🔊 (Parte 2) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 2: O Verbo se Fez Carne [Com Áudio]

Foto de uma igreja moderna cheia de adoradores (PARTE 2) SERIE: OBEDECENDO A JESUS. ESTUDO Nº 2: O VERBO SE FEZ CARNE [COM ÁUDIO] Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Temos muito o que aprender sobre Deus. Na realidade, provavelmente nem a eternidade nos dará tempo o suficiente para sequer começarmos a conhecer o nosso amado Criador. Lembremos também que nenhum ser criado aprende qualquer coisa sobre Deus por si mesmo, pois a criatura apenas consegue ver aquilo que o Criador lhe queira revelar. O fato é que até a intenção de querer conhecer a Deus, provém do próprio Deus: “Tornei-me acessível aos que não perguntavam por mim; fui achado por aqueles que não me buscavam” (Is 65:1). Ou seja, se o Senhor quiser se revelar a alguém Ele também terá que despertar neste alguém o desejo de querer conhecê-lo, conforme nos escreveu também o nosso irmão Paulo: “porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2:13).

“Quando o evangelho de Cristo é apresentado de uma forma complicada e o ouvinte não sabe ao certo o que ele deve fazer para se salvar, então sabemos que este é um outro evangelho, e não o de Cristo.”

Parte do plano de Deus para separar e salvar um pequeno povo entre os bilhões de seres humanos rebeldes que caminhavam, e continuam caminhando, rumo à morte eterna, consiste em que lhes fossem revelados como esta salvação ocorreria: “e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue?” (Ro 10:14). A primeira etapa desta revelação se passou há muitos séculos, quando foi anunciado através dos profetas que o Senhor nos enviaria um Salvador: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Is 9:6). Jesus, o Messias, a segunda Pessoa da Trindade, de fato veio tal qual profetizado em vários lugares nas Escrituras. O apóstolo João nos descreveu a vinda de Jesus com uma beleza literária característica do seu estilo: “E o Verbo (ou Palavra – Logos) se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (Jo 1:14).

Em síntese, a primeira etapa da revelação de Deus consistiu em informar à raça humana, sob o domínio do pecado, que seria dado a cada um a oportunidade de evitar o julgamento para a condenação que lhe aguardava (Dn 12:2); libertar-se da escravidão do mal, e levado a uma restauração permanente com Ele através de um Salvador que lhe seria enviado do céu [Hb. מָשִׁיחַ‎ (māšîaḥ) – Gr. μεσσίας (Messías) Trd. Ungido ou Salvador ou Ungido para atuar como um Salvador]. Isso foi o que Jesus quis dizer quando nos disse: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3:17). E em outro lugar, foi ainda mais claro quanto nos disse: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida” (Jo 5:24).

A segunda etapa da revelação de Deus a respeito da nossa salvação foi feita através do próprio Jesus. Isto nos foi colocado de uma forma bem clara pelo autor de Hebreus: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho” (Heb 1:1-2). Este “antigamente” se refere, obviamente, ao Antigo Testamento. Este foi um período da nossa história em que o evangelho de Jesus era compreendido apenas superficialmente, através de tipos, uma vez que o “Ungido do Senhor” ainda não seria enviado por cerca de 400 anos após a morte de Malaquias, o último profeta bíblico. Quando em teologia se fala de “tipo e antítipo” o que se quer dizer é que até que ocorra aquilo que se espera ocorrer, neste caso a chegada do Messias (o antítipo), o entendimento é através de linguagem figurativas, sinais, símbolos, rituais e cerimônias. O mais obvio exemplo nas Escrituras eram os sacrifícios cerimoniais no qual o sangue de um inocente animal era requerido para a purificação dos pecados. Foi por isto que, ao ver Jesus se aproximando, João exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).

Se “nestes últimos dias a nós falou pelo Filho” (Heb 1:2), Jesus então supriu os dois pontos cruciais da nossa salvação: Ele foi o sacrifício pelos nossos pecados e o portador das instruções de Deus sobre como o seu sacrifício messiânico seria aplicado a todo aquele que Nele crer. Verdadeiramente então, o Verbo, ou Palavra [Gr. λόγος (logos)] assumiu a forma humana para nos comunicar os desejos do Pai: “Porque eu não falei por mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, esse me deu ordem [Gr. ἐντολή (Pron. Mod. endoli) Trd.  ordem, comando, regra, mandamento] quanto ao que dizer e como falar. E sei que a sua ordem [endoli] é vida eterna. Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me ordenou” (Jo 12:49-50). Para que fique bem claro o peso destas palavras de Jesus, eis outros usos da mesma palavra [endoli] no original:

  • Lc 15:29: Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e jamais transgredi uma ordem [endoli] tua; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos.
  • At 17:15: E os que acompanhavam a Paulo levaram-no até Atenas e, tendo recebido ordem [endoli] para Silas e Timóteo a fim de que estes fossem ter com ele o mais depressa possível, partiram.
  • Heb 7:5: E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem [endoli], segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que estes também tenham saído dos lombos de Abraão.
  • Jo 11:57: Ora, os principais sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem [endoli] para, se alguém soubesse onde ele estava, denunciá-lo, a fim de o prenderem.

A raça humana interrompeu o perfeito relacionamento com o Criador através da desobediência de um homem. Apesar de cada um de nós, individualmente, não ter cometido o primeiro pecado no Éden, o fato é que todos nós herdamos e seguimos na mesma desobediência de Adão, levando sobre nós o mesmo espírito de rebeldia, e continuamente recusando a obedecer aos mandamentos de Deus. Da mesma forma, podemos restaurar o nosso relacionamento com Deus, nos submetendo ao Espírito de obediência de um homem, o último Adão, Jesus Cristo (1Co 15:45), que nos demonstrou no seu próprio corpo a perfeita obediência, obediência até a morte na cruz. A graça e o amor do Pai se estende a todo aquele que guarda as palavras de obediência do Filho: “Aquele que tem os meus mandamentos [endoli] e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (Jo 14:21).

O Cristão não precisa passar os seus dias aqui na terra, perdido, confuso, sem saber ao certo o que Deus quer dele. A vinda de Jesus, o seu Filho unigênito, foi a mais clara das suas instruções. Em Jesus se encontra tudo aquilo que precisamos saber sobre o nosso relacionamento com o Pai, pois na própria voz de Deus ouvimos: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado; escutai-o” (Mt 17:5). Ou seja, tudo o que precisamos fazer é escutar e obedecer às palavras de Jesus, pois assim o fazendo estaremos obedecendo ao Pai.

Notemos que o Pai não nos deu ordem para ouvirmos a nenhum outro ser. Apenas Jesus possui a autoridade do Pai para nos dar a palavra da salvação. Nenhum homem, nenhuma mulher, nenhum apóstolo, nenhum anjo, absolutamente ninguém, possui a ordem de Deus para nos trazer a mensagem de salvação, apenas Jesus. O que podemos e devemos fazer é levar a Sua mensagem a todos os perdidos (Mc 16:15), mas sempre sendo fiel à tudo aquilo que nos foi dito por Cristo, sem jamais adulterar, diluir, adicionar ou retirar sequer uma letra da sua preciosa palavra de vida eterna: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras [Gr. λόγος (logos) Trd. palavra] jamais passarão” (Mt 24:35); “Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que vos foi anunciada” (1Pe 1:24-25).

As palavras de Jesus que levam à salvação são palavras bem simples, de fácil entendimento. Isto não foi algo acidental, mas sim intencional. Deus intencionalmente apresentou o evangelho da salvação aos mais simples dos seres humanos e em um período da história da civilização humana também simples, para que assim ninguém possa usar o argumento de que não aceitou o plano de Deus porque era muito complicado e que não conseguiu saber ao certo o que Deus quis dele. Isso foi o que Jesus quis dizer com as palavras: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Mt 11:25-26).

Quando o evangelho de Cristo é apresentado de uma forma complicada e o ouvinte não sabe ao certo o que ele deve fazer para se salvar, então sabemos que este é um outro evangelho, e não o de Cristo. Quando alguém apresenta um evangelho em que as palavras de Cristo são canceladas, então sabemos que este alguém é um anticristo. Quando um líder argumenta que em algum lugar nas Escrituras ensina que as palavras de Cristo perderam o seu valor, este líder é um anticristo. Quando alguém conclui que não é necessário obedecer a Cristo para obter a salvação, este alguém foi enganado pelo Maligno e segue rumo à morte eterna. Todo aquele que não reconhece a Cristo como o “Verbo”, ou seja, a única Palavra vinda de Deus, e ensina aos outros que existe uma outra verdade que não veio dos lábios de Cristo, é um anticristo: “Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora” (1Jo 2:18).

Queridos, o Verbo se fez carne. Esta é a nossa grande alegria. É no Verbo que o poder do Criador se manifesta para as suas criaturas, e é por isto que todo o ato da criação no livro de Gênesis se iniciou com a ordem verbal de Deus: “Haja luz!”; “Haja um firmamento no meio das águas!”… e assim sucessivamente. E é também por isto que João nos disse que “Ele [o Verbo] estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:2-3). Jesus, o Verbo que se fez carne, trouxe com Ele, mais uma vez, as palavras poderosas de Deus. Se em Gênesis o Verbo criou, no evangelho, o Verbo recriou. Ou seja, teremos que ouvir e obedecer cuidadosamente a todas as palavras de Jesus se queremos ser recriados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26), pois o poder para ser recriado se encontra apenas, unicamente, tão somente em todas as palavras que procedem da boca do Verbo, o único mensageiro direto de Deus: “Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me ordenou” (Jo 12:50). Espero te ver no céu.

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