🔊 (Parte 5) Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 5: Os Ataques Sobrenaturais (Resistir ao Diabo) [Com Áudio]

Serie: Combatendo as Forças Espirituais. Estudo Nº 5 – Os Ataques Sobrenaturais (Resistir ao Diabo)

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Uma das verdades da Bíblia que mais alegra o cristão é que o Diabo, mesmo sendo ele um ser tão poderoso, pode ser vencido por nós, simples e fracos seres humanos. Quando pensamos no poder que este anjo caído possui, quando calculamos o tamanho do seu exército e quando consideramos as vantagens que seres espirituais possuem sobre nós, criaturas limitadas pelo corpo físico, a possibilidade de sairmos vencedores nesta batalha contra as forças do mal seria considerada absurda se não fossem palavras como estas que o nosso irmão Tiago nos escreveu: “Submetei-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4:7).

“Para que possamos resistir ao Diabo e assim fazê-lo fugir, teremos que primeiro nos submeter a Deus.”

Nos últimos dois estudos desta série que lidam com a batalha que está sendo travada hoje mesmo entre as forças espirituais do bem e as forças espirituais do mal, falamos sobre os ataques sobrenaturais. Estes são ataques que possuem como característica o uso do poder de persuasão que anjos podem exercer sobre o homem. Todos os anjos possuem este poder, mas certamente que os anjos que continuam leais a Deus não o utilizam, pois se o fizessem, invadiriam o livre arbítrio que o Criador deu a todas as suas criaturas. Os demônios, porém, que já há anos abandonaram a sua fidelidade a Deus para se unirem ao seu líder, Satanás, não veem nenhum problema em influenciar e torturar os homens com este poder sobrenatural e são limitados tão somente pelo próprio Deus, que pode permitir ou não que assim o façam. Este fato pode ser facilmente verificado no caso do rei Acabe, quando um destes espíritos de falsidade pediu permissão a Deus para influenciar o rei e seus profetas a crerem em uma mentira: “Então saiu um espírito, apresentou-se diante do Senhor, e disse: Eu o enganarei. E o Senhor lhe perguntou: De que modo? Respondeu ele: Eu sairei, e serei um espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Ao que disse o Senhor: Tu és capaz de enganar o rei, vá e faça isto” (1Rs 22:21-22).

Existem vários motivos que Deus permite que os anjos caídos utilizem deste poder sobre nós, mas este não é o assunto do presente estudo, e, portanto, mencionarei apenas um que é relevante ao tema desta série. Deus permite que o cristão passe por estes ataques sobrenaturais para que amadureça. Ou seja, para que cresça; para que enxergue a realidade de que a vida tal qual vivida pela grande maioria não passa de uma ilusão, desenhada, arquitetada e oferecida pelo príncipe deste mundo. Minha experiência com este tipo de ataque é que realmente observamos no final que aquilo que o mundo oferece não passa de vaidade e uma corrida atrás de vento (Ec 1:14). Sim, pura vaidade e futilidade, mas o maligno oferece e o homem carnal recebe com alegria, pois ambos amam as trevas (Jo 3:19). O mundo atual é um mundo de mentiras, onde o ser humano vive dia após dia correndo atrás dos seus desejos e ambições; repetidamente tomando decisões baseadas somente na farsa, na ficção e na fantasia. Esta verdade sobre o príncipe deste mundo, Satanás, nos foi revelada pelo próprio Jesus: “ele nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira” (Jo 8:44).

Notemos que as instruções do apóstolo Tiago sobre o que devemos fazer para que o Diabo fuja de nós consiste de duas atitudes opostas, mas que ambas deverão ser tomadas: submissão e resistência. Estas duas palavras possuem uma aplicação militar, que veremos a seguir como se aplicam ao nosso caso.

Quando um rei de um pequeno país é informado que dois poderosos reis se aproximam de direções diferentes com os seus exércitos para disputar pelas suas terras, ele precisa tomar uma decisão rápida e inteligente quanto à qual dos reis ele se submeterá e à qual resistirá. Ele não tem condição de defender o seu reinado por si mesmo, portanto terá que propor um tratado de paz, uma aliança, com um deles, tornando-se assim seu amigo e se assegurando que receberá a devida proteção. Ao fazer isto, porém, decretará abertamente inimizade com o outro. No caso do cristão, ele precisa decidir quanto às duas forças que lutam pela sua lealdade: Deus ou o Diabo. Para que possamos resistir ao Diabo e assim fazê-lo fugir, teremos que primeiro nos submeter a Deus. Jesus nos falou sobre este tipo de submissão utilizando também de uma ilustração sobre um rei fraco e um rei forte: “ele enviará uma delegação, antes que o rei mais forte chegue, e pedirá um acordo de paz. Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:32-33). Ou seja, para a pessoa que quer ter a Deus como aliado nesta batalha não basta simplesmente pedir um acordo de paz, mas também terá que haver uma renúncia para que o pedido seja aceito. Repito: sem renúncia não há acordo.

Sem sombra de dúvidas, a submissão a Deus conforme Jesus nos disse logo acima requer uma atitude radical da nossa parte. A palavra renunciar usada por Jesus no grego é ἀποτάσσω (apotasó), que se trata da união da preposição ἀπό (apó), cujo significado é “sair” ou “se despedir”, com o verbo τάσσω (tasó), que significa colocar em ordem, e daí temos a combinação: (apotasó): Pôr em ordem e sair, ou abandonar, ou renunciar. O que podemos deduzir no contexto do que Jesus disse é que o rei fraco terá que organizar todos os seus bens: ouro, móveis, servos, roupas e tudo mais que possui, depositar em um determinado local, talvez em uma praça, ou um grande armazém, e logo a seguir terá que sair de lá, ou se despedir de tudo aquilo, para que o rei forte venha, inspecione, conte tudo, e tome posse, deixando o rei (que agora é seu protegido) destituído de todos os seus bens.

O nosso Mestre nos alerta que apenas teremos a Deus do nosso lado neste conflito se nos esvaziarmos por completo de tudo aquilo que valorizamos neste mundo (Mt 10:37). É a entrega das nossas posses que determina a nossa submissão: “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6:21). Se o cristão imagina que conseguirá resistir aos ataques do Diabo, sem que seja necessária uma completa submissão, ou sujeição, àquilo que Deus exige ele está enganando a si mesmo. Voltando à analogia dos dois reis, se o rei fraco que pediu o acordo de paz não cumprir as normas do acordo, se ele insiste em reter parte daquilo que possui, então o tratado será rescindido e a proteção retirada, deixando-o à mercê do outro invasor.

Queridos, eu sei que estas são palavras fortes e que muitos gostariam que houvesse uma maneira mais agradável de resistir ao Diabo. Eu sei que este requerimento de “renunciar a tudo que possui” que Jesus estipulou soa para muitos como um preço demasiadamente alto para termos a Ele do nosso lado nesta batalha. Infelizmente também sei que existem muitos líderes pregando um evangelho que discorda e que se opõe às palavras do nosso amado Jesus. O Senhor já determinou a posição deles no Reino (Mt 5:19). Eles são falsos mestres que insistem ser possível resistir ao Diabo sem se sujeitar a Deus. Podem não falar isso abertamente, eu sei, mas, na prática, e no exemplo de vida, isto é de fato o que ensinam, pois como pode alguém se sujeitar a Deus sem uma entrega total e uma completa obediência a tudo aquilo que Ele nos falou? Como pode alguém seguir a Jesus se o seu coração continua repleto dos tesouros deste mundo? Quando a sua mente continua focada em tudo aquilo que o príncipe deste mundo oferece: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4:4). Somente quando verdadeiramente nos sujeitamos ao Senhor teremos acesso à sua verdade e é esta verdade que usaremos como uma arma capaz de vencer os ataques sobrenaturais do inimigo.

Conforme já explicado, os ataques sobrenaturais são baseados e dependem exclusivamente da mentira. O inimigo não possui a capacidade, e nem se interessa, em oferecer ao ser humano qualquer benefício real. Tudo aquilo que ele oferece, desde o começo no Jardim do Éden, não passa de mentiras: “Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis” (Gn 3:4). Um ponto chave dos seus ataques é persistir nas suas ofertas, exibindo cenas atrativas e resultados positivos na mente do homem, até que, por fim, ele acredite que realmente receberá algo de bom, algo vantajoso, se seguir os conselhos desta antiga serpente. Isso foi exatamente o que ele fez no Éden: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu; e o deu a seu marido, e ele também comeu” (Gn 3:5-6).

Irmãos, concluindo esta seção da série, deixe-me ser o mais claro possível sobre dois pontos de suma importância. O primeiro é quanto à seriedade dos ataques sobrenaturais do inimigo. Se o cristão não procurar se fortalecer contra eles o resultado inevitável é a entrega por completo ao pecado e como consequência o distanciamento de Deus. Não se iludam, o Diabo nunca fica satisfeito com uma vitória parcial nesta batalha. Todos os seus ataques possuem como alvo final que o homem rejeite a Deus e procure um caminho próprio, assim como ele mesmo o fez quando ainda morava entre os anjos do Senhor (Ez 28:15). Também não devemos nos deixar levar pelo orgulho espiritual, crendo que devido à nossa caminhada com Deus no passado estamos imunes a uma derrota no presente. Isso foi o que o nosso irmão Paulo quis dizer com as palavras: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe para que não caia” (1Co 10:12). Ainda sobre a altivez de espírito, recordemos das palavras de Pedro a Jesus: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo algum te negarei” (Mt 26:35).

O segundo ponto que quero salientar é quanto à verdade e à submissão. A verdade é a nossa principal arma contra o pai da mentira, e é a submissão a Deus que nos dá acesso à verdade.  O homem que não se submete a Deus pode pensar que tem a verdade, e de fato muitos realmente não só pensam como também pregam aquilo que para eles é a verdade, mas Jesus foi claro que a verdade só se obtém através de um relacionamento pessoal e íntimo: “e conhecereis [Grego: γινώσκω (ginosko) = Verbo: conhecer] a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). O verbo γινώσκω significa conhecer intimamente. Este foi o mesmo verbo usado por Maria quando disse ao anjo Gabriel que não poderia se engravidar porque não conhecia (γινώσκω) homem (Lc 1:34). Ou seja, a verdade que liberta a que Jesus se refere não se trata de uma mera leitura e entendimento das suas palavras, mas sim de um conhecimento que naturalmente ocorre devido ao amor e à intimidade com o nosso Salvador, assim como ocorre entre o marido e a esposa que se amam e são íntimos. Este conhecimento da verdade, por sua vez, naturalmente resulta em uma completa obediência: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14:23).

Em suma, amados, os ataques sobrenaturais das forças do mal são resistidos e vencidos através da verdade. Quando estiverem sob um destes fortes ataques, primeiramente lembrem-se que ele está ocorrendo porque o Senhor o permitiu, e somente o permitiu para que vocês, que são seus filhos queridos, se beneficiem com a experiência, pois Deus permite que sejam provados “para que cresçam na perfeição, não faltando em coisa alguma” (Tg 1:4). E em segundo lugar, se apeguem na verdade que liberta. Mesmo na fraqueza, procurem lembrar que tudo aquilo que vem do inimigo é falso. Se ele promete o mal, isso é falso, e se ele promete o bem, isso também é falso. Clamem pelo nome do Senhor da verdade e se agarrem à verdade, e serão libertos: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: