🔊 (Parte 3) Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 3: Os Ataques Sobrenaturais (Algo Estranho) [Com Áudio]

Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 3: Os Ataques Sobrenaturais (Algo Estranho) por Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

De todos os tipos de ataques à disposição de Satanás, o ataque sobrenatural é o mais possante e difícil de se defender. Este é o motivo que começaremos por ele, e na sequência da série falaremos dos demais. Creio ser a este tipo de ataque que o apóstolo Pedro se referiu quando nos escreveu que não devemos nos surpreender quando algo “estranho”, como uma provação de fogo, vier sobre nós: “Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse” (1Pe 4:12). O adjetivo “estranho” [Grego: ξένος (ksênós)] denota o fato de que quando sofremos este tipo de provação, não conseguimos entendê-la, da mesma forma que quando ouvimos um “estrangeiro” [Grego: ξένοι (ksênói)] falar em um idioma que não conhecemos, não podemos compreender o que ele está falando. A dificuldade de entendimento não está no tipo de tentação, mas sim na sua intensidade. Ou seja, não é que o diabo esteja nos tentando em algo que nunca fomos tentados, mas sim no fato de que somos tentados com tanta força que nos parece impossível resistir, uma força anormal e que sentimos como que completamente vencidos. Estamos o tempo todo cientes do que está ocorrendo, sabemos que estamos considerando, desejando, ou meditando em algo que não nos beneficia em nada; sabemos que estamos agindo contrário à vontade de Deus, e que se cedermos à tentação nos arrependeremos, mas, mesmo assim, nos vemos levados por esta estranha força. O Apóstolo Paulo possivelmente também pensava no mesmo tipo de tentação ao nos escrever: “vejo outra lei nos meus membros, que guerreia contra a lei do meu entendimento e me leva cativo à lei do pecado” (Ro 7:23).

“…a frequência que o assunto vinha à minha mente e a força exercida sobre mim eram completamente ilógicas.”

Este tipo de ataque “estranho” não ocorre com frequência (se fosse o caso, ele não seria estranho), menos para aqueles que continuamente cedem à mesma tentação, pois quanto mais o cristão se rende ao inimigo mais fraco ele fica, tornando-se mais fácil para os demônios executarem esta manobra com sucesso. Por outro lado, cada vez que o cristão, mesmo fraco (2Co 12:10), recusa a ceder, mais frustrados e menos frequentes se tornam os ataques, segundo o que o nosso irmão Tiago nos disse: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4:7). Ou seja, cada vez que, por causa do nosso amor a Deus, oferecemos resistência às investidas do inimigo, não somente ficamos mais fortes, mas também assumimos uma posição ofensiva devido à presença intensificada das hostes angélicas enviadas por Deus. Tornamos o ambiente ao nosso redor um local desfavorável e hostil para o exército das trevas que assim é forçado à retirada: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia” (Sl 34:7-8).

Sendo este o primeiro dos três estudos desta série que lidam com os ataques sobrenaturais, deixe-me explicar a diferença entre estes ataques e os ataques simples. Os ataques sobrenaturais do inimigo diferem dos ataques simples no sentido em que, como já mencionado, não encontramos muita justificativa para a sua magnitude. Deixe-me ser bem claro sobre isto para que ninguém imagine que todas as tentações são idênticas, pois certamente que não são. Todos os dias nós cristãos somos tentados várias vezes de uma forma simples, natural (em virtude da nossa natureza caída), e em várias áreas da nossa vida. Somos tentados a mentir, a nos exaltar perante os outros, a cobiçar, a desejar o mal às pessoas, a magoar os outros, ao desânimo, ao medo, às preocupações, à ganância… e outras tentações semelhantes. Às vezes caímos nestas tentações e às vezes resistimos. Nem sempre o Diabo precisa estar por detrás delas, pois, por nós mesmos somos mais inclinados a agir de acordo com a nossa vontade do que com a vontade do Senhor. Foi por isso que ao ensinar os apóstolos a orar, Jesus lhes instruiu a dizer: “seja feita a tua vontade” (Mt 6:10). O que significa: seja feita a vontade de Deus, que é perfeita e santa, e não a nossa, que é imperfeita e tendenciosa ao pecado.

Para que fique ainda mais claro a diferença, deixe-me dar dois exemplos comuns na vida do cristão: se o cristão fica chateado porque alguém no trabalho o ofendeu, e como consequência durante o restante do dia deseja o mal ao seu colega, mas depois de orar sobre o assunto, pedindo perdão a Deus por ter pecado contra Ele,  um ou dois dias depois já não pensa sobre o ocorrido, então o desejar o mal foi uma tentação simples, da carne, no qual tudo o que ocorreu pode ter vindo ou não do inimigo. Se ele, porém, não consegue parar de pensar no assunto e a todo instante tudo o que ocorreu é projetado de novo na sua mente e como resultado ele se vê continuamente desejando o mal ao seu colega dia após dia, não entendendo o porquê estes pensamentos não vão embora, então é certo que ele está sob um ataque sobrenatural arquitetado e executado por Satanás.

Um segundo exemplo: digamos que o cristão observa que uma colega de trabalho, casada, se vestiu de uma forma indecente e ele por alguns segundos admirou e desejou a mulher do próximo. Durante aquele dia ele se lembrou da mulher, se sentiu incomodado, orou sobre o assunto, pedindo perdão a Deus por ter pecado contra Ele e no outro dia já não pensa sobre o ocorrido, então o cobiçar a mulher do próximo foi uma tentação simples, da carne, no qual tudo o que ocorreu pode ter vindo ou não do inimigo. Se ele, porém, pensa na mulher continuamente e nas horas que menos espera, se ele começa a imaginar todos os tipos de situações pecaminosas com ela, e por mais que queira e ore os pensamentos continuam ocorrendo, podendo parar por um tempo, mas ressurgindo mais adiante, então é certo que ele está sob um ataque sobrenatural arquitetado e executado por Satanás.

Na Bíblia, dois bons exemplos do que estou falando ocorreram em uma mesma família. O primeiro com o rei Davi quando cometeu adultério e assassinato ao cobiçar Betsabá, mulher de Urias e o segundo com Amnon, filho do rei, ao cobiçar e estuprar Tamar, sua meia-irmã. Em ambos os casos, ao considerarmos o desenrolar dos eventos e a seriedade do que fizeram, se vê claramente que houve um ataque satânico sobrenatural extremamente forte contra os dois. Uma verdade especialmente no caso do rei Davi, que mantinha um relacionamento íntimo com o Senhor e que tinha contínuo acesso às revelações de Deus através dos profetas, sacerdotes, e de revelações diretas (1Sm 23:9; 2Sm 23:2). Sem mencionar o fato de que possuía várias mulheres e que a qualquer momento que quisesse poderia adquirir mais esposas ou concubinas de uma forma não pecaminosa, como era o costume da época e conforme o próprio Deus lhe disse através do profeta Natã: “…e te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor para ti… e se isso fosse pouco, te daria mais” (2Sm 12:8). Mas em outros estudos recentes já escrevemos em detalhes tanto sobre o caso de Davi [Estudo] como o do seu filho, Amnon [Estudo].

Os ataques desta categoria podem explorar qualquer uma das fraquezas do ser humano, como na área de relacionamentos, finanças, sexo, saúde… e em todas as outras áreas. Por exemplo, me recordo que cerca de quase dois anos atrás o inimigo me atacou dessa forma através da preocupação e do medo exagerados. Ele utilizou uma pessoa muito difícil no trabalho para me causar uma preocupação quanto à perda do meu emprego. A preocupação foi comum e natural, mas a sua intensidade foi incomum e claramente sobrenatural. Ou seja, a frequência que o assunto vinha à minha mente e a força exercida sobre mim eram completamente ilógicas, sem mencionar o exagero quanto aos possíveis desfechos. Por dias, seguia orando. Me lembro de madrugada, rosto em terra, clamando ao Senhor em desespero por misericórdia. Foi um período de intenso sofrimento e incessante luta espiritual, até que o Senhor veio ao meu socorro e a situação se resolveu, também de uma forma sobrenatural por parte de Deus. Miraculosamente, para surpresa e alívio de todos na empresa, a pessoa problemática mudou para um outro estado e pediu demissão.

Queridos, este tipo de ataque é fortíssimo, cruel e impiedoso. Por isso não creio que o Senhor permita que o inimigo utilize esta arma com total liberdade. Em outras palavras, não creio que os demônios possam atacar a qualquer um, com esta força, a qualquer momento que queiram (1Co 10:13). Existe certamente um controle divino quanto ao uso deste poder sobrenatural que os anjos (neste caso os anjos caídos) possuem sobre nós, seres humanos. Mas quando lhes é permitido, o cristão precisa procurar o auxílio de Deus com urgência, fervor e persistência, pois esta é a única forma que ele sobreviverá: “Na minha angústia invoquei o Senhor, sim, clamei ao meu Deus; do seu templo ouviu ele a minha voz; o clamor que eu lhe fiz chegou aos seus ouvidos” (Sl 18:6).

Amados, mais adiante nesta série, quando falarmos sobre resistência e contra-ataques, explicaremos como podemos desenvolver a nossa habilidade no uso das armas espirituais que o Senhor nos forneceu para serem empregadas contra as força espirituais do mal, tanto durante os ataques sobrenaturais, iguais a este meu testemunhado acima, como também quando somos atacados através da carne, de uma forma simples, os quais não possuem a mesma intensidade dos ataques sobrenaturais. Por agora, deixe-me apenas deixar bem claro que por nós mesmos não temos a menor condição de resistir aos ataques sobrenaturais do inimigo. Os anjos caídos pertencem a uma classe de criaturas superior à raça de Adão, sem mencionar o fato de que enquanto eles nos escutam e veem, nós lutando fisicamente às cegas, somente baseado em indícios e circunstâncias. Mas, isso é somente em se tratando do aspecto físico, porque na realidade a nossa maior arma que é a fé, tem a sua força exatamente porque ela não depende do que se vê (2Co 5:7), mas sim na esperança, dependência e confiança depositada no seu autor e consumador, que é Cristo (Heb 12:2). Ou seja, aquilo que era para ser o nosso ponto fraco nesta batalha, passa a ser a nossa maior vantagem sobre o inimigo. Em Cristo, quando somos fisicamente fracos, nos tornamos espiritualmente fortes (2Co 12:10). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: