🔊 (Parte 2) Série: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 2: A Batalha (O Cristão Ingênuo) [Com Áudio]

(Parte 2) Série: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 2: A Batalha (O Cristão Ingênuo)

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Antes de começarmos a lidar com os ataques e contra-ataques existentes nesta guerra espiritual entre as forças do bem e as forças do mal, teremos primeiro que explicar a situação em que uma grande parte do cristianismo se encontra. Muitos dos nossos irmãos, embora se perguntados reconheçam que realmente existe um conflito sendo travado, na prática vivem como pessoas ingênuas, neutras, recusando a tomar partido nessa guerra. São uma espécie de objetores de consciência do mundo espiritual. Ou pior, estes irmãos vivem como civis circulando indevidamente em um campo de batalha, recebendo golpes de todos os lados sem reconhecer de onde vêm ou porquê estão sendo alvos de algo que imaginam não ter qualquer participação; como se fossem vítimas de balas perdidas e os ferimentos que frequentemente sofrem fossem na realidade dirigidos a outros. Realmente eles estão completamente despreparados para o maior conflito que a humanidade já participou, mas despreparados ou não, todos eles se encontram no meio do fogo cruzado do mundo espiritual.

“Ignorar a existência desta batalha ou se manter desinformada não isenta a pessoa de participação.”

Conforme já bem explicado no estudo anterior, todos os seres humanos fazem parte desta guerra, quer queiram quer não. Quando Adão e Eva decidiram satisfazer a sua própria vontade e não a vontade de Deus, e em completa desobediência comeram do fruto que lhes foi claramente dito para não comer, houve um rompimento de relação entre a raça humana e o Criador: “mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça” (Is 59:2). Naquele instante, Deus poderia muito bem nos ter entregue aos cuidados de Satanás, uma vez que preferimos ouvir a ele do que a Deus. O nosso amado Pai poderia nos ter abandonado e deixado que o inimigo fizesse o que bem quisesse conosco, uma vez que assim como o maligno nos tornamos servos do pecado e filhos das trevas (2Co 4:6; Jo 3:20; At 26:18). É difícil sequer imaginar o que teria sido de nós se tal coisa tivesse ocorrido; se o Senhor nos tivesse dado ao príncipe das trevas. Louvado seja o nosso bondoso Deus, cuja misericórdia está além de todo o entendimento, que pela sua maravilhosa graça providenciou uma forma de nos resgatar das garras do inimigo e prometeu nos enviar o seu Filho unigênito, Jesus, para nos salvar.

Ao prometer o envio do Messias, Deus declarou que haveria uma batalha e que o Diabo não levaria todos da raça humana junto com ele para o seu destino final, o inferno, como gostaria. Sim, haveria uma batalha e todo aquele que decidisse se unir à Luz e renunciasse a sua lealdade às trevas, Deus o resgataria e o faria um soldado para o bem. Jesus foi enviado: “para lhes abrir os olhos a fim de que se convertam das trevas à luz, e do poder de Satanás a Deus” (At 26:18).

Só existem dois lados nesta batalha entre a Luz e as trevas. Ao nascer, todo o homem herda a natureza rebelde de Adão e é, portanto, um inimigo de Deus e um soldado das forças do mal: “Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). Desde o berço, todo o ser humano é um alistado para o exército de Satanás sem mesmo se dar conta, e consequentemente as forças do mal possuem uma imensa tropa à sua disposição entre todos os filhos de Adão. De fato, na sua totalidade, são poucas as pessoas que não servem ao inimigo, muito embora se perguntadas, praticamente ninguém concordará com essa verdade. Isso, porém, foi o que o próprio Jesus nos disse: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha” (Mt 12:30).

Observemos aqui, que Jesus claramente delineou apenas dois grupos entre os seres humanos: um que está com Ele e ajunta e um que está contra Ele e espalha. Ou seja, por mais que a pessoa imagine, não existe a possibilidade de que alguém viva de tal forma que não seja um soldado na ativa, ou de Deus ou do Diabo. Ignorar a existência desta batalha ou se manter desinformada não isenta a pessoa de participação.

Este estudo sobre o cristão ingênuo, ou ignorante, ou passivo, ou neutro, não fazia parte do plano original para esta série, mas senti que era imprescindível incluí-lo, e logo no início, para que os nossos leitores que se encontram nesta situação, reconheçam o erro, se posicionem devidamente nesta guerra, e o restante da série lhes seja de algum benefício. Pois, que vantagem haveria em se falar de ataques e contra-ataques para alguém que desconhece fazer parte de um conflito?

A maior parte das igrejas atuais ignoram por completo, ou quase por completo, a existência de uma batalha espiritual e da participação, ainda que inconsciente, dos seus líderes e membros nesta guerra. E, obviamente, se a batalha é ignorada, ignorada também é a razão da sua existência e o seu objetivo. São poucos os cristãos nos nossos dias que realmente entendem que o que está em jogo é o seu futuro eterno, pois, se entendessem não aceitariam e nem frequentariam o ambiente de celebração e festa que comumente se vê no meio cristão moderno.

Nestes últimos dias, as mensagens dos púlpitos focam nas bênçãos que os cristãos supostamente recebem no presente. A liderança se concentra em oferecer um ambiente atrativo e excitante, através das músicas, instrumentos, luzes, danças, dramas, fumaças e coisas semelhantes. Direta ou indiretamente, ensinam aos seus membros que a vida cristã consiste de um posicionamento passivo e altamente emocional diante de Deus, tendo como principal objetivo a felicidade no mundo atual. Vida eterna e morte eterna, céu e inferno, são temas raros, quando deveria ser de fato um ponto permanente nas nossas mensagens, assim como o era em todas as mensagens de Jesus: “andava Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus” (Lc 8:1). “Desde então começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4:17). “Depois vieram também as outras virgens, e disseram: Senhor, Senhor, abre para nós. Ele, porém, respondeu: Em verdade vos digo: não vos conheço.” (Mt 25:11-12)”. “Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25:34). “E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16:24). “os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (Jo 5:29). Ver também: Mc 9:43-45; Lc 13:28.

Queridos, depois de ter escrito tudo isso, não posso terminar sem deixar bem claro qual deve ser o posicionamento do cristão nesta batalha espiritual contra as forças do mal. O mais importante é que haja uma definição quanto ao lado que ele se encontra. Este ponto é fundamental e é exatamente aqui que milhões cometem o erro fatal em imaginar que estão entre os justos e lutando do lado de Deus, quando de fato são iníquos e estão lutando contra o exército do Senhor: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome expelimos demônios? E em teu nome fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:22-23).

Pensemos um pouco no verso acima. Certamente que estas pessoas não praticavam a iniquidade de uma forma consciente e intencional, sabendo que tal comportamento os levaria ao inferno; certamente que se imaginavam salvos, uma vez que possuíam evidências de que Deus estava com eles, como o dom de profecia, de libertação e de milagres. Após ter dito estas fortes palavras de exortação, Jesus concluiu nos dizendo “Assim, todo aquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, eu o compararei a um homem sábio, que edificou sua casa sobre a rocha” (Mt 7:24). Vemos aqui então, queridos, que ser um soldado de Deus não depende da igreja que frequentamos, não depende de um consentimento mental ou das palavras que saem da nossa boca e incrivelmente não depende sequer de sinais miraculosos que Deus realiza através do nosso ministério, mas somente em colocarmos em prática as palavras de Jesus. Ou seja, somente quando obedecemos a tudo aquilo que Jesus nos ensinou, abandonamos todos os outros interesses deste mundo em trevas, e o seguimos fielmente, somente então nos tornamos soldados do exército do Senhor, caso contrário, lutamos a favor do inimigo. Não existe meio termo: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6:24). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:

  • Estudo Nº 1 – A Batalha (Introdução).
  • Estudo Nº 2 – A Batalha (O Cristão Ingênuo).
  • Estudo Nº 3 – Os Ataques Sobrenaturais (Algo Estranho).
  • Estudo Nº 4 – Os Ataques Sobrenaturais (Além do que Podemos Aguentar).
  • Estudo Nº 5 – Os Ataques Sobrenaturais (Resistir ao Diabo).
  • Estudo Nº 6 – Os Ataques Simples (Dos Olhos e Ouvidos à Mente).
  • Estudo Nº 7 – Os Ataques Simples (Caminhos Diretos e Rotas Alternativas).
  • Estudo Nº 8 – Resistência e Contra-ataque (A Oração Constante).
  • Estudo Nº 9 – Resistência e Contra-ataque (A Oração de Consagração).
  • Estudo Nº 10 – Resistência e Contra-ataque (O Jejum Regular).
  • Estudo Nº 11 – Resistência e Contra-ataque (A Prática da Palavra).
  • Estudo Nº 12 – Conclusão.