🔊 (Parte 9) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 9: A Graça e a Obediência. [Com Áudio]

(Parte 9) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 9: A Graça e a Obediência. [Com Áudio]

Baixar Áudio Baixar Áudio | Baixar PDF Baixar PDF

Por Markus DaSilva, Th.D.

Geralmente nos nossos estudos apresentamos o tema na introdução, desenvolvemos o nosso argumento no corpo do texto, e no fim apresentamos a devida conclusão. Neste estudo sobre a graça e a obediência, porém, devido a tanto abuso e ensinos contrários às Escrituras existentes no meio cristão sobre este tópico, é necessário que logo de imediato adiantemos qual será a conclusão. Devemos entender uma verdade que se encontra em toda a Palavra de Deus, Velho e Novo Testamentos: não existe salvação sem obediência. A grande prova de que alguém alcançou o coração de Deus é o desejo de obedecer ao Pai; o desejo de fazer a sua vontade. Poderíamos dar centenas de versos bíblicos como respaldo, mas para esta introdução, daremos apenas quatro, um de Davi: “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Sl 40:8). E três do nosso Mestre: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 6:38). “Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra” (João 4:34). “Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 8:21). Toda a alma que se salvou até então e toda a alma que se salvará até o último dia deste planeta são aquelas que se arrependeram e a partir de então procuraram viver em obediência às palavras do Senhor (João 3:3). Só o fato do Rei dos reis e Senhor do senhores, o nosso amado Mestre e Salvador, aquele que é a razão do nosso viver e a razão que ganharemos a vida eterna, nos disse as palavras citadas acima, já poderíamos encerrar este estudo aqui mesmo, mas infelizmente Satanás continua solto e seguirá solto por um pouco mais de tempo, e por isso teremos que escrever um pouco mais sobre a graça e a obediência ao Senhor.

“No final, a graça da salvação é efetuada pela fé, e a fé, por sua vez, é efetuada pela obediência em Jesus. A obediência é então o fator determinante da salvação.”

Existe algo verdadeiro e algo terrivelmente falso no entendimento popular sobre a salvação pela graça. O verdadeiro e incontestável é que a salvação é algo que vem de Deus, e não de nós, muito correto. O falso é que salvação pela graça tem algo a ver com a falta de merecimento, como se Deus apenas salvasse a pessoa má, rebelde e desobediente; aquele que procura não merecer ser salvo. E por causa deste entendimento falso dizem que graça significa: “favor imerecido”.

Lembrando que o prefixo de origem latina “i” da às palavras em português e em várias outras línguas, incluindo o inglês, um sentido contrário ou oposto do que seria sem o seu uso. Por exemplo: responsável, irresponsável; legítimo, ilegítimo; legal, ilegal… etc. E neste caso, “favor imerecido” é o mesmo que “favor sem merecimento” ou “favor dado a alguém que não merece”. No uso comum da expressão, quando falamos que alguém não merece algo, geralmente a implicação é negativa e raramente neutra. Quando um patrão diz que o funcionário não merece um aumento salarial, o entendimento é o de que ele foi um mau empregado. Quando uma moça diz que o ex-namorado não merece uma segunda chance, o entendimento é o de que o erro cometido foi grave demais para um possível retorno. Também lembrando que esta expressão, “favor imerecido”, não se encontra na Bíblia; é uma definição puramente de homens. Simplesmente começou a ser utilizada nos escritos e falada dos púlpitos e as pessoas aceitaram sem questionar a séria implicação doutrinária da frase: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Oséias 4:6). Em tempo, no inglês, embora também tenha o prefixo “i”, o prefixo usado neste caso, é o “un” e a expressão então fica: “unmerited favor”.

Mas continuando. A salvação da alma de fato é pela graça, pois por nós mesmos nem sequer saberíamos que precisamos ser salvos. Na realidade, esta é a condição da grande maioria dos seres humanos. Eles nem sequer entendem que precisam de um Salvador. Esta também, devo mencionar, era a nossa condição, antes de sermos alcançados pela graça de Deus. Assim como o povo de Nínive, não sabíamos discernir entre a nossa mão direita e a esquerda (Jónas 4:11). Deus então precisou, ele mesmo, iniciar o processo de salvação, nos abrindo os olhos para a nossa condição de perdidos.

Em se tratando da parte falsa do entendimento popular sobre a graça para a salvação, o que queremos esclarecer é que não existe nenhuma conexão entre o merecimento humano e a graça de Deus. Ou seja, Deus salva a quem ele quer, quando ele quer e no momento que ele quer, independentemente se a pessoa faz muito por merecer, pouco por merecer ou nada por merecer. Podemos confirmar esta verdade em vários exemplos de conversões na Bíblia, como a do Cornélio, o centurião romano que claramente agradava a Deus na sua conduta e o Senhor o recompensou com a graça da salvação: O anjo respondeu-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido como oferta memorial diante de Deus; agora, pois, envia homens a Jope e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro… Então Pedro, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo” (Atos 10:4-5; 34-35). Não existe a menor dúvida neste verso que tanto o anjo, como Pedro, declarou inequivocamente que devido à sua conduta, o centurião mereceu que Deus lhe estendesse a graça da salvação.

Para um exemplo oposto, ou seja, de alguém que não fazia por merecer, basta mencionar a graça da salvação que Deus estendeu a Paulo: “Respondeu Ananias: Senhor, de muitos ouvi falar acerca desse homem [Paulo], quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém… Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios” (Atos 9:13,15). Neste caso, vemos também inequivocamente que Paulo não fazia nada por merecer a graça da salvação, e, no entanto, a graça lhe alcançou.

Concluímos então que quando se trata do homem perdido, merecimento é irrelevante, mas irrelevante enquanto a graça não chega, pois a graça de Deus liberta e liberdade pressupõe capacidade de escolha, caso contrário não é liberdade: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8:36). Jesus disse “verdadeiramente” porque não é uma falsa liberdade. Isto quer dizer que Deus permitirá que a pessoa alcançada pela graça a rejeite: “tendo cuidado para que ninguém se exclua da graça de Deus” (Heb 12:15). Tanto Cornélio quanto Paulo se mantiveram na graça, e como recompensa foram salvos, mas nem sempre isso acontece.

Jesus chamou a doze, e muito embora todos tiveram o mesmo acesso ao “caminho, verdade e vida”, um deles no final se excluiu da graça e escolheu uma outra direção (Lc 22:4). Ao jovem rico foi estendida a graça, mas ele, amando mais as riquezas, se excluiu da graça e foi-se embora triste (Mt 19:22). Após a graça ser alcançada, existe então uma dinâmica de causa e feito. Quem obedece cresce na graça e é salvo (2Pe 3:18), e quem desobedece, rejeita a graça e é condenado (2Co 6:1; Ro 2:8). No final, a graça da salvação é efetuada pela fé, e a fé, por sua vez, é efetuada pela obediência em Jesus. A obediência é então o fator determinante da salvação: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3:36).

A definição popular de que a graça é um favor imerecido pressupõe erroneamente que se a pessoa procurar fazer algo para agradar a Deus ela estaria procurando fazer por merecer e assim se desqualificaria como um recipiente da sua graça, ou como geralmente dizem, a pessoa estaria tentando “ganhar a salvação” e assim não seria salva. Ensinar algo assim, além de ser ilógico e diabólico, é completamente contrário a tudo aquilo que lemos nas Escrituras, uma vez que o convite de Jesus é feito a todos e não somente para aqueles que não fazem por merecer. Jesus veio para todos os pecadores: pequenos, médios e grandes: “Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28).

O oposto desta dedução é ainda mais absurdo, pois a pessoa chegará à conclusão de que a melhor maneira de receber a graça da salvação que vem de Deus é não procurar agradá-lo e viver em desobediência, pois agindo assim a salvação será garantida, uma vez que seria de fato imerecida. O apóstolo Paulo abordou este entendimento errado sobre a graça ao escrever: “Que diremos então? Permaneceremos no pecado, para que aumente a graça? De modo nenhum” (Ro 6:1-2).

Falemos agora algo extremamente óbvio, mas que deve ser dito para pôr abaixo de uma vez por todas esta tática do Maligno. Nenhum ser humano tem qualquer coisa a ganhar sendo desobediente a Deus e definitivamente não ganhará a salvação como recompensa pela sua desobediência. Por outro lado, o homem que procura ser obediente a Deus tem tudo a ganhar e definitivamente não será punido com a perdição por isso. Muito pelo contrário. A palavra é bem clara que todo aquele que de fato ama a Jesus o obedece e recebe a salvação: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou” (João 14:23-24).

Da mesma forma, qualquer indivíduo que se diz cristão e que desobedece às palavras do Senhor, e que se acomoda com o pecado, confiando que mesmo assim será salvo por causa da graça, está completamente enganado, pois de forma alguma o Senhor estenderá a sua graça ao homem que conscientemente persistir na desobediência. Este não é um ensino que vem de Deus e quem se apoiar nele se verá condenado no juízo final. Isso foi o que o nosso irmão Paulo quis dizer quando nos escreveu: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas [o pecado] vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Ef 5:6).

É muito bom que as palavras acima foram escritas por Paulo, pois os seus escritos são os mais distorcidos por aqueles que defendem esta doutrina diabólica da falsa graça. Note que o apóstolo chama os pecadores impenitentes (sem arrependimento) de “filhos da desobediência” [Gr. η οργη του θεου επι τους υιους της απειθειας (i orin tu Theu ipi tus uius tis apithias) Trd. a ira de Deus sobre os filhos da desobediência]. Mas porque “filhos da desobediência”? Paulo deixa bem claro para os seus leitores que a obediência ao Senhor é o que define o novo nascimento. Se alguém não tem como a maior alegria na vida fazer os desejos de Deus, então ele ainda não é um filho de Deus, mas continua na mesma condição que estava no passado: “nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Ef 2:2 ver também Cl 3:6). Ou seja, se o indivíduo que se diz cristão vive em desobediência, o espírito que opera nele não é o Espírito Santo (João 3:6), mas sim o espírito do príncipe das potestades do ar, que é Satanás. Dizer que alguém que, da sua própria escolha, carrega este espírito em si está salvo pela graça é pura blasfêmia.

Queridos, conforme temos deixado bem claro em toda esta série, a nossa grande fonte de conhecimento para a salvação sempre deverá ser as palavras que saíram dos lábios de Jesus. Insistimos neste ponto porque isto foi exatamente o que o nosso Pai nos ordenou: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele escutai” (Mt 17:5). Note que Deus não nos instruiu a escutar a nenhum outro, mas apenas ao seu Filho amado. Certamente que isto não quer dizer que não podemos ouvir a nenhuma outra pessoa, quer seja dentro ou fora da Bíblia, não, de maneira nenhuma, pois se fosse este o caso o nosso próprio ministério nem existiria. O que quer dizer, sim, é que tudo aquilo que nos for comunicado sobre o nosso relacionamento com Deus e muito em especial, sobre a nossa salvação, deverá ser compreendido e filtrado pelas palavras de Jesus.

Deixe-me colocar o que foi dito acima de uma maneira ainda mais clara. Qualquer doutrina relacionada com a salvação de almas (doutrinas primárias) que nos for apresentada deverá enquadrar perfeitamente com os ensinos de Jesus. Não importa a sua origem, não importa a sua popularidade e tampouco por quanto tempo ela é conhecida. Se não existir respaldo nas palavras de Jesus, então sabemos que não procede de Deus. A graça é uma doutrina que procede de Deus, mas não o seu entendimento distorcido que mencionamos neste estudo, pois este entendimento contraria as palavras de Jesus sobre a obediência necessária para a salvação. Ou seja, somos salvos pela graça no sentido em que a salvação vem de Deus e não do homem? Correto, pois este entendimento possui o respaldo naquilo que Cristo ensinou: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:44-45). Somos salvos pela graça no sentido em que mesmo não obedecendo a Jesus seremos salvos? Incorreto, pois este entendimento não possui o respaldo, e até contradiz as palavras de Jesus: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3:36). Ponto final. Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: