🔊 (Parte 12) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 12: A Salvação e a Obediência [Com Áudio]

Foto de uma igreja pequena no campo (Parte 12) Serie: Obedecendo a Jesus.  A Salvação e a Obediência [Com Áudio] Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Esta foi mais uma série difícil. Difícil por ser um assunto extremamente sério, e também porque nos foi claro que não tínhamos tempo a perder. Escrevemos estes 12 estudos da série em apenas seis semanas, um tempo recorde para o nosso pequeno ministério. Durante este período os ataques de Satanás foram intensos e agradecemos aos nossos queridos leitores pelas orações, que sem sombra de dúvidas foram essenciais. Ainda que tudo isto ocorra na esfera espiritual e não podemos experienciar com os sentidos do corpo, pela fé sabemos da constante batalha sendo travada por cada uma das almas que o Senhor decide encaminhar a estes estudos. Esta é uma guerra que se inicia quando recebemos a inspiração, escrevemos, enviamos e publicamos os textos. Em seguida, a batalha continua do outro lado, quando cada irmão e irmã acessa o estudo. Batalha para que não o leia, para que não o leve a sério, para que não o repasse… quando uma outra alma recebe o estudo, talvez de um parente ou amigo, começa tudo de novo, e assim seguirá até quando o Senhor quiser. Só do outro lado da eternidade teremos uma melhor ideia do alcance que foi a obra que nos foi confiada.

“Jesus não nos autorizou a adaptar, melhorar, atualizar ou adicionar absolutamente nada em cima das suas palavras.”

Antes de continuar, quero deixar algo muito claro: toda a Bíblia é inspirada por Deus (2Tm 3:16), mas nem todas as doutrinas que os homens defendem usando a Bíblia vem de Deus. Toda a Bíblia é inspirada por Deus, mas toda a verdadeira inspiração possui como fonte Jesus, que é o Verbo de Deus: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (João 1:14).

Amados, deixe-me lhes dar uma fórmula infalível para determinar se um ensino realmente procede de Deus. Quando alguém vier com uma doutrina primária, que são doutrinas ligadas à salvação de almas, diga a esta pessoa: “irmão, obrigado por este ensino, mas pelo fato de ser algo relacionado com a minha salvação, para que eu confirme que realmente procede do Pai, você poderia me mostrar este ensino na Bíblia, utilizando apenas as palavras de Jesus contidas nos quatro evangelhos? Para que eu creia, preciso ouvir este ensino saindo dos lábios do meu Salvador.” Faça esta pergunta e aguarde a resposta.

Mas continuando. Esta série lidou com um assunto de vida ou morte, que é a obediência às palavras de Jesus, o Filho unigênito de Deus por essência (João 10:30). De uma forma especial, abordamos um ponto de extrema relevância nestes últimos dias que é a possibilidade de o cristão receber a vida eterna sem que seja necessário obedecer às palavras de Cristo. Cada vez mais vemos igrejas surgindo no mundo inteiro tendo como principal doutrina a ideia diabólica de que a graça da salvação remove toda a necessidade de obediência às palavras do Senhor. A nossa posição foi bem clara que não existe a menor chance do cristão, adulto e mentalmente capaz, intencionalmente e conscientemente recusar a obedecer a Cristo, e mesmo assim receber as boas vindas naquele grande dia, quando os livros serão abertos e tudo o que foi feito, bom ou mau, for revelado: “E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” (Ap 20:12. Ver também Mt 25:34).

Ninguém sabe ao certo quanto tempo durou o ministério de Jesus. Sabemos que se iniciou quando o nosso querido Salvador tinha em torno de 30 anos, mas a sua idade na crucifixão não nos foi revelada. Historiadores costumam dizer entre 33 a 36 anos, mas esta é uma especulação, baseada em grande parte nos nomes dos vários governantes romanos mencionados na Bíblia; em escritos seculares, nos arquivos históricos do império e também nos festivais judaicos relatados durante o período. Mesmo que concordemos com a idade mais popularmente aceita que é a de 33 anos, temos então três anos em que Jesus nos instruiu quanto a como os escolhidos do Pai receberiam a salvação. Três anos de contínua instruções quanto a tudo aquilo que consiste o plano de salvação que se fez necessário por causa da desobediência dos nossos pais no Jardim do Éden (Ro 5:19). Tudo o que precisamos saber para sermos salvos o Pai confiou no seu Filho unigênito. A Jesus foi passado todos os detalhes referentes a como o homem pecador poderá ser declarado justo e conseguir acesso ao Pai. Para que não houvesse a menor dúvida quanto à missão dada a Jesus de ser o único mensageiro enviado diretamente do Pai, o próprio Deus resolveu, na frente de três testemunhas oculares, glorificar ao Filho e confirmar que de fato Ele era o seu porta-voz: “…eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele escutai” (Mt 17:5).

Notemos logo de imediato, que a ordem que o próprio Deus nos deu foi bem específica: “a ele escutai” [Gr. ἀκούετε αὐτοῦ (akúete aftu) Trd. ouça a ele, dê ouvidos a ele, preste atenção no que ele diz]. Ou seja, Deus designou somente a Jesus esta tarefa de transmitir até a nós tudo o que precisamos saber referente à nossa salvação. O próprio Jesus confirmou esta missão quando nos disse: “Quem me rejeita, e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o julgará no último dia. Porque eu não falei por mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, esse me deu ordem quanto ao que dizer e como falar. E sei que as suas instruções é vida eterna. Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me ordenou” (João 12:48-50).

Esta ordem que Deus nos deu: “a ele escutai”, possui o peso inclusivo e exclusivo. Não nos foi dito que além das instruções dadas por Jesus deveríamos também procurar informações adicionais depois que Jesus subisse aos céus. Não existe nenhuma profecia que dê a entender, ainda que superficialmente, que após Jesus viria alguém com instruções adicionais para a nossa salvação, seja este alguém dentro ou fora do cânon bíblico. Para ser mais específico, além das palavras de Jesus, Deus não nos mandou procurar instruções adicionais através de Pedro, João, Tiago, Paulo, Ambrósio, Agostinho, Lutero, Armínio, Calvino, Wesley, Moody, Lewis… e qualquer outro ser humano, homem ou mulher, famoso ou desconhecido, que já surgiu ou surgirá dentro do cristianismo. Obviamente, me incluo nesta lista. O único evangelho a ser pregado por nós é o de Jesus e em completa harmonia com as suas palavras. Sim, porque muitos insistem que pregam o evangelho de Cristo, mas poucos pregam o que Ele pregava.

Todos nós cristãos somos mensageiros de Deus, e procuramos pregar o evangelho em obediência à grande comissão nos dada por Jesus, um pouco antes da sua ascensão ao Pai: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28:19-20). Mas note que Jesus não nos autorizou a adaptar, melhorar, atualizar ou adicionar absolutamente nada em cima das suas palavras, mas sim que devemos repassar às pessoas “as coisas que ele nos tem mandado”. Todos os ensinos de homens referentes à salvação, deverão então se amoldar às palavras de Jesus e não o contrário. Este é um ponto importante, pois frequentemente os falsos mestres, quando são confrontados, procuram fazer com que as palavras de Jesus se enquadrem nas suas doutrinas, e estas, por sua vez, são baseadas em outras fontes que não são as palavras de Jesus. Neste caso as palavras de Jesus, ou são ignoradas, ou colocadas em segundo plano, para que assim possam propagar as suas agendas malignas e ao mesmo tempo insistir que estão fazendo a obra de Deus. Deus não está com nenhum ministério, a menos que este pregue uma mensagem 100% em harmonia com as palavras de Jesus.

Os primeiros evangelistas foram os apóstolos e discípulos originais de Cristo. Todos eles se mantiveram fiéis às palavras de Jesus, pois eram guiados pelo Espírito Santo. A maior parte do que pregaram, no entanto, não ficou registrado por escrito. Sem entrar em detalhes, pois este não é o assunto desta série, de acordo com o plano de Deus, poucos entres os primeiros seguidores de Jesus tiveram a oportunidade de publicar os ensinos do nosso Meste, e estes são os escritos que atualmente conhecemos como o Novo Testamento. Toda a Bíblia, Velho e Novo Testamentos, possui instruções para que o homem viva de uma forma que seja agradável a Deus e todos os livros se harmonizam. Embora tenhamos apenas uma Bíblia, a forma como o homem interpreta os seus ensinos, porém, difere grandemente, como bem sabemos. Se não fosse este o caso, não teríamos tantas denominações dentro do cristianismo. Esta é a razão pela qual as palavras de Jesus, e tão somente elas, deverão ser a base de todo o ensino que tem a ver com a salvação de almas. Qualquer outro escrito, de qualquer outro autor, seja na Bíblia ou fora dela, deverá ser entendido a partir das palavras de Jesus.

Colocando de uma forma ainda mais clara. Não podemos de forma alguma pegar uma doutrina que entendemos estar contida nas cartas de Pedro, ou João, ou Tiago, ou Paulo, e ignorar as palavras de Jesus para confirmar se a doutrina de fato procede de Deus. Nem podemos procurar encaixar o que Jesus nos disse dentro desta doutrina, pois neste caso a base não seria Jesus e sim um ser humano. Um grande exemplo deste erro tem sido o entendimento sobre a graça da salvação. Estes absurdos que temos vistos dentro das nossas igrejas não ocorreriam de forma alguma, se os nossos teólogos e líderes fizessem os seus estudos e chegassem às suas conclusões a partir das palavras de Jesus e não a partir do que eles entendem dos escritos de Paulo, ou a partir dos livros de autores extrabíblicos, como Agostinho, Lutero, Calvino, Moody e outros. Todos esses, e centenas mais, podem ter sido grandes nomes usados por Deus na disseminação do evangelho, mas a respeito de nenhum deles ouviu-se uma voz do céu dizendo: “a ele escutai”, apenas Jesus.

Já disse e agora repito: Não existe salvação sem obediência às palavras de Jesus, pois “ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu; e, tendo sido aperfeiçoado, veio a ser autor de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Heb 5:8-9). Os defensores da falsa graça, amantes de si mesmos, quando confrontados com esta verdade, nunca demonstram a coragem de negar abertamente este fato incontestável. Ou seja, eles nunca dizem: “Podemos sim desobedecer à Jesus e mesmo assim ganharmos a vida eterna!” Pois sabem que se falassem com esta honestidade perderiam muitos dos seus seguidores. O que fazem então é utilizar de expressões puramente filosóficas para assim confundir a mente das pessoas.

Exploraremos agora as três expressões que frequentemente ouvimos dos defensores da falsa graça. Não temos tempo neste estudo de nos aprofundar em demasia nestes argumentos antibíblicos que utilizam, mas não poderíamos encerrar a série sem dar pelo menos uma ideia dos enganos contidos nestas frases, pois é muito fácil ser levado por suas aparências de verdade, uma vez que possuem grande teor poético e soam bem aos ouvidos. Quando analisadas dentro do contexto do evangelho de Cristo, todavia, vê-se facilmente que não passam de argumentos vazios, com o claro objetivo de cancelar as palavras de Jesus e retirar do homem a responsabilidade que ele tem para com Deus. Deus, porém, nunca se deixou levar por subterfúgios, sejam eles invenções de homens ou demônios.

A primeira destas expressões é a de que “devemos obedecer sim, mas tem que ser por amor e não para ser salvos”. Ou seja, invertem as palavras de Cristo, que foram: “Se me amas obedecereis às minhas palavras” para “Se obedecerdes às minhas palavras, que seja por amor.” Como se o homem por natureza deseja muito obedecer ao Senhor, mas precisa que Jesus o instrua quanto à correta motivação. Como se Jesus estivesse cercado de pessoas obedientes, só que infelizmente estavam obedecendo pelo motivo errado.

Queridos, imaginem o absurdo deste ensino. Desde quando temos no nosso coração pecaminoso o desejo de ser obedientes a Deus? “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” (Jr 17:9); “o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade; há loucuras no seu coração durante a sua vida” (Ec 9:3); “Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios” (Mc 7:21). A última coisa que passa no coração do homem natural é vontade de viver em obediência à voz de Deus. Insinuar que tão somente precisamos da correta motivação chega a ser cômico. A fé em Jesus que leva à salvação ocorre exatamente quando obedecemos, ainda que contrário ao que realmente queremos. Não queremos obedecer, mas mesmo assim obedecemos, esta é a definição da fé.

Agora, algo que não é de forma algum cômico é a facilidade que declaramos amor a Deus sem obedecê-lo. Se for feito uma pesquisa na rua e perguntar se as pessoas amam ao Senhor, praticamente todos dirão que sim, mas pergunte se andam em obediência às suas palavras e as respostas, se forem honestos, serão bem diferentes. Foi exatamente isso o que Jesus quis dizer com as palavras: “Aquele que tem os meus mandamentos e os obedece, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:21).

A segunda frase filosófica que amam usar e que não tem o menor respaldo nas escrituras, e nem faz o menor sentido, é que “não obedecemos para sermos salvos, mas porque fomos salvos”. Como se Jesus só pregava a obediência para aqueles que já estavam salvos e o seguiam. Estes amantes de si mesmos, como sempre, intencionalmente ignoram o fato de que Jesus repetidamente pregava a obediência para os perdidos, ou seja, como condição para a salvação e não como uma consequência: “Ora, iam com ele grandes multidões; e, voltando-se, disse-lhes: Se alguém vier a mim, e não odiar a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:25-26). Em outras palavras, para ser salvo e tornar-se um dos seus, a pessoa teria que aceitar a condição de Jesus. Se o indivíduo recusasse a obedecer, então ele não seria um dos seus. Mas os pregadores da falsa graça usam este argumento puramente filosófico para que assim possam seguir amando a sua vida neste mundo, uma vez que a frase deles faz com que a obediência à Jesus se torne opcional. Colocando de uma forma ainda mais simples: Eles ensinam que a pessoa está salva e, portanto, deve obedecer. Note, porém, que uma vez que a pessoa está salva então a obediência ou a desobediência não fará nenhuma diferença quanto à salvação. Irmãos, Jesus nunca ensinou tal coisa.

E a última destas frases vazias, que no momento recordo, é a de que “a pessoa salva naturalmente obedecerá às palavras de Jesus”. Outra vez, o objetivo desta expressão diabólica é fazer com que o cristão não leve a sério as palavras de Jesus sobre a obediência às suas palavras. Ou seja, quem aceita este argumento falso imagina que a obediência é algo que surgirá naturalmente no seu coração, e que Deus lhe dará o desejo de obedecer quando Ele quiser. Em outras palavras, o homem tira de si a responsabilidade e a coloca em Deus. Esta tática nunca funcionou para Deus. Adão tentou utilizá-la quando disse: “A mulher que me deste por companheira deu-me da árvore, e eu comi” (Gn 3:12). A responsabilidade de obedecer às palavras de Jesus é nossa e nossa somente. Quem o obedece, prova que o ama e será salvo, quem não o obedece é porque não o ama e não receberá a salvação, bem simples (João 14:21).

Amados, terminamos esta série implorando que não se deixem enganar pelos falsos mestres que estão surgindo de todos os lados à medida que o fim se aproxima: “Filhinhos, esta é a última hora; e, como ouvistes que o anticristo virá, mesmo agora existem muitos anticristos; pelo que entendemos que é a última hora” (1Jo 2:18). Esta é a hora de não se deixar levar pelas aparências. Lindas igrejas, belos louvores, letras comoventes, pregadores famosos, sermões engraçados, nada disso trará qualquer benefício às almas naquele grande dia, mas tão somente o crer para a salvação, que é o crer em Jesus demonstrado pela obediência às suas palavras. Este é o momento de não seguir ensinos errados simplesmente porque milhares estão fazendo. No juízo final cada alma responderá por si mesma: “E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46). Espero te ver no céu.

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