🔊 (Parte 11) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 11: A Igreja Moderna e a Obediência. [Com Áudio]

(Parte 11) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 11: A Igreja Moderna e a Obediência. [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Se chamamos a igreja primitiva de “a igreja do primeiro amor”, a igreja moderna é então “a igreja sem amor”. Lembrando que estamos aqui falando do amor a Jesus: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei o teu candelabro de lugar, se não te arrependeres” (Ap 2:4-5). Nestas palavras proféticas de Jesus, nos transmitida pelo apóstolo João quando ele se encontrava preso na ilha prisão Patmos, na Grécia, vemos claramente a situação da igreja dos nossos dias. Notemos neste verso que Jesus dá o diagnóstico e o tratamento. A enfermidade fatal é a falta de amor ao Filho de Deus e a cura é o arrependimento, demonstrado na prática das obras que caracteriza o verdadeiro amor a Jesus. O uso das duas frases em sequência: “primeiro amor” e “primeiras obras”, conectadas pela palavra “arrependimento”: [Gr. αγαπην σου την πρωτην (agapen su-ten proten) Trd. Lit. amor seu primeiro] e [Gr. τα πρωτα εργα (ta prota erga) Trd. Lit. as primeiras obras], demonstra claramente a conexão entre o amor e a obediência que Jesus sempre nos ensinou: “se me amas obedecereis aos meus mandamentos” (João 14:15). O fato de Jesus, falando com o apóstolo João no apocalipse, ter usado a palavra “obras” [ergo], no entanto, coloca muito mais definição quanto a como o Senhor deseja que guardemos os seus mandamentos. Ou seja, se esperamos estar com Jesus no céu, então deveremos provar o nosso amor por Ele com as nossas obras (Tg 2:26), fazendo tudo aquilo que Ele nos disse para fazer no nosso dia a dia.

“O cristão típico vive semana após semana sem experimentar a intimidade que deveria ter com o Pai.”

A igreja moderna é vítima de um trabalho de base efetuado com tremendo sucesso pelo inimigo das almas: Satanás. Quando ocorreu o planejamento e iniciou a implementação deste esquema diabólico é difícil dizer, possivelmente muitos séculos atrás. Só agora, porém, temos visto de uma forma concreta os primeiros resultados do seu projeto de longo prazo. Com poucas exceções, a ideia que as nossas igrejas têm passado aos irmãos e irmãs nestes últimos dias é a de que o relacionamento que Jesus espera de nós é puramente emocional. Este foi o alvo do inimigo: transformar tudo aquilo que Jesus nos ensinou, do tangível para o emocional, do concreto para o conceitual. Por quê? Porque conceitos são apenas ideias e cada um pode interpretar da forma que quiser. No final, é o homem e não Deus quem determina o certo e o errado. Tudo isto é feito, porém, sob o pretexto de adoração, com muitos gritos de glórias, aleluias, mão levantadas, olhos fechados, lágrimas e testas franzidas: “E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).

As nossas casas de orações estão cada vez mais se tornando meros locais para shows e encontros sociais. As igrejas competem entre si, não em qual delas demonstra mais humildade, mais sede pela Palavra, mais dedicação à obra de Deus, mas sim em qual possui o melhor ministério de louvor, os melhores eventos, as “pregações” mais engraçadas e as melhores acomodações. Os mandamentos de Jesus, resumidos na demonstração de amor a Deus e ao próximo (Mt 22:37), foram praticamente abandonados, tudo sob o pretexto de adoração: “E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).

Amamos a Deus de fato quando vivemos somente para Ele e amamos ao próximo de fato quando o temos em mais estima do que a nós mesmo. Se o nosso foco nesta vida é agradar ao eu; se estamos a procura de como fazer a nossa vontade e não a de Deus (Mt 12:50), se não estamos disposto a sofrer pelo bem-estar dos nossos irmãos (João 15:12), se recusamos fazer o bem a quem nos faz o mal (Mt 5:44), se recusamos perdoar a quem nos ofende (Mt 6:14-15), tudo isso tal qual ensinado repetidamente por Jesus, então os nossos atos de adoração, por mais lindos que pareçam, são inaceitáveis para Deus, da mesma forma que também não foi aceitável quando os israelitas ofereceram a Deus sangues de ovelhas e bois em vez de obediência: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? Diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes” (Is 1:11).

Como sempre, para levar o povo de Deus ao nível trágico em que se encontra, o Diabo utilizou da combinação de verdades e mentiras. Ele sempre soube que se apresentasse a mentira nua e crua, ela dificilmente seria aceita por um grande número de almas. Se, porém, a mentira fosse sugerida com uma cobertura de verdade, ainda que bem fina, ela seria facilmente recebida pelo homem, que por natureza sempre preferiu mais o ilusório do que o real, desde que o ilusório lhe seja mais agradável. Satanás, então, não procura persuadir a que os cristãos deixem de ser cristãos. Astuto como sempre, a antiga serpente simplesmente tem conseguido fabricar um cristianismo sem Cristo. E realmente, a mentira do inimigo tem sido tão bem recebida nestes últimos dias que nos chocamos quando ouvimos uma mensagem de um pregador que contenha ainda que indícios do verdadeiro evangelho pregado por Jesus.

Para que ninguém nos acuse de sermos demasiadamente vagos, o evangelho pregado por Jesus consiste em obedecer a tudo aquilo que saiu dos seus lábios. Este é o significado do crer para a salvação. Qualquer outra definição de crer, ainda que tenha como autor o mais sábio dos homens, ainda que venha de um anjo, ainda que seja aceita por milhares e milhares, e que exista por século e séculos, se não incluir a obediência sem reservas a Jesus se trata de um crer que não leva à salvação. O Maligno, em companhia dos seus anjos caídos, crê em Deus e em Jesus em vários sentidos, mas não para a salvação (Tg 2:19).

Mencionamos acima o “trabalho de base” do inimigo. Este tem sido um projeto cuidadosamente elaborado para que as milhares de almas enganadas, obviamente, não percebam que estão sendo levadas por um falso evangelho. De todas as estratégias usadas por Satanás, a mais fácil de se observar é o senso de falsa paz e segurança que a igreja moderna consegue passar para os fiéis: “Também se ocupam em curar superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jr 6:14). O cristão típico vive semana após semana sem experimentar a intimidade que deveria ter com o Pai. Ele não se sente completo no seu relacionamento com o Senhor, e não tem realmente certeza da sua salvação, mas ao mesmo tempo imagina que é assim mesmo que deveria estar e que esta é a vida em abundância que Jesus prometeu a todo aquele que o seguisse (João 10:10). A mediocridade espiritual, e não a material, é um dos maiores sinais de uma igreja destituída do Espírito Santo.

O cristianismo destes últimos dias abandonou o caminho apertado e a porta estreita que dá acesso ao Reino de Deus. Na realidade, o quadro é ainda pior, uma vez que os sermões, os devocionais e as lições bíblicas atuais raramente mencionam a existência das mansões celestiais as quais Jesus nos preparou e nos espera para nelas morarmos (João 14:1-3), quanto mais que há um caminho e uma porta específica que nos leva a elas: “Entrai pela porta estreita; como larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, muitos são os que entram por ela; e como é estreita a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, poucos são os que a encontram” (Mt 7:13-14).

Se formos bem honestos, temos que admitir que a igreja moderna desconhece a existência de qualquer porta, larga ou estreita. O trabalho de base que o príncipe deste mundo elaborou e executou com sucesso entre os cristãos foi o de construir uma rota alternativa, que leva a uma porta também alternativa, até a Deus. Através da constante manipulação das emoções humanas; através de mensagens e mais mensagens vazias de conteúdo e cheias de promessas sem qualquer base na Palavra, Satanás tem conseguido fazer com que milhares e milhares de almas deduzam erroneamente que é possível chegar até a Deus ignorando, pisando e menosprezando as preciosas palavras que saíram da boca do Seu Filho amado. Tragicamente, imaginam que existe um outro caminho: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).

Este “ninguém vem ao Pai, senão por mim” significa que ninguém chegará ao Pai senão através da obediência às suas palavras. Jesus não veio a este mundo de pecado, não passou tudo o que passou, não morreu como morreu, e não ressuscitou dentre os mortos, para que o homem siga vivendo neste mundo em completo desprezo pelos seus mandamentos e ao mesmo tempo ganhe a salvação simplesmente porque o chama de Senhor: “E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).

As palavras de Jesus é o caminho que leva até o Pai, pois quem obedece a tudo aquilo que saiu dos seus lábios prova que o ama e só assim obtém acesso ao Pai: “Aquele que tem os meus mandamentos e os obedece, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:21). Este é o crer para a salvação que Jesus explicou ao fariseu Nicodemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). A igreja moderna prega continuamente sobre este verso da Bíblia. As pessoas cantam louvores sobre este verso e escrevem-no nas suas camisetas. A igreja moderna demonstra muito interesse pelo crer de João 3:16, mas nunca ensina ao pecador o significado da palavra. Alguns imaginam que crer é simplesmente reconhecer que Jesus de fato existiu, enquanto outros vão um passo mais além e aceitam que Ele é de fato quem dizia que era, o Filho de Deus. Mas, nunca é ensinado que o crer que salva é o crer seguido da obediência. Nunca é explicado ao pecador que a menos que haja um genuíno arrependimento e uma mudança de vida, baseado nos ensinos de Jesus, o crer Nele não possui nenhum valor para a salvação, pois ficou apenas no intelecto e não resultou em obras da fé, conforme nos ensinou o nosso irmão Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1:22). Espero te ver no céu.

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