🔊 (Parte 10) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 10: A Igreja Primitiva e a Obediência. [Com Áudio]

 (Parte 10) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 10: A Igreja Primitiva e a Obediência. [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

A vinda do Messias era algo que todos em Israel aprendiam desde criança que um dia ocorreria. À medida que os anos iam passando, e a pessoa se tornava um adulto, no entanto, as esperanças de que um dia o Messias aparecesse entre eles diminuíam e tudo parecia mais uma lenda do que uma realidade. Mesmo assim, devido à religiosidade integrada na cultura hebraica, em diferentes graus, a vinda do Messias estava sempre na mente de todo o verdadeiro judeu. De vez em quando surgia rumores de que alguém, em algum lugar em Israel, demonstrava sinais de que era o tão esperado Messias [Gr. Χριστός (Cristós) Trd. Cristo. Orígem: χρίω (crio) Trd. ungir, ugindo]. Isso foi o que ocorreu com João Batista. Quando alguém assim surgia, as autoridades eclesiásticas procuravam averiguar se de fato o indivíduo era o “ungido de Deus”: “E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: quem és tu? Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo” (João 1:19-20).

“O sinal de que alguém é de fato uma das ovelhas de Jesus não é simplesmente o ouvir, mas sim o seguir como resultado do que foi ouvido.”

Quando Jesus, um jovem nazareno de apenas 30 anos, apareceu pregando o evangelho do Reino de Deus na região, muitos duvidaram porque simplesmente estavam cansados de supostos messias que apareciam e que sempre acabavam decepcionando o povo. Esta foi a reação inicial até mesmo de Natanael, que viria a ser um dos seus apóstolos: “Filipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de achar aquele de quem escreveram Moisés na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José. Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa boa vinda de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem e vê” (João 1:45-46). Na realidade, até mesmo alguns dos parentes de Jesus questionavam se de fato ele era o Messias: “Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, quando procura ser conhecido. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Pois, nem seus irmãos criam nele” (João 7:3-5).

As dúvidas quanto a Jesus, se ele de fato era o Messias enviado por Deus, somente começaram a desaparecer quando os milagres iniciaram, começando pela transformação de água em vinho: “Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele” (João 2:11). Notemos aqui que embora até então Jesus não havia feito milagres ele já possuía discípulos, ou seguidores, o que demonstra que o Espírito Santo já estava operando entre eles a fé necessária para se tornar um cristão, mesmo quando não existiam provas materiais. Este mesmo Espírito estava presente também no ministério de João, que nunca fez nenhum sinal miraculoso: “Muitos foram ter com ele, e diziam: João, na verdade, não fez sinal algum, mas tudo quanto disse deste homem [Jesus] era verdadeiro” (João 10:41).

Foram os sinais que as pessoas ouviam falar e começaram a ver com os seus próprios olhos que levaram muitos a aceitar que Jesus era de fato o Messias. Mas Jesus, intencionalmente não se revelava abertamente às autoridades religiosas quando lhe perguntavam: “Rodearam-no, pois, os judeus e lhe perguntavam: Até quando nos deixarás em suspense? Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho de mim” (João 10:24-25). Ou seja, nem mesmo os sinais miraculosos que Jesus fazia eram suficientes para convencê-los de que Jesus vinha de Deus. Esta atitude de firme incredulidade não era novidade, pois, os seus pais agiram da mesma forma quando Deus os libertou da escravidão do Egito. Apesar de o Senhor ter manifestado o seu poder através de Moisés com um milagre após outro, o espírito de rebeldia era tamanho que duvidaram e preferiam voltar à escravidão: “Disse então o Senhor a Moisés: Até quando me desprezará este povo e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que tenho feito no meio dele?” (Nm 14:11). Sinais, então, não foi o suficiente para que o coração obstinado do pecador se voltasse para Deus em fé e obediência, o Senhor então teria que tomar providências: “Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis” (Ez 36:27). Esta promessa, de um Espírito voltado para a obediência que o Senhor poria no coração do homem, porém, não se cumpriria até a chegada do Messias. Paulo menciona esta obra que é efetuada no coração daquele que crê: “… não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração. E é por Cristo que temos tal confiança em Deus” (2Co 3:3-4). Isaías menciona a retidão que seria estendida a todas as nações, e não só para Israel, com a chegada de Jesus: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele. ele trará justiça às nações” (Is 42:1. Ver também Mt 12:17-19).

A promessa da chegada do Messias estava diretamente ligada à habilidade que nos seria dada pelo próprio Deus para que o obedecêssemos e assim vivêssemos uma fé prática e transformadora; um viver apenas possível quando o homem se submete por inteiro à graça de Deus. A habilidade para crer em Jesus e segui-lo em obediência precisa vir do próprio Deus. Esta é a maravilhosa graça da salvação. Quando alguém é alcançado pela graça, surge então a liberdade de escolha, escolha esta que até então simplesmente não existia, pois, todos nós, sem a graça de Deus, nos encontramos presos em uma falsa realidade. A menos que Deus nos abra os olhos, somos guiados tão somente por aquilo que os sentidos do corpo conseguem processar. Aqueles que respondem favoravelmente à liberdade de escolha, passam então a fazer parte do rebanho de Jesus. Os líderes religiosos viram os milagres, mas se mantiveram rebeldes à voz de Deus, se excluíram da graça, e rejeitaram o bom Pastor: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas” (João 10:26. Ver também Heb 12:15).

Fazer parte do rebanho de Jesus implica em proteção e instrução e é por isto que Jesus nos alertou que: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem” (João 10:27). Observem a conexão ouvir-seguir. Ou seja, o sinal de que alguém é de fato uma das ovelhas de Jesus não é simplesmente o ouvir, mas sim o seguir como resultado do que foi ouvido. Os líderes religiosos ouviram as palavras transformadoras de Jesus, mas resistiram ao seu poder para transformar e endureceram os seus corações (Heb 3:15). Ouviram a voz do Pastor, mas não o seguiram porque não faziam parte do seu rebanho.

A igreja primitiva; os primeiros cristãos, ouviam atentamente as instruções do Messias. Eles percebiam que existia algo de diferente nas suas palavras; elas não eram palavras comuns, do tipo que saem da boca dos outros líderes. O povo percebia que havia verdade em tudo o que ele dizia; isso mexia com a mente dos ouvintes, pois era algo que ninguém estava acostumado a ouvir, e a princípio não sabiam muito bem como reagir frente a algo tão maravilhoso como aquelas palavras: “as multidões se maravilhavam da sua doutrina; porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas” (Mt 7:28-29). De fato, até mesmo os guardas do templo que foram enviados para encontrar e prender a Jesus não conseguiram tocar nele ao ouvirem as suas palavras: “Alguns deles queriam prendê-lo; mas ninguém lhe pôs as mãos. Os guardas, pois, foram ter com os principais dos sacerdotes e fariseus, e estes lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam os guardas: Nunca homem algum falou assim como este homem” (João 7:44-46).

Vemos claramente que existia poder nas palavras de Jesus, mas este não era um poder automático e involuntário, ou seja, não eram todos que ouviam que acreditavam e passavam a ser um dos seus seguidores. Todos reconheciam que aquelas não eram palavras comuns do dia a dia e viam que se pusessem em prática os seus ensinos haveria uma mudança na sua vida, mas este conhecimento não era o suficiente para que abandonassem a vida que viviam, precisavam ir mais além do que o simples ouvir. Isto me leva a recordar o maravilhoso dia quando aceitei a Jesus como o meu Salvador em uma pequena igreja Batista no interior mineiro, no Brasil. Lembro-me como se fosse hoje, quando corajosamente levantei a mão, respondendo com alegria ao apelo feito por um pastor visitante, que descreveu perfeitamente a minha situação de alguém que se encontrava vacilante “em cima do muro”, sem saber se ficava de um lado ou do outro nesta grande batalha entre as forças do mal e as forças do bem. A minha namorada na época, sentada do meu lado, ficou assustada com a minha decisão, mas se manteve firme até a sua morte, que eu saiba, em não assumir o mesmo compromisso de caminhar com Jesus rumo à vida eterna, para a tristeza da sua mãe, uma fiel serva do Senhor e membro da Assembleia de Deus da nossa cidade. Nos dois ouvimos as mesmas palavras de Jesus através do pregador, a mesma mensagem. As palavras que salvam, porém, não resultou na mesma mudança de vida. A graça chegou até a ela, mas ela se excluiu da graça (Heb 12:15).

Após o retorno de Jesus para o Pai, surgiram as primeiras igrejas. A igreja de jerusalém começou com 120 membros (At 1:15), depois adicionou 3000 no pentecostes (At 2:41), somou 5000 algum tempo depois e seguiu crescendo rapidamente (At 5:14). A igreja primitiva era a igreja do “primeiro amor”. Os primeiros cristãos verdadeiramente amavam a Jesus e o demonstravam no seu viver. Antes da crucificação, os seguidores de Jesus se animaram com a chegada daquele que não tinham dúvidas que era o tão esperado “Filho de Davi”. Mas, uma vez que Jesus não se encaixou no molde do Messias político-militar que esperavam e simplesmente morreu na cruz como se fosse um criminoso comum, a maior parte deles voltaram ao cotidiano e consideram Jesus como um dos muitos outros supostos messias que vieram antes dele. Aqueles que persistiram, no entanto, foram abençoados com o batismo do Espírito Santo, que Jesus prometeu que seria enviado assim que voltasse aos céus: “Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou. Estas coisas vos tenho falado, estando ainda convosco. Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito” (João 14:24-26).

A promessa que Jesus deu aos primeiros cristãos mencionada acima é de imenso valor para nós que seguimos a Jesus, cerca de dois mil anos após a sua passagem pela terra. Notem que toda a promessa está ligada às palavras de Jesus. Por que isto? Porque todo o poder da salvação da alma está conectado com tudo aquilo que saiu dos lábios do Salvador. Conforme já explicado no estudo anterior, as palavras de Jesus foi a forma que Deus escolheu para nos transmitir o poder da salvação e este é o motivo que Satanás procura com toda a sua força nos distanciar de tudo aquilo que Jesus nos disse. O inimigo procura nos levar às palavras de pregadores, comentaristas bíblicos, escritores de livros, mensagens de todos os tipos e até mesmo de outros autores na Bíblia. Ele não se importa quanto à origem das palavras, desde que consiga nos distanciar daquelas que saíram dos lábios de Jesus, pois é lá que se encontra o poder de Deus que salva as almas: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele escutai” (Mt 17:5).

Algo importantíssimo nos versos acima também é o fato de que Jesus foi bem claro que as mesmas palavras de salvação que ele falou para os primeiros cristãos, “enquanto ainda estava com eles”, o Espírito Santo ensinaria [Gr. διδάσκω (didaskō) Trd. ensinar, instruir, guiar] e lembraria [Gr. ὑπομιμνῄσκω (hypomimnēskō) Trd. colocar na mente, lembrar, trazer à memória] aos cristãos que não estiveram fisicamente com ele. Jesus, mais uma vez enfatizou a pregação das suas palavras a todos nós quando ordenou aos discípulos pouco antes de subir para o Pai: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:19-20).

A obediência exigida dos primeiros cristãos para serem salvos é a mesma exigida de nós. Isto é mais que claro nas palavras acima quando Jesus coloca abaixo os limites culturais [Gr. ἔθνος (ethnos) Trd. nações, gentios, povos] e todos os limites de tempo [Gr. ἕως τῆς συντελείας τοῦ αἰῶνος (ios-tis suntilías tu aionos) Trd. Lit. até que se completem os tempos]. Ou seja, qualquer líder que procurar cancelar as palavras de Jesus, insinuando que elas somente se aplicaram aos primeiros cristãos, estará agindo contrário às palavras de Jesus e é, portanto, um anticristo.

Queridos, os primeiros cristãos, a igreja primitiva, “observava todas as coisas que Jesus mandava” e esta era a prova de que de fato amavam o Salvador e tinham o Espírito Santo habitando neles: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre, a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós …naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:16-21). Espero te ver no céu.

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