🔊 (Parte 8) Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 8: Resistência e Contra-ataque (A Oração Constante) [Com Áudio]

Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 8: Resistência e Contra-ataque (A Oração Constante)

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Em qualquer guerra, uma das formas mais eficazes de destruir o exército inimigo é interrompendo a sua linha de comunicação, muito especialmente interrompendo a comunicação entre os soldados e a central de comando. Se aqueles que estão na frente da batalha não estiverem a par das ordens dos seus superiores, se eles não souberem em que direção devem avançar, se não souberem exatamente quem são os soldados do inimigo, se desconhecem o alvo das suas armas e, acima de tudo, se são ignorantes quanto aos objetivos de cada etapa do conflito, então é certo que os seus oponentes possuem uma imensa vantagem sobre eles, e que, a menos que esta linha de comunicação seja restaurada, e com urgência, muitos soldados perderão a vida desnecessariamente.

“Comunicação contínua implica em dependência. Queremos ouvir de Deus o tempo todo porque frequentemente não sabemos o que devemos fazer.”

A constante comunicação entre o cristão e Deus não é opcional. Na realidade, a oração constante é questão de vida ou morte para todos nós que estamos engajados nesta batalha contra as forças espirituais do mal. Quando o apóstolo Paulo escreveu a sua primeira carta aos cristãos de Tessalônica — na época, parte do império romano e atualmente a segunda maior cidade da Grécia, depois de Atenas — já no encerramento da carta ele nos instruiu que devemos “orar sem cessar!” (1Ts 5:17). Ver também: Ro 12:12; Cl 4:2; Ef 6:18.

Antes de explicar o significado e a função da oração constante no dia a dia do cristão, gostaria de lembrar aos nossos queridos leitores que o filho de Deus não deve jamais relacionar a oração com o fato de que não terá problemas na vida. De fato, ele não deve se surpreender de forma alguma se quando ele orava menos, ou não orava, as coisas pareciam estar melhor do que quando ele passou a orar com mais frequência (Sl 73:3-5;16-17). A razão desta verdade nos deveria ser óbvia. Satanás é astuto. Quando o cristão ora pouco, é do interesse do inimigo que ele continue assim e que de preferência ore cada vez menos, e ainda melhor se parar de orar por completo. Para atingir este objetivo, o diabo dá a ordem para que os seus demônios temporariamente facilitem as coisas aqui na terra para este cristão e dessa forma os seus dias se tornem mais fáceis e agradáveis e ele não veja a necessidade de mudar a sua rotina de oração.

É por causa desta verdade que muitas vezes Deus, na sua bondade, sabendo que caímos nesta armadilha do inimigo, permite que a dura realidade da vida nos atinja e assim acordemos e voltemos a reconhecer que os nossos dias nesta terra estão contados (Jó 4:5; Sl 39:4) e que precisamos do nosso Criador para tudo neste mundo e muito especialmente para sairmos desta terra na certeza de um lugar com Ele no céu: “nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança um caráter aprovado, e um caráter aprovado a esperança; e a esperança não decepciona, porquanto o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos é dado” (Ro 5:3-5). O que o nosso irmão Paulo nos disse aqui é que quando pomos a nossa esperança apenas em Deus, mesmo durante as tribulações, não somos decepcionados e recebemos o Espírito Santo como uma garantia do cuidado e da salvação que vem de Deus (Ef 1:13; 2Co 1:22). Deus é o nosso socorro na angústia e Ele sempre cuidará dos seus filhos, em todas as áreas, mas, é importante que como filhos adultos que somos, entendamos que o nosso Pai procura ver em nós uma confiança irrestrita. Uma confiança que vai além dos altos e baixos da vida. Foi isso o que Jó quis dizer quando lemos: “Ainda que ele me mate, nele esperarei” (Jó 31:19).

Mas voltando ao tema principal deste estudo. No seu dia a dia, o filho de Deus que ainda se encontra aqui na terra, possui duas formas de se comunicar com o Pai que está no céu. Uma é a oração de consagração, que se o Senhor permitir abordaremos no estudo seguinte, e a outra é a oração constante, ou o “orar sem cessar” que Paulo mencionou. A oração constante ocorre com a frequência que o nome sugere: constantemente. Ou seja, o cristão nunca se deve colocar em uma situação em que o seu contato com o Pai possa ser interrompido, por mais curto que seja. E quando ele perceber que esta ruptura está para ocorrer ele deverá imediatamente parar com tudo o que está fazendo e restabelecer a comunicação com Deus, pois nada nesta vida é mais importante do que nos comunicar ininterruptamente com o nosso Criador: “Mas Jesus se retirava para os locais solitários, e ali orava” (Lc 5:16). Nada é mais importante do que consultarmos o nosso Deus em todos os nossos afazeres. Atuar sem consultar a Deus foi e continua sendo um dos maiores erros cometidos pelo povo de Deus: “ Pois este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a instrução do Senhor” (Is 30:9); “Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por um caminho que não é bom, após os seus próprios pensamentos” (Is 65:2).

Comunicação contínua implica em dependência. Queremos ouvir de Deus o tempo todo porque frequentemente não sabemos o que devemos fazer. Queremos ouvir de Deus o tempo todo porque aprendemos da forma mais dolorosa possível que quando tomamos decisões por nós mesmos, quando seguimos os nossos próprios pensamentos, sem ouvir de Deus, quebramos a cara e nos arrependemos em dores e lágrimas: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te apegues no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Pv 3:5-6).

Notemos que a Palavra nos instrui a reconhecer a Deus em todos os nossos caminhos, e não somente naquilo que nos parece mais sério e certamente não apenas quando estamos atravessando um período de problemas, mas sim em todos os nossos caminhos: no caminhar dos dias ensolarados e nos das noites frias e escuras; quando caminhamos nos altos montes e nos mais baixos e tenebrosos dos vales. Em todos os nossos caminhos confiaremos e pediremos o nosso Deus por instruções, confessando a Ele: “Senhor, não sei o que me espera na próxima curva. Tenha misericórdia de mim e vá adiante, vá do meu lado e vá por detrás, pois a minha única segurança é ter a Tua presença por todos os lados”.

Para que não haja dúvidas sobre o que quero dizer com “oração constante”, deixe-me dar aqui o meu testemunho. Já faz alguns anos que comecei a orar de uma forma contínua. Esta oração sem cessar começa assim que acordo de manhã, ou quando acordo à meia-noite para orar (escreveremos sobre esta oração no próximo estudo). Seja à meia-noite ou pela manhã, as primeiras palavras que saem da minha boca, em sussurro é: Jesus, Jesus, Jesus. Às vezes são: Jesus, tem misericórdia! Jesus, tem misericórdia! Jesus, tem misericórdia! Eu não sei porque às vezes é apenas o Nome de Jesus e porque às vezes é pedindo que Jesus tenha misericórdia de mim. É possível que tenha a ver com sonhos que não tenho lembranças, mas realmente não sei. Agora, quando já acordo sendo atacado pelo inimigo, então certamente que invoco pela misericórdia do nosso amado Salvador para que Ele venha me socorrer. A partir daí, sigo orando literalmente o dia todo. Andando até o carro, dentro do carro enquanto ouço a Bíblia, durante o trabalho, enquanto converso com os colegas, durante as reuniões de trabalho, enquanto almoço, e no carro, voltando para casa.

Note que falei acima que começo o dia orando em sussurros. Da mesma forma, sempre que possível, aconselho os nossos leitores a orarem em voz audível, ainda que baixinho ou em sussurros. Eu sei que alguns irmãos receiam orar audivelmente porque imaginam que o inimigo não sabe o que pensam e orar audivelmente seria uma forma de revelar a ele os seus segredos. Em relação à capacidade dos demônios de saber, ou não, o que pensamos, a Bíblia não nos revelou qualquer coisa sobre isso, podendo ser verdade ou não. Assim sendo, qualquer opinião seria apenas isto: opinião de homem. Mas, sabemos sim, que Satanás possui um conhecimento profundo do comportamento humano, uma vez que ele já acumulou cerca de seis mil anos de experiência com a raça de Adão no seu currículo. Ou seja, ainda que não consiga “ler pensamentos” é certo que ele conhece bem o perfil de cada cristão e tem uma boa ideia do conteúdo das suas orações.

Não quero de forma alguma insinuar que não devemos orar em pensamento, pois, obviamente, se vamos orar constantemente haverá momentos em que esta é a única opção viável. Conforme já mencionei acima no meu testemunho, quando estou orando durante uma reunião de trabalho, ou enquanto converso com um descrente, certamente apenas posso orar mentalmente. Mas tirando essas situações especiais, procure orar em voz audível. Se você está sozinho, ore com a sua voz normal. Se tem gente nas proximidades, ore em sussurro, e se estão perto demais, então ore no seu íntimo, mas sempre dê preferência por orar audivelmente, assim como Jesus o fazia (Jo 17:1; Heb 5:7). Recentemente a minha esposa me disse que ouviu de um pregador que um dos motivos que ele ora em voz alta é que assim consegue se manter mais focado na oração e não se distrair tão facilmente. Concordo com ele.

Quanto ao ensino de que devemos orar o tempo todo, ou orar sem cessar, não devemos complicar aquilo que não é complicado. A Palavra de Deus é bem simples e fácil de entender, muito especialmente em se tratando dos ensinamentos essenciais como a oração. Tenho visto líderes ensinando que orar sem cessar é apenas uma “atitude de oração” que o cristão deve ter no seu dia a dia. Este tipo de linguagem teórica, literária, poética, não diz absolutamente nada e em nada contribui para que o cristão consiga enfrentar e vencer os fortes ataques de Satanás e seu impiedoso exército. O inimigo é real, os ferimentos que ele nos causa são reais e as nossas lágrimas também são reais. Da mesma forma, as nossas orações não devem ser apenas “atitudes”, mas também orações reais. Nenhuma batalha será vencida se deixarmos no chão as armas que Deus nos deu e procurarmos enfrentar o inimigo com as nossas atitudes, por mais corretas que elas sejam. Que estes falsos líderes enfrentem o diabo com as suas atitudes se assim o desejarem, mas quanto a nós, seguiremos lutando com as nossas orações.

As orações constantes são geralmente rápidas. Nos anos 80, quando ainda morava em Nova York, me lembro ter ouvido uma pregadora se referir a estas orações como “orações flechas”, pelo fato de que assim como uma flecha sai em alta velocidade das mãos do arqueiro, assim saem estas orações da boca do cristão. Concordo com ela. Com muita frequência uso as orações constantes como uma arma de defesa, como um reflexo natural ao sentir que o inimigo está iniciando um ataque. Muitas vezes, não sei o porquê, começo a orar em voz alta. Simplesmente me pego orando com um senso de urgência. Creio que casos assim ocorrem quando o Espírito Santo, que vê tudo aquilo que não vejo, inicia em mim o pedir por socorro em função de algo ruim que está para ocorrer.

Queridos, a oração constante é necessária, corrigindo, a oração constante é fundamental na batalha contra as forças do mal porque esta é uma batalha onde não existem tréguas. Satanás e seu exército nunca dormem, nunca tiram férias, nunca se cansam. Se existem momentos que nos parece que estamos gozando de um período de paz com o inimigo, isto não passa de uma ilusão, de uma estratégia do maligno para que, crendo haver paz, baixemos a guarda e fiquemos despreparados para os seus novos ataques. Aliás, esta ideia de que estamos em paz, quando de fato não estamos, vem acompanhando o povo de Deus já há muito tempo. Esta é uma mensagem agradável que muitos querem ouvir, e de fato muitos líderes assim o pregam, mas infelizmente a realidade é que enquanto estivermos vivendo no mundo que tem a Satanás como o seu príncipe, não teremos paz: “Também se ocupam em curar superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jr 6:14).

Amados, eu sei que a ideia de uma incessante batalha neste mundo não soa bem. Sei que a ideia de que existe um forte inimigo querendo continuamente nos destruir, não agrada. Sei disso porque a mim mesmo não agrada. O ponto, no entanto, não é se esta afirmação nos agrada ou não, mas sim se procede de Deus. Quanto a esta possível dúvida, basta notarmos o que Jesus disse a Simão Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás pediu para vos peneirar [a todos os apóstolos] como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lc 22:31-32). Notemos também aquilo que esse mesmo Pedro, anos depois nos escreveu: “Estai alertas, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa devorar” (1Pe 5:8). Esta palavra “vigiai” no Grego é: γρηγορέω (grégoreó), e possui como principal significado o ficar acordado durante a noite, assim como fica o indivíduo que trabalha como guarda-noturno. A sua função é observar e defender a área que foi a ele confiada. Da mesma forma, nós, que por enquanto estamos vivendo em território invadido pelo inimigo, devemos vigiar, dia e noite, em constante contato com o nosso Pai e em completa obediência às suas ordens. Sigamos orando continuamente. Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: