🔊 (Parte 6) Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 6: João e a Obediência. [Com Áudio]

Foto de um barco pequeno com pessoas conversando ao por do sol. Serie: Obedecendo a Jesus. Estudo Nº 6: João e a Obediência. [Com Áudio] [Com Áudio] Markus DaSilvaEstudo Nº 6: João e a Obediência. [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

A Bíblia não menciona a idade de nenhum dos apóstolos. Sabemos que Jesus foi levado ao templo de Jerusalém quando tinha 12 anos (Lc 2:42), que começou a pregar em torno de 30 (Lc 3:23), mas quanto aos apóstolos nenhuma informação de idades nos foi dada. Tenho por mim, no entanto, que o apóstolo João era bem novinho quando foi chamado por Jesus para se unir ao conhecido grupo dos 12. Minha conclusão, não é baseada em nada oficial, mas tão somente em algumas pistas encontradas aqui e ali. Por exemplo, em (Mt 20:20-21) quando a mãe de João faz um pedido a Jesus em favor dos dois filhos, Tiago é mencionado primeiro. Essa pequena informação nos diz que João era mais novo que Tiago porque geralmente o filho mais velho é mencionado primeiro; além do fato de ter a mãe como intermediária entre ele e Jesus, ser um outro indício de que o apóstolo era bem novo. Sabemos que João era mais jovem que Pedro, que por sinal era até casado (Mt 8:14; João 20:4). João era medroso (João 20:4-5); Intrometido (João 21:20-22); Convencido (João 13:23; 19:26; 21:7) e finalmente, ele claramente demonstrava uma liberdade física com Jesus que seria bem característico de um filho com um Pai, liberdade esta que obviamente era permitida por Cristo. Estas pequenas pistas me levam a crer que João era apenas um adolescente quando foi chamado pelo Senhor… um meninão, cuja idade poderia variar entre 13 a 19. Segundo o costume Judeu, 13 é a idade na qual o menino começa a ser tratado como adulto. Mas como já disse, tudo isso sobre a possível idade do apóstolo João é apenas a minha opinião, nada oficial.

“A prova de que alguém realmente conhece a Cristo é quando a sua grande alegria é obedecer a tudo aquilo que ele nos ensinou.”

Independentemente da sua idade, a realidade é que ele era muito especial para Jesus. João, segundo os historiadores, foi o único dos apóstolos a não ser martirizado e morreu já velho, possivelmente cuidando de igrejas em Éfeso, na Grécia antiga (atualmente Turquia), logo após ter sido libertado da ilha prisão Patmos em torno do início do segundo século. A prisão foi desativada e é atualmente um mosteiro, podendo ser visitada por qualquer um que estiver passando por lá. Não devemos esquecer também que foi para João que Jesus apareceu e lhe ditou todos os eventos que ocorrerão nos últimos dias, o que consiste o Livro de Apocalipse. Este é um outro detalhe que demonstra o carinho especial que o Senhor tinha para com ele.

João é conhecido pela ênfase que ele coloca no amor de Deus nos seus escritos: “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos” (1Jo 4:8-9). E certamente que não se pode esquecer que é somente no evangelho de João que encontramos o versículo sobre o amor de Deus mais conhecido em todo o mundo: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Vemos nestes dois versos citados acima o resumo mais preciso do que se trata o evangelho de Deus: o amor do Pai por nós ao nos enviar aquilo que ele tem de mais precioso: Jesus.

João foi usado por Deus de uma forma muito especial para se comunicar com aqueles que creriam séculos depois da passagem de Jesus pela terra (João 17:20). Ele nos escreveu deixando bem claro que a sua autoridade não consistia de conhecimento vindo através de terceiros, e nem mesmo através de sonhos e visões, como muitas vezes Deus o fez. É um grande conforto saber que este é o mesmo João que ouvia atentamente as palavras de Jesus dia e noite, estando fisicamente com ele, e literalmente olhando e às vezes até tocando no corpo físico do Filho de Deus: “o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam… o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (1Jo 1:1-3).

Ninguém na Bíblia teve a inspiração para escrever palavras tão maravilhosas como estas: “o que as nossas mãos apalparam”. Imaginem isto irmãos. Obviamente outros tocaram no Filho de Deus, como a sua mãe, o seu pai adotivo, irmãos, irmãs, amiguinhos e os apóstolos, mas ninguém foi direcionado pelo Espírito Santo a nos escrever sobre este fato, apenas “o apóstolo que Jesus amava”. Algo que para eles não foi nada demais, pois O viam a todo instante e era apenas normal que lá uma vez ou outra sem querer tocassem no corpo de Jesus, da mesma forma que tocamos uns nos outros quando estamos caminhando em grupo e passamos por um local apertado. Mas a nenhum deles, apenas a João, o Pai instruiu que mencionasse este pequeno fato para nós; nós que cremos, amamos e o obedecemos, cerca de vinte séculos depois: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29; 1Pe 1:8).

Jesus foi enviado pelo Pai para servir dois propósitos: nos redimir com o seu próprio sangue e nos ensinar como fazer parte dos redimidos. Jesus nos mostrou no seu viver tudo aquilo que o Pai espera de nós para que o nosso crer no Filho seja o crer que resulta na nossa salvação, e não somente um crer a nível intelectual, sem qualquer valor salvífico. João via tudo isso e foi bem claro quanto à importância de termos a Jesus como um exemplo que leva à salvação: “Aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou” (1Jo 2:6). Observemos o uso do verbo dever [Gr. ὀφείλω (ofílo) Trd. ter que fazer, ser obrigado a fazer, deve fazer, precisa fazer, necessita fazer]. Ou seja, viver como Jesus vivia, em completa obediência à vontade do Pai, e obedecer a todas as instruções de Cristo, não nos é apresentado por João como uma opção para quem quer ser salvo, mas sim como uma obrigação, um mandamento cuja recusa em obedecer resultará em uma rejeição do Filho amado do Pai. Se “estamos em Jesus” quando andamos como ele andava, então subtende-se que estamos “fora de Jesus” quando andamos de uma maneira diferente daquilo que ele nos ensinou, pois aquilo que Jesus ensinava estava em completa harmonia com a forma que ele andava.

João aprendeu de Jesus tudo aquilo que nos transmitiu nos seus escritos, mas de uma forma especial a importância que é a união real que existe entre nós, os filhos de Deus por adoção, Jesus o Filho único de Deus por essência, o Espírito Santo e o Pai. Do ponto de vista humano, esta união real entre os membros da família de Deus só ocorre através da nossa obediência aos mandamentos que nos foi transmitido pelo próprio Cristo: “Se guardardes as minhas ordens [Gr. ἐντολή (endoli) Trd. ordem, comando, regra, mandamento] , permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado as ordens [endoli] de meu Pai, e permaneço no seu amor” (João 15:10). Jesus tocava neste assunto o tempo todo, sempre enfatizando a conexão que existe entre o amor e a obediência. Cristo sempre deixou bem claro que nem ele nem o Pai se interessam por qualquer expressão de amor da nossa parte se não estiver acompanhada da nossa obediência. Esta verdade pode ser claramente vista em todo o evangelho: “E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46). “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7:21).

João, assim como ouviu do seu amado Mestre, nos ensinou a  conexão que existe entre o nosso amor expressado e manifestado. O apóstolo que Jesus amava defende uma fé experiencial, e não apenas teórica: “E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos” (1Jo 2:3). Ou seja, até para nós mesmos pode ser difícil saber quando estamos ou não dentro dos desejos de Deus. O inimigo frequentemente procura nos confundir com todos os tipos de falsos ensinos. Esta é uma verdade presente em especial nestes últimos dias, quando através da internet podemos acessar com a maior facilidade centenas de vozes, todas elas oferecendo aquilo que chamam de evangelho. Na sua grande maioria, estas vozes oferecem uma entrada no céu sem que haja o menor sacrifício da nossa parte. De fato, argumentam que se o cristão fizer qualquer coisa que favoreça a sua salvação ele está na realidade rejeitando a Cristo e segue rumo ao inferno. É como se a melhor maneira de agradamos a Deus fosse desobedecendo aos mandamentos de Jesus. Uma completa inversão de valores, onde o certo é errado e o errado é certo. Séculos antes do nascimento de Jesus, o profeta já nos alertava quanto a estes inimigos da verdade: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que põem as trevas por luz, e a luz por trevas, e o amargo por doce, e o doce por amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e astutos em seu próprio conceito!” (Is 5:20-21).

Estes falsos evangelistas praticamente nunca mencionam as palavras de Jesus. Ignoram por completo os claros ensinos do Filho de Deus de que teremos que obedecer a tudo aquilo que Ele nos ensinou se verdadeiramente o amamos. João nos alertou repetidamente sobre este tipo de ensino diabólico. Nos alertou que o conhecimento do Senhor não ocorre simplesmente através de palavras. Falar que conhece a Deus e a Jesus, isso qualquer um pode fazer, e de fato, praticamente todos os cristãos o fazem. A prova de que alguém realmente conhece a Cristo é quando a sua grande alegria é obedecer a tudo aquilo que ele nos ensinou: “Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; mas aquele que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus” (1Jo 2:2-5).

“Mas aquele que guarda a sua palavra”. Ao apóstolo João foi dado uma das maiores revelações das Escrituras, que é a essência de Deus manifestada na sua palavra [Gr. λόγος (logos)]. Pelo fato de Deus ser a pura luz e a pura verdade, toda a sua expressão [logos] contém material essencial para a vida. Guardar, ou ter como o maior tesouro a palavra [logos] de Deus é o único caminho que existe para quem quer possuir a vida plena, foi por isso que Jesus [o Logos de Deus] nos disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6). Ou seja, Jesus é a manifestação visível, audível, palpável do Pai para a raça humana. Ainda que Ele já não mais se encontra fisicamente conosco e não podemos mais vê-lo e tocar no seu corpo como João o fez, a sua palavra continuará para sempre sendo o elo entre nós e o Pai. Isto é algo incrível e apenas aquele que tem o Espírito Santo dentro de si consegue entender: Jesus é a Palavra de Deus [logos] e tudo aquilo que Jesus nos falou é a expressão física, audível, de Deus. Não é possível ao homem relacionar-se com o Pai sem que ele obedeça às palavras [logos] que saíram da boca do seu Filho: “Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou. Estas coisas vos tenho falado, estando ainda convosco. Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito” (João 14:23-26). Espero te ver no céu.

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