando o evento, ou a cena, que ele deseja sobe da memória para o consciente é que ela poderá ser usada na provação. Este processo de extração e transporte de blocos de informação da memória para o consciente, ou pensamento, pode ocorrer tanto de uma forma direta como indireta e são estas duas formas que chamamos de “caminhos diretos” e “rotas alternativas”.

Eu sei que o tema deste estudo pode ser um pouco difícil de entender, mas tudo ficará mais claro com este meu testemunho: Em um outro texto desta mesma série, mencionei um período em que fui alvo de um ataque das forças do mal relacionado com uma pessoa problemática no trabalho. Conforme escrevi, foram muitos dias de lutas espirituais constantes, até que finalmente o Senhor veio ao meu auxílio e esta pessoa mudou para um outro estado e pediu demissão. Durante o ataque, por várias vezes Satanás me fazia lembrar de cenas relacionadas a esta pessoa para me causar insegurança e para sugerir soluções e desfechos pessimistas e assim me levar ao desânimo, medo e ansiedade, sentimentos estes que não condiz com o caminhar dos filhos de Deus, uma vez que o Senhor repetidas vezes nos garante nas Escrituras que cuidará de nós em todas as áreas da nossa vida, se tão somente colocarmos Nele a nossa confiança: “Pois assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: No arrependimento e no descanso, seríeis socorrido; no sossego e na confiança estarias a vossa força. Mas não quisestes” (Is 30:15).

Inicialmente, a qualquer momento do dia ou da noite, o inimigo simplesmente me fazia lembrar da pessoa para começar os seus ataques. Era bem fácil para o maligno forçar-me a entrar em uma sessão de tortura espiritual. Mas à medida que passei a orar mais sobre o assunto, e à medida que comecei a interceder por esta pessoa, seguindo as instruções de Jesus (Mt 5:44), pedindo todos os tipos de bênçãos e de proteção sobre ela, pedindo que Deus abençoasse a sua saúde, o seu casamento, a sua família, as suas finanças, eu notei que o os demônios já não tinham tanto sucesso em me atacar de uma forma direta. Ou seja, assim que a imagem da pessoa vinha à mente eu já começava a orar e conseguia levar o pensamento para uma outra direção. A minha reação era rápida demais e não dava tempo para eles me colocarem na prisão mental que procuram colocar as suas vítimas. O que estes anjos caídos faziam até então era trazer da minha memória as cenas que precisavam para os ataques utilizando o caminho direto. Notando que eu já não caía na tentação com a mesma facilidade, eles então passaram a utilizar as rotas alternativas, para que, sem que eu percebesse, começasse novamente a meditar sobre esta pessoa e retornasse aos seus tormentos espirituais.

As rotas alternativas são caminhos indiretos, mas que no final chegam ao mesmo banco de informação mental que os caminhos diretos. A razão que os demônios mudam para estas rotas, como já disse acima, é para que as suas vítimas não percebam o que está ocorrendo. Este processo pode ser simples ou bem complexo, dependendo do quão alerta da presença do inimigo o cristão se encontra. Usando o mesmo caso da tentação relacionada com o meu trabalho, deixe-me descrever uma sequência de eventos típica deste esquema: o inimigo inicia me trazendo à memória uma festa de aniversário de um amigo da igreja. Até aqui tudo parece normal, sem nenhuma conexão com os seus ataques. Começo a recordar dos detalhes da festa: as pessoas presentes, a música de fundo, a comida, o bolo. Quando chego no bolo da festa, o inimigo sorrateiramente me leva a compará-lo com um bolo que foi servido em uma celebração de ano novo na empresa. Agora penso na comida servida na festa da empresa, na música de fundo, nas pessoas presentes… e aí sem perceber me encontro de novo sob o ataque dos demônios envolvendo a pessoa que é a figura principal da investida espiritual.

O testemunho e o exemplo acima se referem a um ataque ligado ao medo, ansiedade e à falta de confiança em Deus, mas o mesmo processo é usado pelo inimigo em ataques com o objetivo de destruir casamentos, confrontos entre pais e filhos, confrontos nas igrejas, preocupações financeiras, preocupações sobre saúde, e, nestes últimos dias, de uma forma especial em tornar o cristão viciado em todos os tipos de vícios. Ou seja, as forças do mal utilizam deste método em qualquer área da vida que percebem que há uma possibilidade de fazer com que o cristão abandone o caminho da luz e escolha o caminho das trevas, pois o seu objetivo final é que mais e mais almas se unam a eles quando muito em breve forem lançados no fogo eterno (Mt 25:41) que aguarda todos aqueles, anjos ou homens, que optaram por um caminho diferente do caminho de santidade e obediência estabelecido pelo Senhor: “E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para os remidos” (Is 35:8).

O cristão precisa estar em um constante alerta na sua rápida passagem pela terra; ciente o tempo todo de que ele infelizmente nasceu durante uma longa, violenta e impiedosa guerra. Esta verdade é facilmente confirmada por qualquer um, bastando parar para ouvir os frequentes sons de desespero e dores insuportáveis ao nosso redor, sons característicos de zona de guerra (Jo 16:33; Ro 8:18; Tg 1:2-4; 1Pe 5:10). Desespero e dores que, devo salientar, jamais existiriam se vivêssemos em um local de paz (Ap 21:4). Apenas nas últimas semanas, a minha família recebeu a notícia de quatro mortes de pessoas que conhecíamos, todos homens, sendo três destes falecimentos totalmente inesperados, envolvendo pessoas aparentemente saudáveis. Obviamente, o sofrimento que estas mortes causaram às famílias envolvidas é inimaginável. Os e-mails e os pedidos de oração que recebemos diariamente é uma outra prova inquestionável de que todos nós, os que creem em Deus e os que não creem, se encontram completamente envolvidos em um impiedoso conflito pelo controle final do universo. Os ferimentos que carregamos são provas inquestionáveis desse fato (2Co 4:8-10). Sim, reconhecendo ou não, ninguém pode recusar a participar desta batalha espiritual entre o exército do Senhor e as forças do mal. Conforme já disse no início desta série, não existe neutralidade nesta guerra. Todos os seres humanos, homens e mulheres, jovens e idosos, estão automaticamente alistados e são combatentes na ativa em um dos dois lados do conflito.

Queridos, voltando ao assunto principal deste estudo, o objetivo de estarmos sempre alertas e cientes de como o inimigo consegue nos prender nas suas salas de torturas mentais é que desta forma não nos deixaremos levar tão facilmente. Devo mencionar aqui que quando estamos sob um destes ataques, o Diabo faz de tudo para que a sua vítima não perceba a sua presença e deduza que todos os pensamentos, desejos e sugestões que vêm à mente procedem de si mesma. Este detalhe é fundamental para que consigam nos enganar. Um caso bem conhecido nas Escrituras ocorreu com o nosso irmão Pedro, quando ele procurou convencer a Jesus que não fosse a Jerusalém para sofrer e morrer pelos pecados do mundo: “e Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Tenha pena de ti mesmo, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás! Tu me serves de escândalo, porque não entendes das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens” (Mt 16:22-23). Obviamente, o nosso querido Pedro jamais imaginaria que ele estava sendo um porta-voz do Diabo; certamente que pensava que estava sugerindo algo bom para Jesus e que aquela ideia vinha de si mesmo. Quanto mais invisíveis forem os nossos opressores, menos resistiremos aos seus ataques e mais culparemos a situação em que nos encontramos e as pessoas que nos rodeiam. Foi isso o que o nosso irmão Paulo quis dizer quando nos escreveu: “mas a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores das trevas desse mundo, contra a iniquidade espiritual nos altos” (Ef 6:12).

Amados, quando o apóstolo Paulo nos deu o alerta acima, logo a seguir ele nos descreveu a conhecida armadura do cristão, com todas as suas armas de defesa e ataque disponíveis para assim vencermos as investidas das hostes do mal. Neste estudo não temos tempo para descrever todas elas, mas deixe-me apenas mencionar aquela que segundo ele, quando a usamos, podemos apagar todos os dardos inflamados do maligno, que é a fé. Esta fé, como sempre digo, não é uma fé estagnada, mas dinâmica. Esta é a fé que faz com que o cristão tome decisões sérias do lado de Deus. Esta é a fé que habilita os filhos de Deus a sacrificarem grandes coisas para que fique bem claro para todo o universo, físico e espiritual, que verdadeiramente temos um Pai no céu e um Salvador na terra, Jesus, o seu amado filho enviado precisamente para nos resgatar das garras do inimigo (Cl 1:13). Esta é a fé que nos torna corajosos porque amamos e obedecemos ao Senhor em tudo aquilo que Ele nos pede. Se utilizarmos desta fé todas as vezes que notarmos a presença do inimigo, lembrando a nós mesmos que em Cristo somos mais que vencedores (Ro 8:37), então não temos o menor motivo para temer o príncipe deste mundo e suas hostes, “porque maior é aquele que está em [nós] do que aquele que está no mundo” (1Jo 4:4). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: