🔊 (Parte 6) Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 6: Os Ataques Simples (Dos Olhos e Ouvidos à Mente) [Com Áudio]

Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 6: Os Ataques Simples (Dos Olhos e Ouvidos à Mente) por Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Até aqui nesta série sobre os ataques das forças espirituais do mal falamos dos ataques sobrenaturais, que são aqueles os quais os anjos caídos não precisam de nenhum material preexistente para executá-los, eles simplesmente o fazem usando do poder sobrenatural de persuasão que possuem sobre os homens. Explicamos que estes ataques não ocorrem com frequência, mas quando ocorrem, sua intensidade é tal que muitas vezes temos a impressão de que não aguentaremos seguir adiante (1Pe 4:12). Neste estudo, no entanto, falaremos dos ataques simples, da carne, que são as tentações mais corriqueiras e também definitivamente mais fracas e relativamente mais fáceis de resistir do que os ataques sobrenaturais.

“Jesus não possuía nenhum material disponível na mente o qual Satanás pudesse utilizar nas suas investidas.”

Os ataques simples das forças do mal contra os seres humanos dependem em grande parte do “banco de dados” que todo o homem possui na mente que é a sua memória. Quero dizer com isto que no decorrer dos anos, todos nós, com poucas exceções, permitimos que o inimigo criasse um grande arquivo de material na nossa mente que ele pode usar, e geralmente o usa, a qualquer momento que lhe for conveniente. Satanás é um especialista em reciclagem de material já arquivado e infelizmente não existe arquivo morto para o inimigo das almas. Eu mesmo me recordo de vezes em que o inimigo utilizou de cenas de filmes que assisti, de livros que li, e de coisas que eu fiz, quando ainda era adolescente, para assim me infernizar com os seus ataques.

Devemos entender, todavia, que muito embora as forças espirituais do mal utilizem de qualquer conteúdo mundano existente na nossa mente como matéria-prima para nos tentar e assim nos levar a pecar, mesmo que sejam coisas antigas, os seus ataques são bem mais eficazes quando o material disponível é novo, recém-memorizado. A razão disto é que com o tempo as cenas gravadas na mente perdem muito dos seus detalhes e os demônios precisam nos forçar a reconstruí-las ou precisam preencher as lacunas com detalhes inventados por eles mesmos para que as cenas se tornem mais reais para nós e lhes sejam de melhor uso. Tudo isso leva tempo e perde parte do impacto inicial desejável, além de correrem o risco de nos alertarem quanto às suas manobras e assim resistirmos, clamarmos pelo auxílio do Senhor, e escaparmos das investidas (Jr 29:12; Sl 50:15; Sl 145:19; Ro 10:13). Lembremos que o anonimato é uma grande vantagem que os demônios possuem sobre nós. Quanto menos reconhecemos a sua existência, ou identificamos os seus ataques, maior a possibilidade de atingirem os seus objetivos.

Jesus não possuía nenhum material disponível na mente o qual Satanás pudesse utilizar nas suas investidas. Certamente que Jesus sabia de todos os males existentes no coração humano (Jo 2:24; Jo 6:64), e certamente que Ele sabia de todos os tipos de pecados existentes no universo, mas Ele mesmo jamais participou de qualquer um e assim sendo, o seu conhecimento era meramente conceitual e não empírico, ou vivencial. As tentações contra Jesus não podiam ter como base as suas quedas no passado, uma vez que Ele nunca caiu (2Co 5:21; Heb 4:15). Podemos confirmar esta verdade quando notamos que ao tentar a Cristo no deserto, o material usado por Satanás não foram cenas que Jesus tinha na mente, mas sim que Ele interrompesse a dependência do Pai e por si mesmo suprisse as suas necessidades. No final, em desespero, o Diabo procurou enganar a Cristo descontextualizando as Escrituras. Obviamente, porém, se o maligno conhecia a Bíblia, Jesus a conhecia muito mais e o “está escrito” fora do contexto que o inimigo utilizou foi derrubado por Jesus com o “está escrito” correto e o inimigo teve que se retirar: “Assim, tendo o Diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna” (Lc 4:14).

Um dos maiores objetivos de todo aquele que anda com Jesus nesta vida deve ser obedecê-lo em tudo e possuir a mente pura e santa do seu Mestre. Foi isso o que o nosso irmão João quis dizer quando nos escreveu: “Aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou” (1Jo 2:6). Um dos alvos mais elevados que devemos ter é que o inimigo não encontre material mundano na nossa mente o qual ele possa usar para nos tentar. Se não podemos apagar as cenas que lá já se encontram, definitivamente não devemos intencionalmente adicionar outras mais recentes ao arquivo e assim ajudá-lo nos seus ataques (Cl 3:1-2).

A mente humana é como uma esponja na sua capacidade de absorver tudo aquilo que ela entra em contato. Se colocarmos uma esponja em contato com uma água filtrada, limpa, ela se encherá de um líquido limpo, da mesma forma que, se a colocarmos em uma saída de esgoto, ela se encherá com o tipo de líquido que se espera vir de um esgoto. Seria totalmente ilógico e absurdo se alguém esperasse que ao retirar a esponja do esgoto ela estivesse livre de contaminantes e demais conteúdos nojentos e fétidos que são típicos do ambiente. Seria ainda mais absurdo, se não completa loucura, que este mesmo alguém esperasse que ao espremer esta esponja tirada do esgoto sobre um copo, dela saísse água limpa e própria para o consumo.

Ilógico, absurdo e loucura, no entanto, é exatamente dessa forma que age uma boa parte do cristianismo nestes últimos dias. Multidões entre o povo de Deus se iludem com a ideia de que possuem uma mente que agrada a Deus, uma mente em que o Espírito Santo estabeleceu residência, contudo, eles diariamente procuram encharcar a mente com tudo aquilo que não vem de Deus. O que se pode dizer destas pessoas? Que o Espírito do Senhor realmente vive neles, lado a lado com os seus lixos diários, lado a lado com todas as suas imundícies, com todo o mundanismo, com toda a carnalidade? Com todo o “satisfazer ao eu”? Não é mais correto dizer que embora o Espírito Santo realmente desejasse fazer do seu corpo um templo e lá residir, no entanto Ele é impedido pelo lixo que lá se encontra e cujo proprietário recusa a fazer uma faxina? A Palavra é clara que não existe nenhuma comunhão entre o Espírito de Deus e o espírito do mundo: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus” (1Co 2:12). Ver também Ro 8:5-6 e 2Co 6:14.

Quando pensamos na experiência de Jesus no deserto, somos inclinados a crer que como seres pecaminosos, como pessoas que já caíram tantas vezes no passado, a nossa mente já se encontra tão poluída que o inimigo sempre encontrará um vasto material disponível para os seus ataques. Este tipo de pensamento, no entanto, desconsidera o maravilhoso atributo de Deus, que é a Sua disponibilidade em perdoar e restaurar todo o homem que se arrepende. Ou seja, muito embora seja verdade que o nosso estoque de material imundo seja grande, o nosso amado Pai nos promete que se verdadeiramente desejarmos um relacionamento íntimo com Ele, e se verdadeiramente estivermos dispostos a abandonar a forma como vivíamos e seguirmos agora em um caminhar santo, tal qual Ele nos pede, então seremos restaurados: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã” (Is 1:18). Sim, o nosso maravilhoso Deus se deleita em transformar a nossa mente poluída e hostil, em um templo limpo e compatível com a sua santa presença. Todo aquele que verdadeiramente ama ao seu filho amado, Jesus, e o demonstra obedecendo às palavras de santificação que Ele nos deu, se tornará residência do Senhor. Isso foi o que o próprio Jesus nos disse: “Se alguém me ama, obedecerá às minhas palavras; e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14:23).

Queridos, imploro que todos vocês comecem imediatamente a policiar tudo aquilo que entra na sua mente através dos olhos e ouvidos. Sim estes são os órgãos dos seres humanos por onde entra quase tudo aquilo que polui a nossa mente. Não existe nada misterioso quanto a este fato. Na realidade tudo isso deveria ser óbvio para todo aquele que ama a Jesus e que espera a qualquer momento ser chamado para morar com Ele nas mansões celestiais.

Como a maioria de vocês já sabem, já há anos eu e minha esposa fomos levados pelo Senhor a fecharmos os nossos olhos e ouvidos a todo o lixo que o príncipe deste mundo nos oferece diariamente. Não nos faz falta alguma, muito pelo contrário. Agora que acostumamos a ficar sem televisão e rádio, nem consideramos a possibilidade de voltarmos a nos interessar por filmes, seriados, shows, noticiários, esportes e tudo o mais que antes poluíam a nossa mente e bloqueavam a presença do Espírito Santo. Deixe-me também esclarecer que não existe nada de especial em nós. Somos pessoas como todos (ou quase todos) vocês. Vivemos em uma grande cidade e não nas montanhas; moramos em um condomínio e não em cavernas; comemos de tudo e não nos alimentamos de mel e gafanhotos; dirigimos carros e não carruagens. Ou seja, estudamos, trabalhamos e vivemos o nosso dia a dia como uma família típica de qualquer cidade. Estamos no mundo, certo, mas não pertencemos a ele. Se podemos nos abster dos prazeres mundanos deste século a favor de um relacionamento íntimo com o Pai, então qualquer um também o pode. Não existe desculpas.

Queridos, concluo este estudo da série relembrando aquilo que disse logo no começo do texto. Os ataques das forças do mal contra o cristão adquirem grande força porque infelizmente uma boa parte dos nossos irmãos e irmãs ainda não acordaram para a realidade de que são eles mesmos que fornecem aos demônios a matéria-prima necessária para os seus ataques, através dos seus olhos e ouvidos. O nosso amado Jesus sempre foi e continua sendo o nosso grande exemplo. Devemos viver como Ele vivia quando esteve aqui entre nós. O contínuo foco de Jesus era agradar ao Pai e não a si mesmo e, portanto, tudo aquilo que fazia era para Deus: “Aquele que me enviou está comigo; não me tem deixado só; porque faço sempre o que é do seu agrado” (Jo 8:29). Por que Deus sempre estava com Jesus? Por que Jesus nunca estava só? Repito a sua resposta: “porque faço sempre o que é do seu agrado”. Vamos começar imediatamente a dificultar o trabalho de Satanás? Vamos parar de renovar o material sujo que se encontra arquivado na mente? Vamos parar de viver para agradar ao eu? Vamos parar de nos alimentar daquilo que o príncipe deste mundo nos oferece e sim do alimento santo que vem do Pai? “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra” (Jo 4:34). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: