🔊 (Parte 5) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 5: Pedro e a Obediência. [Com Áudio]

(Parte 5) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 5: Pedro e a Obediência. [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Ninguém sabe ao certo o número de pessoas que seguia a Jesus até a sua crucificação. Sabemos que além dos 12 apóstolos, a Bíblia também menciona 70 (alguns manuscritos mencionam 72) discípulos que Jesus enviou para pregar a mensagem de preparação antes que ele fosse às cidades com o evangelho da vida eterna (Lc 10:1-2 ver possível conexão com Nm 11:16, 24). Ainda que adicionemos as mulheres e alguns outros além destes 82 homens, é bem certo que o número era pequeno, certamente que menos de 500 pessoas num total. O livro de atos menciona uma reunião com 125 pessoas ocorrida alguns meses depois da crucificação (At 1:15 ver também 1Co 15:6). Seja qual for o número exato, sabemos que Jesus tinha os seus 11 (12 menos o Iscariotes) o qual estimava e levava para quase todos os lugares. Digo quase todos porque destes 11, ele tinha três que confiava e só a eles compartilhava certos locais e experiências: Pedro, Tiago e João. Destes três, ele claramente possuía um relacionamento especial com dois: Pedro e João. Enquanto com João vemos um relacionamento paternal, possivelmente porque João era bem jovem, talvez até um adolescente, com Pedro vemos um relacionamento mais de companheiros, possivelmente porque Pedro estivesse nos seus 30, assim como o Senhor.

“Pedro entendia que a obediência ao evangelho de Cristo era algo indispensável para a salvação de todo aquele que afirma crer no Salvador”

Esta posição especial que Pedro tinha com Jesus, obviamente não surgiu por acaso, pois nenhum dos apóstolos surgiu por acaso, mas foram especificamente escolhidos pelo próprio Senhor: “Vós não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós” (João 15:16). Uma escolha que foi feita, devo lembrar, não quando Jesus passava pela redondeza e os viu, não, mas Jesus escolheu, não só a eles, mas a todos os seus verdadeiros seguidores, incluindo nós, antes mesmo que o mundo existisse: “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1:4). Pedro foi preparado pelo próprio Jesus para ser quem ele era, com todas as suas qualidades e aquilo que consideramos como defeitos, assim como todos nós. Pedro, infelizmente ficou conhecido por causa do relato bíblico da sua afirmação, ocorrida três vezes, de que ele não conhecia a Jesus. Uma demonstração de fraqueza que deve lhe ter sido particularmente dolorosa considerando que foi Jesus quem lhe deu o nome de Pedro, ou rocha, significando uma pessoa com um caráter sólido e confiável (João 1:42; Mt 16:18). [Πέτρος (Pétros) Trd. Rocha ou grande pedra. Comparar com λίθος (lithos) Trd. Pequena pedra] Esta traição de Pedro, no entanto, foi profetizada pelo próprio Jesus, como bem sabemos (Mt 26:34). Devemos lembrar, todavia, que no domingo da ressurreição, Pedro foi o único apóstolo mencionado por nome pelo anjo que se encontrava no túmulo vazio, obviamente para assegurar ao amigo de Jesus que o seu arrependimento foi aceito e que já não existia nenhuma mágoa entre eles: “Mas ide [se dirigindo às três mulheres que lá se encontravam], dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele [Jesus] vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse” (Mc 16:7).

O apóstolo Pedro esteve com o Senhor desde o começo do seu ministério. A facilidade com que abandonou a sua profissão de pescador para seguir a um Rabi informal, sem qualquer título sancionado pelo sinédrio, e que até então poucos conheciam, demonstra claramente que este foi um chamado sobrenatural e vindo de Deus. Os detalhes sobre a sua vida antes de Jesus são poucos, mas têm-se a impressão de que era o sócio majoritário de um pequeno negócio de pescaria em parceria com Zebedeu, o pai de Tiago e João. Em tempo, não sabemos o porquê, mas é difícil crer que foi mera coincidência que estes três amigos de Jesus, já eram colegas de trabalho antes do seu encontro com o Senhor. Certamente que este companheirismo contribuiu de alguma forma para que os três, em conjunto, estivessem dispostos a seguir a Jesus sem qualquer hesitação.

Pedro aceitava as palavras de Jesus como vinda do próprio Deus e não via nenhum motivo para não as receber como tal, mesmo quando não as entendia por completo. Foi ele quem se colocou firmemente do lado de Cristo quando vários dos discípulos resolveram abandonar ao Senhor porque ouviram dele que seria necessário se alimentar da sua carne e beber do seu sangue para ser um com Ele. Este é de fato um mandamento difícil de entender, e aceitar, e certamente que Pedro não entendeu, pelo menos não quando foi dito, mas, mesmo assim, aceitou e se manteve inabalável, como uma “Cefas” (rocha) do lado de Jesus: “Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós já temos crido e bem sabemos que tu és o Santo de Deus” (João 6:67-69).

Esta “Palavras da vida eterna” [Gr. ρηματα ζωης αιωνιου (rimata zoís aioníu)] o qual Pedro se referiu, era o evangelho da salvação que apenas Jesus possuía. Pedro ouviu do próprio Jesus e cria que aquilo que saía da sua boca eram as próprias palavras de Deus: “Porque eu não falei por mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, esse me deu ordem [Gr. ἐντολή (endoli) Trd. ordem, comando, regra, mandamento] quanto ao que dizer e como falar. E sei que a sua ordem [endoli] é vida eterna. Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me disse” (João 12:49-50). Pedro tanto aceitava que Jesus era o verdadeiro porta-voz do Pai que na sua primeira carta às igrejas referiu ao evangelho pregado por Cristo não como o evangelho de Jesus, mas o do próprio Deus: “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?” (1Pe 4:17).

Pedro entendia que a obediência ao evangelho de Cristo era algo indispensável para a salvação de todo aquele que afirma crer no Salvador: “tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece. Porque: Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que vos foi anunciada” (1Pe 1:23-25). “A palavra que vos foi anunciada” é o evangelho da salvação vinda do Pai e nos transmitida pelo Filho: “Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me disse” (João 12:50).

Conforme já vimos no versículo mais acima, Pedro pergunta à igreja: “qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?” E logo a seguir continua o seu raciocínio citando um provérbio de Salomão com uma leve modificação (Prv 11:31), para se assegurar de que os seus leitores entenderam a seriedade que é obedecer ou não às palavras de Jesus: “E se o justo dificilmente se salva, o que ocorrerá com o ímpio e pecador?” (1Pe 4:18). Ou seja, não é fácil para ninguém se salvar, uma vez que o “evangelho de Deus”, se obedecido, implicará numa mudança por completa na maneira que a pessoa vive. A dificuldade, certamente está no fato de que as mudanças necessárias se tratam de fazer aquilo que não queremos fazer, pois se fosse simplesmente aquilo que nos agrada, então a salvação seria algo fácil e qualquer um se salvaria sem qualquer esforço. De fato, tenho que mencionar aqui que muitos imaginam exatamente isto, que é muito fácil se salvar. Eles fazem essa afirmação contrária à Palavra de Deus porque deixaram se levar por um falso evangelho onde o “eu” é exaltado e o homem faz apenas aquilo que gosta.

Mas voltando ao nosso assunto. O apóstolo faz a pergunta, mas não a responde, deixando que o leitor, ou ouvinte, da sua carta tire a sua própria conclusão: “qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?” (1Pe 4:17). Pedro e todos os apóstolos sabiam muito bem qual seria a consequência de rejeitar as palavras de salvação que saiam dos lábios de Jesus, pois esta era uma mensagem claramente entendida por todos os que caminhavam com Cristo, conforme até João Batista já ensinava: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3:36). Devemos entender que a ira de Deus se encontra sobre todos os filhos e filhas de Adão, e é por isso que Jesus usa o verbo “permanecer” [Gr. μένω (méno) Trd. morar, permanecer, reter, continuar, persistir]. Ou seja, a única forma que existe para que o indivíduo não mais tenha a ira de Deus sobre si é se ele crer em Jesus para a salvação, que se trata do crer seguido da obediência às suas palavras. Quando o homem insiste em não obedecer às palavras de Jesus, ainda que ele diga que crê em Cristo, ainda que ele frequente uma igreja, ainda que ele conheça muito bem a Bíblia e seja um cristão respeitado entre os seus amigos e até possua cargo onde congrega, se ele negligenciar as palavras de Jesus, então ele ainda não creu para a salvação e portanto a ira de Deus permanece [Gr. μένω (méno)] sobre ele, ela ainda não foi removida pelo sangue de Cristo: “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha” (1Pe 1:18-19).

Queridos, Pedro não só via a obediência às palavras de Jesus como algo não negociável para todo aquele que espera ser salvo, mas também ensinava que o cristão deve levar com extrema seriedade a expectativa de que cada um de nós terá que se santificar durante o tempo que passamos aqui nesta terra controlada pelo Maligno: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo. E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação” (1Pe 1:15-17). Neste conhecido verso sobre a santificação como um requerimento para a salvação, Pedro nos diz que durante a nossa jornada na terra [Gr. τὸν τῆς παροικίας ὑμῶν χρόνον (ton tis paroiquías imon ronon) Trd. Lit. o tempo do seu exílio] devemos andar no temor de Deus. Esta palavra traduzida como temor [Gr. φόβος (fóvos) Trd. temor, terror, medo] deixa bem claro que a nossa procura pela santificação não deve ser de forma alguma algo superficial e sem seriedade, como se Deus no final não será tão firme como parece ser. Esta ideia fantasiosa de Deus ocorre com frequência entre aqueles que imaginam existir uma diferença entre o Deus do Velho Testamento e o Deus do Novo. Como se de alguma forma, por causa de Jesus, as pessoas não precisam mais se preocupar com a justiça de Deus porque agora Deus é amor.

Queridos, de fato Deus é amor (1Jo 4:8), e não só é amor, mas muito mais que isto, Nele se encontra todo o amor que existe no universo. Em Deus também se encontra toda a justiça. Ou seja, todos os atributos de Deus estão contidos no próprio Deus e portanto, por ser Deus e ser auto suficiente, Deus é também imutável não sendo possível haver uma diminuição ou aumento em qualquer parte de tudo o que Ele é. Deus simplesmente é o que é: “Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU” (Ex 3:14. Ver também João 8:58). Em outras palavras, nunca houve e nunca haverá nenhuma mudança em Deus. Aquilo que Ele era um bilhão de anos atrás, Ele é hoje, e será para todo o sempre.

A vinda de Jesus não transformou o Criador de um Deus severo para um Pai bonzinho. Na realidade o envio do seu Filho amado a este mundo para nos salvar testifica tanto do amor perfeito como da justiça perfeita e imutável do Pai. Justiça porque o pecado tem que ser pago com o sangue de alguém (Heb 9:22) e amor porque Deus nos deu aquilo que Ele tinha de mais precioso (João 3:16), e já que Ele fez tudo isso quando ainda não procurávamos por Ele, então tudo foi feito pela graça, mas graça que pressupõem obediência: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:21). Vemos neste verso uma conexão clara entre a obediência ao Filho e o amor do Pai. Aqui um diagrama do verso:

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:21) Markus DaSilva

Pedro entendia tudo isso, e via, que o amor e a justiça de Deus exigem que todo aquele que crer no seu Filho, também o obedeça. Pedro entendia e alertava os seus leitores quanto às consequências eternas da reação do homem às palavras de Jesus: “… aquele que julga segundo a obra de cada um” (1Pe 1:17).  [Gr. ἔργον (ergon) Trd. obra, ato, ação, feito, trabalho, prática] Ou seja, não seremos considerados justos porque conhecemos o evangelho de Cristo, mas sim porque praticamos o que conhecemos. Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: